sexta-feira, 28 de outubro de 2016

150 anos da SOCEPE desde o Deutscher Hilfsverein

A migração de alemães e descendentes para Santa Maria, desde as antigas colônias da região de São Leopoldo, começou no início da década de 1830 e continuou durante a Guerra dos Farrapos. Na florescente povoação santa-mariense, os alemães que, durante o conflito, garantiram as atividades de comércio e produção, mantiveram sua hegemonia em tempos de paz. Na época de sua emancipação política, em 1858, Santa Maria era visivelmente alemã em quase todas as atividades: comerciantes, alfaiates, curtidores, lombilheiros, ferreiros, pedreiros, ourives, sapateiros, marceneiros etc.
Isso atraiu, cada vez mais, a migração para Santa Maria, desde aquelas colônias, onde as famílias aumentavam e as terras escasseavam. Grupos familiares, às vezes numerosos, deslocavam-se para a vila santa-mariense e para a recém-fundada Colônia do Pinhal, hoje Itaara.
Deutscher Hilfsverein
A forte presença germânica em Santa Maria, em meados do século 19, e o tradicional associativismo da etnia geraram a organização de sociedades. Em 1866, foram fundadas a Deutsche Evangelische Gemeinde (Comunidade Evangélica Alemã) e o Deutscher Hilfsverein. Essa sociedade, mais tarde também denominada Sociedade Beneficente Alemã, foi criada para amparar os imigrantes recém-chegados a Santa Maria ou em trânsito, numa época de intensa imigração.
A fundação e os 18 fundadores
A ata de fundação e as seguintes, nos primeiros 47 anos da sociedade, não foram conservadas, mas o extenso noticiário no Diario do Interior e em A Razão, em 1936, referente aos 70 anos de fundação, contém valiosas informações.
Otto Brinckmann
Presidente fundador
 A comemoração iniciou com a celebração, pelo Pastor Daniel Kolfhaus, de um culto memorial na Igreja Evangélica Alemã. Depois, na sede social à Rua Venâncio Aires, houve uma sessão solene, presidida pelo sócio mais antigo, Ildefonso Brenner, 74 anos, que passou a palavra ao jornalista José Garibaldi Filizolla, orador do evento, em português. No discurso, ele disse que havia 70 anos, em 28.10.1866, 18 alemães e descendentes, numa nobre manifestação de solidariedade humana, fundaram uma agremiação “com o elevado propósito de amparar os sócios, moral e materialmente, quando a situação o exigisse, bem como aos demais patrícios e seus descendentes que necessitassem de amparo”. Prestou homenagem aos fundadores, enunciando seus nomes “com o maior respeito e saudade, todos falecidos”, a seguir citados com seus cargos na primeira diretoria:

    Otto Brinckmann (presidente), Franz Weinmann (vice-presidente), Wilhelm Fischer (secretário), Peter Cassel (tesoureiro), Nicolaus Ehlers, Philipp Jacob Schirmer, Jacob Maurer e Jacob Krebs (diretores); e mais 10 fundadores: Abraham Cassel, Augusto Morsbach, Carlos Lampert, Heinrich Friedrich Eggers, Johann Heinrich Druck, Miguel Adamy, Nicolau Becker, Pedro Weinmann, Peter Brenner e Theodoro Weber.
Outros dirigentes fundadores. Desde a esquerda: Franz Weinmann, vice-presidente;
Wilhelm Fischer, secretário; Peter Cassel, tesoureiro; Philipp Jacob Schirmer, diretor
      Logo depois, discursando em alemão, o Pastor Kolfhaus destacou a atividade e dedicação dos fundadores pelo progresso da sociedade e apresentou um histórico, referindo-se aos benefícios prestados aos sócios e à coletividade. Concluiu incitando os germânicos locais a, unidos, “propugnarem pelo progresso do Deutscher Hilfsverein, a exemplo do que por ele fizeram os seus antepassados”.

O discurso de Filizolla incluiu a valiosa informação de que “a sessão de fundação teve lugar na casa do Sr. Otto Brinckmann, onde é hoje a residência do seu genro, o Sr. Candido Souza.” Era um casarão na Rua do Comércio, hoje Segunda Quadra da Rua Doutor Bozano. Em 1950, a propriedade foi vendida a Reinoldo Emilio Block, que ali mandou construir o Edifício Block, nº 1058.
A seta indica a casa de Otto Brinckmann, local da fundação do Deutscher Hilfsverein..
Detalhe de foto de Bortolo Achutti, na 2ª metade dos anos 1940.
Em 1936, estava disponível a documentação referente a esses dados, inclusive a ata de fundação, pois quatro anos antes, na inauguração da sede, o orador João Geiger Bonuma citara o “velho livro da sociedade [...] no cursivo caprichoso de Guilherme Fischer [...]”
Por essas razões, causa estranheza a relação de 71 fundadores em História do Município de Santa Maria (1933), cujo autor, João Belém, certamente teve acesso à mesma documentação. A hipótese mais provável é que, feita a ata, após a assinatura do presidente, novos associados passaram a assiná-la, sem apresentá-la antes aos fundadores.
Mais uma vez se revela a importância das hemerotecas do Arquivo Histórico Municipal e da Casa de Memória Edmundo Cardoso ante o lamentável extravio dos arquivos institucionais.
Carl Ferdinand Otto Brinckmann
Esse era o nome completo do primeiro presidente, sem dúvida o líder da fundação do Deutscher Hilfsverein – hoje SOCEPE. Além de encabeçar a diretoria, a reunião fundamental foi realizada em sua casa.
Ele veio ao Brasil, em 1851, com 25 anos de idade, como capitão de artilharia entre os cerca de 2000 militares do exército prussiano, contratados pelo Império Brasileiro para a Guerra contra Oribe e Rosas. Era, portanto, um Brummer, apelido pelo qual esses militares ficaram conhecidos. Depois de licenciado, estabeleceu-se em Santa Maria, supostamente em 1855, como agrimensor, ofício que conhecia, por ser oficial artilheiro. É de autoria de Brinckmann um dos mais antigos mapas do traçado urbano da cidade, datado de 1861.
Faleceu em 4.1.1903 e foi sepultado no Cemitério Evangélico Alemão, hoje incluído no Cemitério Municipal. A SOCEPE efetuou, recentemente, a restauração de seu túmulo onde afixou uma lápide em homenagem aos fundadores, citando os membros da primeira diretoria.
Transformações – SOCEPE
Anos depois, a Sociedade Beneficente Alemã tornou-se de amparo mútuo. Até 1939, mantinha e abrigava, no salão do segundo pavimento, o Colégio Brasileiro-Alemão e no pavimento inferior, o restaurante da sociedade.
Sede do Deutscher Hilfsverein, Sociedade Beneficente Alemã,depois Sociedade
Concórdia, demolida em 1982. No local,hoje está a sede central da Socepe. 
Em decorrência da declaração de guerra à Alemanha, em 1942, a sociedade foi desativada e o salão requisitado para uso do Círculo Militar. Anos após o término da guerra, alguns sócios mais antigos, num trabalho demorado e pertinaz, conseguiram a devolução do patrimônio. Entretanto, a Sociedade teve dificuldades para se reerguer, embora o restaurante, que funcionava terceirizado, fosse, durante largo período, o melhor da cidade. O nome fora mudado para Sociedade Concórdia, denominação adotada, durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, por várias outras sociedades de matriz cultural alemã, no país. Concórdia é acordo, paz, harmonia de vontades e opiniões.
Em 7 de julho de 1966, um século após a fundação, reuniram-se em assembleia geral os associados da Sociedade Concórdia e do Clube de Caça e Pesca de Santa Maria que, por maioria absoluta, aprovaram sua fusão. Ambas eram presididas por Horst Oscar Lippold, o que favoreceu a aceitação da proposta.
Surgia, assim, a Sociedade Concórdia Caça e Pesca, o grande clube que conhecemos pela sigla SOCEPE, com sede central no mesmo antigo endereço da Rua Venâncio Aires nº1596 e sede campestre em Itaara, com área de 50 hectares.
150 anos
Na assembleia geral de 29.7.2013, convidado pelo então presidente João Carlos Provensi e pelo patrono Horst Lippold, apresentei a justificativa para que a data de fundação do Deutscher Hilfsverein fosse adotada como aniversário da SOCEPE.
A assembleia aprovou a proposta por unanimidade e, assim, a SOCEPE, a mais antiga sociedade de
Santa Maria e uma das mais antigas do Estado, ostenta, com justo orgulho, em sua identidade visual, o ano de sua fundação, e neste 28 de outubro de 2016, comemora seus 150 anos de existência.
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Nota - A matéria desta postagem foi publicada no jornal A Razão, de S. Maria, na edição de 29.10.2016
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Fontes:
Arquivo Histórico Municipal de S. Maria: Diario do Interior, ed. 27.11.1936 e 1.12.1936.  A Razão, ed. 1.12.1936.
Arquivo pessoal
Casa de Memória Edmundo Cardoso.
Revista Commemorativa do Centenario de Santa Maria, 1914.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Catharina Franziska Weckert – Laydner por casamento

No dia 29 de julho de 1792 – há exatos 224 anos –, foi batizada Catharina Franziska Weckert, minha trisavó materna. No registro, não consta a data do nascimento, mas ela deve ter nascido naquele mesmo ano, na pequena comunidade de Büdesheim, junto e ao sul de Bingen am Rhein, histórico e importante porto no Rio Reno. O batismo foi celebrado na igreja paroquial católica dos Santos Áureus e Justina.
Büdesheim é hoje um bairro de Bingen, com pouco mais de 7.000 habitantes.

Catharina Franziska nasceu numa época muito conturbada. Em fins de 1792. Büdesheim foi invadida pelos franceses, após 800 anos sob a administração do Arecbispado de Mainz, cujo arcebispo era um dos eleitores do imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Mainz, 25 km a leste de Büdesheim, é hoje a capital do Estado Federal da Renânia-Palatinado.

Tempos de guerra
Em 27 de agosto de 1791, o imperador do Sacro Império, Leopoldo II, que era irmão de Maria Antonieta, e o rei da Prússia emitiram uma declaração aos revolucionários franceses em favor do bem-estar de Luís XVI e de sua família. Ameaçavam com vagas, mas severas consequências caso algo de mau lhes acontecesse.
Em 20 de abril de 1792, a França declarou guerra à Áustria, e em julho, o Duque de Braunschweig, no comando de tropas prussianas, invadiu a França e declarou sua intenção de restaurar os plenos poderes do rei francês. Entretanto, em setembro, diante da indefinição da Batalha de Valmy, os prussianos perceberam que a campanha se tornava mais longa e mais onerosa do que supunham. Decidiram então retirar-se do território francês.
A França tomou a ofensiva e, no final de 1792, tinha conquistado a Renânia, região alemã principalmente a oeste do Reno. Iniciava assim um domínio francês que durou 22 anos, até a derrota de Napoleão e o consequente Congresso de Viena (1814-15).
A residência dos Weckert não mais existe.
Nesse cenário cresceu a jovem Catharina Franziska, a 7ª entre 14 filhos e filhas de Peter Weckert e Maria Catharina Aßner (Assner). Já haviam nascido então 6 irmãs suas, entre elas Maria Theresia, em 30.9.1789.  
O pai, Peter Weckert, vitivinicultor, tinha 33 anos quando houve a invasão francesa. Ele era, desde 1788, Gemeindeschreiber, o chefe da administração da Comunidade.
Durante o domínio francês, Weckert foi o Maire (prefeito) da localidade (1801-05) e Kirchenmeister (1803-10) o Mestre da Igreja, eleito pela comunidade eclesiástica para supervisionar os bens, realizar os registros cadastrais, arrecadar a receita, rejeitar despesas e realizar a contabilidade.
A retirada dos franceses, em 1813, e as guerras subsequentes de libertação por sua vez, trouxeram novos encargos, especialmente devido aos muitos russos aquartelados em Büdesheim.

Não é conhecido um brasão ou sinete do prefeito Peter Weckert; é mesmo  pouco provável que ele o tenha adotado em seu mandato, que foi influenciado com as ideias revolucionárias francesas. O autor da  genealogia Weckert, citada em fontes, desenhou um brasão que lembra a terra natal e as ocupações de Weckert.
Sobre  escudo vermelho, uma barra prata ondulada e inclinada separa uma cabeça de cavalo e um cacho de uva remetem às profissões de carreteiro (antiga) e de vitivinicutor; sobre o elmo de prata, um homem vestido de vermelho segura na mão direita um bastão prata de prefeito e na esquerda um Código Napoléon azul.

Atrações culturais
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Igreja
Igreja católica dos Santos Áureus e Justina
A primeira citação documental da Igreja católica de Büdesheim é de 1184, quando pertencia ao Mosteiro Santo Alban, em Mainz, e já era consagrada a Santo Aureus e Santa Justina. O templo fora construído no século XII, em estilo românico, do qual resta somente a torre coberta de ardósias. A nave única, barroca, é de 1756 e foi danificada durante a Segunda Guerra Mundial, sendo restaurada em 1950.
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Alte Rathaus
A antiga Câmara Municipal de Büdesheim, die alte Rathaus, foi a sede do governo de Peter Weckert como prefeito (1801-1805). É um edifício retangular gótico tardio, construído em 1539, com cobertura barroca, em quatro águas, As pequenas torres com ameias, nos cantos, são características de edificações em alvenaria de pedra dos séculos XIV e XV, no Médio-Reno.

A antiga Rathaus, na Burgstrasse nº 2, é um marco histórico em Büdesheim, cujo salão é utilizado para eventos.

Os irmãos Leidner ou Laydner
Johann Peter Leidner e Peter Joseph Leidner eram filhos de Joseph Leidner, pedreiro em Kirn. Ambos haviam nascido, respectivamente em 1787 e 1789, em Birkenmühle, um vilarejo junto a Herrstein/Hunsrück.
Os irmãos Leidner, depois Laydner, casaram com filhas de Peter Weckert.
Johann Peter era mestre-pedreiro em Kirn, 50 km ao sudoeste de Büdesheim, quando casou com Catharina Franziska Weckert em 20.10.1817, em Büdesheim.
Peter Joseph era pedreiro em Büdesheim quando casou com Maria Theresia Weckert, em 15.4.1819.
Johann Peter e Catharina Franziska viveram em Kirn/Hunsrück, onde nasceram seus cinco primeiros filhos. Em 1827, mudaram-se para Simmern, cidade 30 km ao norte, onde nasceram outros quatro filhos, entre os quais Johann Carl em 05.01.1828 e Jacob Ludwig, meu bisavô materno, em 11.11.1829.
Catharina Franziska faleceu em Simmern, com 50 anos de idade, em 31.12.1842, seis anos após o nascimento da última filha, Cornelia Catharina.
Alguns anos depois, Johann Peter Laydner e os filhos Johann Carl, Jacob Ludwig e Josephina (Maria Josepha) deixaram Simmern com destino ao Brasil, e chegaram à Colônia Alemã de São Leopoldo, em 26.10.1848.
Posteriormente, estabeleceram-se em Santa Maria, onde geraram grande descendência: Jacob Ludwig Laydner como ourives e Johann Carl Laydner, incialmente como construtor e depois como vitivinicultor, mas essa é outra longa e importante história.
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Fontes:
Arquivo pessoal
BRENNER, José Antonio. O pioneirismo de Johann Friedrich Mergener e os Vinhos Laydner. Palaión, Museu Educativo da UFSM, Santa Maria, v. 2, nº 1, 1992.
FRIEDRICH, Heinz. Die Weckert aus BüdesheimDeutsches Familienarchiv. Neustadt  an der Aisch, Verlag Degener & Co., 1955, v. 4
https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Coliga%C3%A7%C3%A3o
http://www.regionalgeschichte.net/rheinhessen/buedesheim/kulturdenkmaeler/rathaus.html

sábado, 16 de julho de 2016

Amelinha – a segunda rainha do tênis

A diretoria do Avenida Tênis Clube, eleita em 3.3.1934, sob a presidência de João Geiger Bonuma, em sessão realizada em 18.5 de 1934, encarregou seu órgão oficial, o A.T.C., de organizar a eleição da nova rainha do clube.
O Diario do Interior, jornal santa-mariense que publicou várias notícias sobre o andamento da eleição da primeira rainha, no ano anterior, nada noticiou até 24.7.1934, quando anunciou o baile da coroação.
Apenas o jornal A.T.C., em sua edição de 12.6.1934, comentou o invulgar entusiasmo gerado pela votação cuja primeira apuração, no sábado anterior, 9 de junho, resultou na seguinte contagem: Elisa Pereira, 45 votos; Amelia Pereira, 25 votos; Ivanisa Rocha, 15; Agueda Brazzale, 10; Lucia Izaguirre, 5 e Clelia Nieves, 5 votos. A notícia concluiu advertindo os eleitores ateceanos que a eleição seria
Elisa Pereira, a mais votada
no primeiro escrutínio.
encerrada no seguinte dia 25, segunda-feira, e que havia cédulas para votação à disposição na Livraria do Globo. Essa livraria, na Primeira Quadra da Rua Dr. Bozano, onde hoje está o Santa Maria Shopping, era dirigida por Cesar Millan, que exercia a direção comercial do jornal A.T.C. Esse órgão do clube não noticiou o resultado final que também não foi citado nas atas das duas seguintes sessões de diretoria; a ata de 2 de julho apenas registrou que a diretoria deliberou realizar a festa da coroação da nova rainha, no final do mês.
Mas, apesar da larga vantagem de Elisa, 16 dias antes do encerramento da votação, Amélia Pereira foi eleita a segunda rainha do Avenida Tênis Clube.
Amelinha, como era carinhosamente chamada por todos, foi destacada no jornal A.T.C., na edição citada, na coluna Galeria do A.T.C.

Jornal A.T.C. ano 1, nº 12 - ed. de 12.6.1934 - 1ª pág.

As iniciais  L. I.. na assinatura do texto, eram, possivelmente, de Lucia Izaguir4re, companheira de tênis e de diretoria de Amelinha, que também foi votada para rainha. O poeta citado era Layette Edgar Poggi de Lemos Duarte, da Academia Pernanmbucana de Letras.

Amelinha
Amelia Filizzola Pereira nasceu em 24.8.1915 em Jari, então distrito de Santo Ângelo. Em 1928, Jari passaria a ser distrito do município de Tupanciretã, do qual se emancipou, em 28.12.1995. Era filha do fazendeiro Affonso Pereira e de Romilda Filizzola Pereira.
Tinha 12 anos quando, junto com seus pais e de suas seis irmãs, mudou-se para Santa Maria, em fins de 1927.
Após completar 17 anos, Amelia associou-se ao Avenida Tênis Clube. Foi proposta pelo presidente Alcides Roth e admitida na sessão de diretoria, em 3.9.1932.
Ela estava então concluindo o curso de professora na Escola Complementar, que formava as chamadas “alunas-mestras”. Entretanto, a formatura somente foi realizada em 17 de junho de 1933, sábado, no salão do Clube Comercial instalado no último andar da União dos Caixeiros Viajantes. Esse adiamento foi, certamente, devido à Revolução Constitucionalista para derrubar o Governo Provisório de Vargas, eclodida em São Paulo, em 32 de julho de 1932, que se estendeu com guerrilhas no Rio Grande do Sul, onde terminou em 20 de setembro do mesmo ano.
Era uma jovem com talentos musicais: cantava, tocava piano, acordeão e bandolim.
Na tarde de domingo de 2.4.33, quando foi jogado um torneio de duplas masculinas,  compareceram ao clube várias jovens ateceanas, entre elas Amélia Filizzola Pereira que “a todos deliciou, tocando piano”, segundo o cronista “Fundo”.

Em 3.3.1934, realizou-se a assembleia geral para eleição da nova diretoria, no salão do A.T.C., na Praça da República. Por aclamação, foi eleita a diretoria composta por:
Presidente: João Geiger Bonuma; vice-presidente: Lamartine Souza; 1º secretário: Alcyr Valfredo Pimentel; 2ª secr. Lucia Izaguirre; 1º tesoureiro: Athos Lenz; 2ª tes.: Amelia Pereira; diretor esportivo: Carlos Lang. Conselho Fiscal: Ennio Brenner, Ernesto Lang e João da Costa Ribeiro.
Assim, a professora Amelia Pereira, aos 18 anos de idade, um ano e meio após ter se associado ao A.T.C., já integrava a diretoria do clube.
Na sessão de 4 de junho, foram admitidos como sócios os aspirantes Odacyr Timm, Tito do Canto e Nestor de Matos Brito, propostos por Amélia Pereira. Possivelmente nessa época havia iniciado o namoro entre Amélia e Odacyr que, um ano depois, em 21.7.1935, oficializaram o noivado.

Odacyr Luiz Timm
Odacyr e Amelinha, na data do noivado: 21.7.1935
O noivo de Amelinha nasceu em Santa Maria, em 31 de julho de 1912, filho de Álvaro Timm e Ernestina Lemes Timm. Era trineto de Hans Heinrich Timm, que imigrou com esposa e cinco filhos na primeira leva de alemães, chegados à Colônia Alemã de São Leopoldo, em 25 de julho de 1824.
Odacyr cursou a Escola Militar do Realengo, Rio de Janeiro, e formou-se aspirante artilheiro, em 1932. Em sua cidade natal, serviu no 5º Regimento de Artilharia Montada que, em 1950, recebeu a denominação histórica de Regimento Mallet.
Em 1934, o aspirante Odacyr Timm, novo associado do Avenida Tênis Clube, passou a praticar o esporte.

Tenistas
Era costume marcar o início das atividades tenísticas com um programa de jogos, em um domingo de março. Era a “Abertura da Temporada”.
Recorte da foto de um grupo de tenistas, na quadra do ATC, em 1934.
Como preparação para a abertura de 1935, o diretor esportivo, Ennio Brenner, organizou vários jogos de duplas no dia 17 de março. A partida inicial foi disputada por Lamartine Sousa-Elisa Pereira contra Ennio Brenner-Amélia Pereira. Ennio era o campeão do A.T.C. e Lamartine o anterior campeão.  O cronista que assinava “Rod.”, ficou bem impressionado com o jogo das moças e escreveu, no Diario do Interior, que “ficou comprovado que, se as tenniswomen do Avenida cultivassem o elegante esporte da raqueta teriam uma ótima colocação entre as poucas tenistas femininas do Estado.”

Entre 33 tenistas (29 homens e 4 mulheres), Odacyr e Amelinha participaram dos jogos da abertura da temporada, em 24.3.1935.
O mesmo cronista registrou:
O que mais entusiasmou a direção do simpático A.T.C. foi a atuação, digna de registro, das duas duplas femininas, que se houveram com tal homogeneidade de jogo, que é difícil destacar qual a de melhor performance. Elisa, Dinah, Amelinha e Clelia foram as figuras máximas da tarde, razão por que lhes apresentamos as nossas felicitações.

Elisa Pereira e Dinah Schmidt venceram por 6x3, 3x6 e 6x4.

A dupla Odacyr Timm-Tito do Canto venceu a dupla cap. Ruy Bello-ten. Alcides Bittencourt por 6x3 e 6x1. Segundo o cronista “Rod.”,
o tenente Tito fez jogadas arrebatadoras, na rede, confirmando que é um bom artilheiro. O tenente Odacyr, calmamente, “desacatou” os seus adversários e colegas, vencendo juntamente com o seu companheiro de armas.

O último jogo, disputado pelas duplas Ennio Brenner-Flavio Paz x Lamartine Souza-João C. Ribeiro foi, segundo a crônica esportiva, " a demonstração culminante, encerrando com chave de ouro o torneio inirium mais admirável que temos assistidos nas quadras do alviceleste. [...] Os quatro jogadores, até a noitinha, encantaram os apreciadores do lindo e difícil esporte"  Ennio e seu jovem sobrinho venceram por 6x8, 6x3 e 7x5. Flavio Paz, 17 anos, era chamado o "menino de ouro" do ATC.
Várias empresas doaram prêmios aos vencedores, que estiveram em exposição na vitrina da Casa Herrmann, na Primeira Quadra da Rua Dr. Bozano, onde hoje está a Joalharia e Ótica Gaiger.
Um toldo foi montado para maior conforto dos torcedores aos quais foram servidos sanduíches, chope e outras bebidas, enquanto a banda de música do 7º Regimento de Infantaria animava a tarde esportiva.
A abertura da temporada entusiasmou os ateceanos e a crônica esportiva que publicou:
À diretoria do Avenida Tênis Clube, especialmente ao seu esforçado diretor esportivo Sr. Ennio Brenner, damos parabéns pela satisfação que nos proporcionou a sua tarde desportiva de domingo.
E na sessão de diretoria, em 28.3.1935, devido ao grande êxito na abertura da temporada, foi consignado em ata um voto de louvor ao diretor esportivo Ennio Brenner.
Publicado no Diario do Interior, sábado, 28.7.1834, 1ª pág. O secr. Alcyr Valfredo
Pimentel era paranaense e viera trabalhar na cooperativa dos ferroviários. Seu filho
Roberto Valfredo Pimentel, o conhecido Tatata Pimentel, nasceu em S. Maria, em 1938.

O Baile da Rainha
Na edição de 28.7.1934, sábado, o cronista do tênis que assinava “G” descreveu no Diario do Interior noticiou, com riqueza de detalhes, a grande festa social que se realizaria à noite.
Seria uma festa imponente no “magnífico salão do Clube Comercial,” ricamente iluminado, onde haveria “a elegância dos pares, a alegria, a beleza dos toaletes das mais encantadoras jovens.”
O Clube Comercial ocupava o último pavimento do Edifício João Fontoura Borges da União dos Caixeiros Viajantes. No espaço do citado salão, estão hoje os setores administrativos do gabinete do prefeito municipal.
O cronista citou a comissão de ornamentação, composta por Chiquinha Souza, Naná Bonuma e Lila Lenz, que estava “envidando todos os esforços para maior realce da festa”.  E descreveu que a rainha Norma Seibel, introduzida por João Appel Lenz e Adolpho Bastide, se encontraria no salão com a rainha eleita Amélia Pereira, acompanhada pelo presidente João Bonuma e por Lamartine Souza. O ato seria abrilhantado pelo hino do A.T.C. cantado por Clelia Filizzola e Dora Jornada, quando Amélia Pereira seria conduzida, com seu séquito de pajens, aias, garçons e demoiselles d’honeur, ao trono, para a solene coroação.
Amelia Pereira recém-coroada. à esq.: Carlos Lang, Lamartine Souza, Eurico Nerva e
Norma Seibel (rainha anterior). À dir.: Lucia Izaguirre, João Bonuma e Alcyr Pimentel.
foto: Sioma Breitman/Casa Aurora
Logo após, com início previsto para a 22h30min, haveria o brilhante “Baile da Rainha”.
As edições seguintes do Diario do Interior nada comentaram sobre a festa, e nas atas do A.T.C. há apenas uma citação referente a um ofício de agradecimento ao Clube Comercial pela cedência do salão.

Tesoureira
Atuando como 2ª tesoureira, desde março de 1934, Amelinha tornou-se 1ª tesoureira, na diretoria aclamada na assembleia geral extraordinária de 28 de dezembro do mesmo ano. Uma diretoria de curto mandato, composta para preencher cargos vagos: além de outros demissionários, o presidente João Bonuma, que era juiz distrital, renunciara devido à sua transferência para Porto Alegre, onde iria lecionar na Faculdade de Direito.
Em março do ano seguinte, Amelinha apresentou o balancete da tesouraria à assembleia geral que aclamou nova diretoria.

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Odacyr e Amelinha casaram em 30 de janeiro de 1936, na Catedral de Santa Maria. Residiram, por cerca de três anos na cidade, onde nasceram seus dois primeiros filhos: Maria de Lourdes, em 4.2.1937, e Odacyr Luiz Junior, em 20.8.1938. Em razão da carreira militar, viveram em Pouso Alegre/MG, Realengo/RJ, Ijuí/RS e novamente em Santa Maria, onde o então major Odacyr Timm cursou a Faculdade de Farmácia de Santa Maria, na época agregada à URGS. Formou-se farmacêutico em dezembro de 1952 e, ao passar para a reserva, como general de brigada, em 1962, dedicou-se plenamente á Farmácia. Entre outras funções, foi conselheiro e secretário-geral do Conselho Regional de Farmácia/RS e assessor itinerante de todos os conselhos regionais, pelo Conselho Federal de Farmácia.
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Fontes:
Acervo fotográfico de Maria de Lourdes Pereira Timm.
Arquivo pessoal.
Arquivo Histórico Munic. de S. Maria – Hemeroteca: Diario do Interior, edições de 19.3.35 e 26.3.1935.
Conselho Regional de Farmácia/RS.
Gazeta da Farmácia, RJ - ed. Abril de 1975.
Livro de atas nº 1 do Avenida Tênis Clube.
Timm, Maria de Lourdes Pereira. Hans Heinrich Timm (trab. genealógico n.p.)


sexta-feira, 24 de junho de 2016

A cascata, o patrono e o esquecimento


A foto, de meados dos anos 1920, foi tirada, certamente por fotógrafo de plantão, na Cascatinha da Tijuca ou Cascata Taunay, no Rio de Janeiro.
Embaixo: Antonio Alves Ramos, sua esposa Etelvina Brenner Ramos e Emma Avellanal Laydner, casada com Júlio Laydner, meu tio-avô. Em cima: Aracy de Figueiredo Paz, Maria Luiza Brenner (minha mãe) e uma jovem não identificada.
Antonio Alves Ramos
Na data desta postagem, 24 de junho de 2016, faz 166 anos que nasceu Antonio Alves Ramos, em uma localidade não identificada de Portugal, filho de Domingos Braz Alves e Maria Theresa Ramos. Ele chegou ao Brasil com 14 anos de idade e empregou-se no comércio do Rio de Janeiro. Mais tarde, veio para a Província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, tendo trabalhado em Rio Grande, Pelotas, Bagé, Livramento e, finalmente, em Santa Maria, onde se fixou como comerciante, em 1876.
Em 2 de dezembro de 1882, ele casou com Etelvina Veronica Hoffmeister Brenner, irmã do meu avô materno. Ramos tinha 32 anos de idade, e sua noiva 16.
Ele tornou-se um muito bem-sucedido empresário da construção de ferrovias. Entre 1893 e 1910, construiu vários trechos da Viação Férrea: Santa Maria–Passo Fundo, Dilermando de Aguiar– Cacequi, Cacequi– Alegrete, São Gabriel– São Sebastião e Cacequi– Livramento.
Nas cidades do Estado onde trabalhou, procurou criar, auxiliar e animar as instituições de caridade. Os hospitais de São Gabriel, Santana do Livramento e Cruz Alta foram por ele sempre socorridos generosamente, o que garantiu sua existência e desenvolvimento. Em Santa Maria, muitas associações, de quaisquer naturezas, receberam a benéfica proteção de Antonio Alves Ramos.
O Orfanato S. Vicente de Paulo, o Asilo Padre Caetano e, especialmente, o Patronato Agrícola Antonio Alves Ramos, obra quase exclusiva sua, foram provas disso. Nessa última importante obra social para assistência e formação de menores carentes da cidade, inaugurada em 1929, Ramos despendeu, generosamente, 130 contos de réis para compra da área de 75 hectares – transmitida diretamente aos Padres Palotinos –, para as edificações e manutenção, que foi continuada por sua viúva.

Na inauguração do Patronato, em 17.3.1929, Padre Alfredo Pozzer,
 Etelvina e Antonio Alves Ramos e Padre Caetano. Foto de Bortolo Achutti.

Diario do Interior, 26.3.1931 - p.4
Anos depois, cessou a finalidade assistencial para a qual o Patronato Antonio Alves Ramos fora criado, e o nome do magnânimo benfeitor foi relegado ao esquecimento, permanecendo apenas na denominação de uma escola ali existente.
No primeiro aniversário da morte do patrono, em 27.3.1931, sua herma foi inaugurada, no pátio do Patronato. Foi executada em bronze por artista da empresa do escultor alemão Jacob Aloys Friedrichs, de Porto Alegre, uma das mais importantes produtoras da estatuária e decoração predial e cemiterial. Após a morte da viúva, foi afixado no pedestal um medalhão de bronze com sua imagem.
O monumento, no jardim frontal da escola, jaz ignorado, sem qualquer inscrição que identifique o magnânimo casal.

Hotel Glória
Antonio e Etelvina costumavam passar parte do inverno no Rio de Janeiro. Hospedavam-se sempre no Hotel Glória, no Bairro Glória, desde sua inauguração, em 15 de agosto de 1922. Obra do arquiteto francês Joseph Gire e do engenheiro alemão Sylvio Riedlinger, para a Exposição Internacional de 1922, foi o mais luxuoso e o primeiro cinco estrelas do país.
Hotel Gloria, no tempo em que confrontava com as águas da
baía, antes do Aterro do Flamengo. Acervo Francisco Patrício.
   Na época da foto na Cascatinha, supostamente nos primeiros anos do Hotel Glória, o casal levou na viagem sua jovem sobrinha Maria Luiza Brenner e sua amiga Aracy de Figueiredo Paz, então campeã do Avenida Tênis Clube. Eram amigas no tênis e também tinham laço de parentesco: Maria Luiza Niederauer, avó de Maria Luiza Brenner, era irmã de Elisabetha Niederauer, avó de Aracy Paz.
   O empresário Eike Batsta comprou o Hotel Glória e iniciou uma total reforma, interrompida há seis anos. Há notícia de que o prédio foi recentemente vendido a um fundo de investimentos de Abu-Dhabi, mas o hotel, de glorioso passado, permanece reduzido a um lamentável estado de ruinoso abandono.

   Cascata
Tela de Nicolas-Antoine Taunay.
   A Cascatinha da Tijuca ou Cascata Taunay, é a de maior altitude do Parque Nacional da Tijuca, e fica a 15 quilômetros do Hotel Glória.
A Cascatinha Taunay tem esse nome porque o pintor francês Nicolas-Antoine Taunay, membro da Missão Francesa, trazida ao Brasil por Dom João VI em 1816, construiu ali sua residência que não mais existe. Taunay imortalizou a Cascatinha em seus quadros e se tornou o grande anfitrião da floresta, recebendo membros da corte que passaram a adquirir terras vizinhas.
Logo a Cascatinha Taunay despertou interesse dos visitantes e dos artistas, tendo sido pintada, desenhada, fotografada e cantada em prosa e verso (Rugendas, Taunay, Marc Ferrez, José de Alencar). Esse último autor escreveu:
Ha cascatas muito mais ricas e abundantes do que essa, não só na grande massa das águas como na vastidão e aspereza dos penhascos. Têm, sem dúvida, aspecto mais soberbo e majestoso, inspiram n'alma pensamentos mais graves e sublimes. A Cascatinha da Tijuca, porém, prima pela graça; não é esplêndida, é mimosa; em vez de pompa selvagem respira uma certa gentileza de moça elegante; bem se vê que não é filha do deserto; está a duas horas da Corte, recebe frequentemente diplomatas, estrangeiros ilustres e a melhor sociedade do Rio de janeiro.

   A poética descrição de Alencar, escrita no século XIX, ainda era válida na época da visita de Antonio Alves Ramos e seu grupo à Cascatinha. A Floresta da Tijuca é uma importante área de lazer, com trilhas e espaços próprios para a prática de esportes com ciclismo, corrida e montanhismo, onde a Cascata Taunay é uma das principais atrações.
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Fontes:
Arquivo pessoal
Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria - Hemeroteca: jornal Diario do Interior.
ALENCAR, José de. Sonhos d’ouro. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1951.
BRENNER, José Antonio. Antonio Alves Ramos e Etevina Hoffmeister Brenner (ensaio para um biografia), 2002 n.p.
http://www.parquedatijuca.com.br/#atracao?id=23Alexandre Justino
https://www.flickr.com/photos/carioca_da_gema/274680342

domingo, 22 de maio de 2016

Otto Brinckmann – 190 anos

O dia 21 de maio de 2016 assinalou os 190 anos do nascimento de Otto Brinckmann, um alemão que adotou Santa Maria como sua terra definitiva, onde teve atuação marcante e deixou expressiva descendência.
    Carl Ferdinand Otto Brinckmann nasceu em 21.5.1826, em local não identificado da atual Alemanha, filho de August Brinckmann e Margaretha Brinckmann.
    Veio ao Brasil em 1851, com 25 anos de idade, um jovem Capitão de Artilharia contratado com os cerca de 2.000 militares do exército prussiano, pelo Governo Imperial Brasileiro para a Guerra contra Rosas e Oribe. Esses militares formaram a Legião Alemã de 1851 e ficaram conhecidos, no Brasil, pelo apelido Brummer.
   Não conhecemos a naturalidade de Otto Brinckmann. Os integrantes do exército prussiano, que atuara na recente e frustrante guerra de Schleswig e Holstein, eram naturais de vários estados da atual Alemanha. Em 1850, o Reino da Prússia tinha grande extensão territorial, desde as atuais Polônia e República Checa, a leste, até a região do Reno, a oeste.
    A viagem
Carl Ferdinand Otto Brinckmann
Imagem digitalizada a partir de foto publicada na
Revista do Centenario de Santa Maria, em 1914.
Brinckmann atravessou o oceano a bordo do navio Heinrich, que partiu de Hamburgo, em 22.6.1851, e chegou ao Rio de Janeiro, em 24 de agosto. Na viagem, o Capitão Brinckmann estava no comando de um efetivo de 156 homens da 4ª Bateria de Artilharia.
   Dos 10 navios que transportaram os Brummer ao Brasil, entre maio e julho de 1851, o Heinrich foi o sétimo e o único em que houve motim. O plano era matar os oficiais e seguir para Buenos Aires, onde venderiam o navio a Rosas e se apresentariam para o serviço militar.
  Em alto-mar, os amotinados arrombaram a despensa, se embebedaram e voltaram ao convés, onde o líder, Kaspar Rübel, tentou golpear o Capitão Brinckmann com um machado. Felizmente, estando embriagado, foi detido a tempo por dois cabos, e o motim acabou.
   O contrato assinado em Hamburgo, em 29.3.1851, pelo Capitão de Artilharia Otto Brinckmann e mais 54 outros oficiais os obrigava a servir por quatro anos, ficando ao livre arbítrio do Governo Imperial licenciá-los após dois anos. Ser-lhes-iam então concedidas 62.500 braças quadradas (30,25 hectares) de terras férteis em qualquer das províncias do Império, principalmente nas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ou passagem para a Europa e uma importância em dinheiro.
    Para o Sul
   Depois de aquartelada na Praia Vermelha, no Rio, a Artilharia Brummer foi enviada ao Sul. Em fins de novembro de 1851, parte dessa tropa, sob o comando do Capitão Brinckmann, foi embarcada em Rio Grande com destino a Montevidéu, já sob o domínio do exército brasileiro. Em 30 daquele mês, chegaram à Colônia de Sacramento. Agentes de Rosas procuravam seduzir os Brummer a desertarem para Buenos Aires, na outra margem do Rio da Prata. Dois tenentes artilheiros fugiram e ofereceram seus serviços a Rosas. Suspeitos de envolvimento, o comandante Cap. Jahn foi preso, e o subcomandante Cap. Brinckmann afastado das funções. O inquérito mostrou que ambos eram inocentes, e os capitães foram reconduzidos aos seus cargos.
Legião Alemã de 1851 - Artilheiros com o clássico capacete com ponta e guarnições
metálicas, o Pickelhaube, usado pelo exército prussiano. Imagem extraída de LEMOS,
Juvencio S. Brummers a Legião Alemã contratada pelo Império Brasileiro em 1851.

    A Artilharia Brummer não participou da Batalha de Monte Caseros, que derrotou Rosas, em 3.2.1852, junto a Buenos Aires. Apenas atuaram os Brummer da infantaria, armados com fuzis Dreyse, pela primeira vez usados no Brasil.
   Em 13 de março, os artilheiros embarcaram em Montevidéu com destino a Rio Grande. No comando estava o Major Emílio Mallet auxiliado pelos capitães Brinckmann e Jahn. O regimento ficou mais de um ano em Rio Grande, quando houve deserções e atos de indisciplina. Em meados de 1853 foi enviado a Rio Pardo onde, em 1855, expiraram os contratos, quando o Capitão Otto Brinckmann foi licenciado. Segundo Albert Schmid, foi assim "extinto o 2º Regimento de Artilharia de Estrangeiros, sem ter prestado o menor serviço de guerra para o qual foi contratado.”[1]
    Santa Maria
    Otto Brinckmann seguiu para Santa Maria, onde, supostamente em 1855, casou com Maria Basília Garcia da Rosa, nascida em São Borja.  Estabeleceu-se como agrimensor, sendo o autor de uma das mais antigas plantas do traçado urbano de Santa Maria, em 1861. Como oficial de Artilharia, tinha formação em topografia, ciência necessária à precisão na posição e orientação dos canhões para atingir os alvos. Entre muitos trabalhos, realizou  o levantamento da fazenda Filipinhos, mais tarde (1931) adquirida por Walter Jobim, e das terras de João Frederico Niederauer, na Soteia, em 1882, com a legenda:
Mappa
da medição para legitimação de uma
posse em campo e matto pertencente a
João Niederauer sita no passo da arêa
municipio de  Santa Maria  levantado
pelo  agrimensor  Otto  Brinckmann
Assinatura no Mappa de medição

  Otto Brinckmann teve posição destacada em Santa Maria, principalmente na comunidade germânica, de expressiva atividade no comércio, na indústria e em instituições santa-marienses, em meados do século XIX. Em 8.4.1866, foi um dos fundadores da Deutsche Evangelische Gemeinde (Comunidade Evangélica Alemã) de Santa Maria da qual foi presidente, em 1873, quando foi construído o templo. Otto e sua esposa foram testemunhas no casamento de Wilhelm Fischer, primeiro presidente daquela Comunidade, celebrado pelo Pastor Klein, em 22.11.1868. 
   Em 28 de outubro de 1866, em sua residência, reuniram-se 18 alemães e descendentes para fundarem o Deutscher Hilfsverein de Santa Maria, do qual Brinckmann foi o primeiro presidente. Era uma sociedade beneficente que, após mudanças nas denominações e nos objetivos, é hoje a Sociedade Concórdia Caça e Pesca-SOCEPE, uma das mais antigas do Estado que, em outubro vindouro, completará 150 anos.
   Otto Brinckmann construíra sua casa na Rua do Comércio, num terreno com 18 metros de frente, que se estendia até a Rua Venâncio Aires. No local hoje está o Edifício Block, nº 1058, na segunda quadra da Rua Doutor Bozano. No final do século XIX, funcionava em parte da casa, ou no prédio ao lado, nº 66, a oficina tipográfica de O Combatente, jornal de Candido Brinckmann, filho de Otto. Os últimos moradores do foram os membros da família do Dr. Lamartine Souza, neto de Otto. O Dr. Lamartine tinha ali sua residência e seu consultório médico. Em parte do casarão, havia também a residência de Cândido Souza, irmão de Lamartine.
Lápide no túmulo de Brinckmann

   Otto Brinckmann faleceu em 4 de janeiro de 1903, em Santa Maria, de síncope cardíaca, com 76 anos de idade. Foi sepultado no Cemitério Evangélico Alemão, desapropriado durante a 2ª Guerra e incluído no Cemitério Municipal de Santa Maria.
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Fontes:
Arquivo pessoal.
LEMOS, Juvencio Saldanha. Brummers-A Legião Alemã contratada pelo Império Brasileiro em 1851. Porto Alegre: Edigal, 2015.
LEMMERS-DANFORTH, Fedor von. Índole da Legião alemã de 1851 a serviço do Império do Brasil. Separata do Boletim do Centro Rio-Grandense de Estudos Históricos, v. 3, 1941. Rio Grande.
 Pesquisa de João Alberto Licht Teixeira.
[1] SCHMID, Albert. Os Rezingões. Apud LEMOS, Juvencio S. Brummers, 1915.

sábado, 23 de abril de 2016

AACMEC - Um ano

   A Associação dos Amigos da Casa de Memória Edmundo Cardoso-AACMEC completa um ano de atividades neste domingo, dia 24.
Confraternização após a assembleia de fundação, em 24.4.2015. Da esq.: Gilda May Cardoso Santos, Therezinhe de Jesus Pires Santos, Serafina Abreu, Jovana de Oliveira, Greta Simões, José Antonio Brenner, Clara Kurtz, Fernanda Kieling Pedrazzi, Glaucia Konrad, Daniéle Calil e Carlos Blaya Perez.

   Foi fundada em 24 de abril de 2015, por um grupo de 21 pessoas que se reuniram na sala principal da Casa de Memória, a convite de sua coordenação. No dia 11 de maio, em nova reunião, elegeram a diretoria da AACMEC, identificada abaixo, na relação dos associados efetivos e fundadores:
Fernanda Kieling Pedrazzi - Presidente
Clara Marli Scherer Kurtz – Vice-presid.
Greta Dotto Simões – 1ª Secr.
Jovana Souza de Oliveira – 2ª Secr.
Célia Regina Deboni Blaya – 1ª Tesour.
Gladis Borim – 2ª Tesour.
Gilda May Cardoso Santos – Repr. CMEC
Serafina de Araujo Abreu – Cons. Fiscal
Carlos Edison Domingues – Cons. Fiscal
Maria Fátima V. Marques – Cons.  Fiscal
Maria Candida da Silveira Skrebsky – Supl.
Guido Cechella Isaia – Supl.
Glaucia Vieira Ramos Konrad – Supl.
Therezinha de Jesus Pires Santos
Luiz Fernando Caminha dos Santos
José Antonio Brenner de Brenner
Daniéle Xavier Calil
Carlos Blaya Perez
Werner Rempel
Paulo Airton Denardin
Valter Antonio Noal Filho

 Nota: Em outubro, Eliete Camargo (associada nº 22) foi conduzida ao cargo de secretária, substituindo Greta Simões, que se mudou da cidade.

   A “Casa de Memória Edmundo Cardoso” é uma instituição que tem como função primordial a guarda, a conservação e a organização de documentação histórica de origem privada, principalmente referente a Santa Maria e sua região.
Casa de Memória Edmundo Cardoso [foto J.A.Brenner 2011]

Está instalada na Rua Pinheiro Machado n.º 2712, em Santa Maria, em prédio que foi, por quase seis décadas, a residência do criador do acervo, o jornalista, escritor, memorialista, ator e diretor de teatro Edmundo Cardoso. O prédio foi construído em 1911, para residência de Constantino Gomes.
O Diario do Interior noticiou a construção
da casa. Chamavam chalet a edificação com
frontão triangular. Ypiranga era o nome
da atual Rua Pinheiro Machado.

  Após o falecimento de Edmundo Cardoso, em 5.12.2002, sua viúva, Therezinha de Jesus Pires Santos, e sua filha, Gilda May Cardoso Santos, denominaram a instituição “Casa de Memória Edmundo Cardoso” em homenagem ao iniciador e formador do acervo que constitui importante fonte para pesquisas sobre a cidade e a região, disponível à consulta pública.
  O objetivo da AACMEC é mobilizar a comunidade nas ações para suplementar as carências administrativas, técnicas e culturais da Casa de Memória. Promover, prestigiar e divulgar os eventos culturais da CMEC. Projetar melhoramentos do espaço físico, atuar na obtenção de bens documentais para o acervo da CMEC.

  Nesse primeiro ano de atividade, a diretoria da Associação, entre outras ações,
  • Criou a página da AACMEC no Facebook e ativou o e-mail aacasadememoriaedmundocardoso@gmail.com
  • Realizou a inscrição da Associação no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).
  • Obteve o Alvará de Localização.
  • Cadastrou a Associação como Empreendedor Cultural, na Secretaria de Município da Cultura, visando à habilitação aos benefícios da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.
  • Adotou a logomarca criada pelo programador visual Valter Antonio Noal Filho, associado da AACMEC.
    Na criação da marca, os pilares da
    entrada foram adotados como elementos
    identificadores da Casa de Memória.
  • Produziu o impresso promocional da Casa e da Associação, também criado por Valter A. Noal Filho e patrocinado pela Fundação Eny.
  • Elaborou o projeto “Criação do Laboratório de Digitalização da Casa de Memória Edmundo Cardoso: acervo dos jornais O Combatente e O Estado”, aprovado pela Secretaria de Município da Cultura.
  • Realizou a captação de recursos ref. à LIC, obtendo o  valor total.
  • Obteve a aprovação da UFSM para o projeto de extensão “Digitalização da Hemeroteca da Casa de Memória Edmundo Cardoso”, sob coordenação da Prof.ª Fernanda Kieling Pedrazzi, que inclui bolsas aos alunos do Curso de Arquivologia que atuarem no projeto.
   Temos muito que comemorar, neste 1º aniversário das AACMEC, por tantas e importantes realizações, sinalizando outras que virão.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria - 150 anos

No dia 8 de abril de 1866, um expressivo número de imigrantes alemães e descendentes, moradores em Santa Maria e no Pinhal, hoje Itaara, fundou a Deutsche Evangelische Gemeinde, ou seja, a Comunidade Evangélica Alemã, atual Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria.

Antecedentes
Alemães e descendentes começaram a se fixar em Santa Maria, desde 1829, quando chegou à povoação o 28º Batalhão de Caçadores.  Era formado por militares contratados na Alemanha pelo governo imperial, em 1824, para reforçar o exército brasileiro.
Enviados ao Sul a pretexto de lutarem na Guerra Cisplatina, que, entretanto, terminara, foram logo licenciados. Alguns ficaram em Santa Maria, enquanto muitos outros foram à Colônia Alemã de São Leopoldo à procura de terras, o que tornou a povoação santa-mariense conhecida naquela região colonial. Iniciou, então, uma contínua migração de famílias desde as antigas colônias para Santa Maria, mesmo durante a Guerra dos Farrapos (1835-1845), que se tornou mais intensa após o conflito.

Em meados do século XIX, era muito marcante a presença germânica em Santa Maria. Isso levou BELÉM (1933) a escrever que, na época, a localidade parecia “fundada por alemães, em razão dos nomes germânicos que ostentavam as tabuletas e letreiros de todos os estabelecimentos comerciais e oficinas.”
A maioria dos alemães professava a religião evangélica luterana e, durante as mais de três décadas que antecederam a fundação da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria, eles socorreram-se dos ofícios da Igreja Católica para celebrar seus casamentos e batismos. Sua fé cristã e seus costumes os levavam a legitimar suas famílias segundo a tradição religiosa.
Peter Cassel - Tela de H. Calgan 1890
acervo: Casa de Memória Edmundo Cardoso
Em 1860, os alemães luteranos, sob a liderança do alfaiate Peter Cassel, obtiveram do governo provincial uma área de pouco menos de 2.000 m² para instalar o Cemitério Evangélico, que, no início dos anos 1940, foi incorporado ao Cemitério Municipal.
A concessão da área, seis anos antes de os peticionários se organizarem em uma Comunidade, revela a existência, havia algum tempo, de um grupo unido e com iniciativas tendo à frente lideranças atuantes e influentes. 
Mantinham uma casa de reuniões, em local não identificado, que deveria servir como casa de oração e para celebrações, quando, esporadicamente, chegava à localidade algum pastor visitante.
 Um desses pastores foi Erdmann Georg Richard Ernst Wolfram que, durante seu pastorado em Santa Cruz, realizou visitas periódicas para dar assistência espiritual aos evangélicos santa-marienses. Segundo MÜLLER (1986), em uma visita a Santa Maria, em 1853, o Pastor Wolfram participou de uma tentativa de fundação da Comunidade. Embora não tenha se efetivado, a intenção revela ações nesse sentido.
Fundação
Pastor Borchard celebrou
o culto no dia da fundação
Em 1866, havia em Santa Maria um grande número de alemães e descendentes, conseqüente da contínua migração, desde as antigas colônias, iniciada 35 anos antes, e de imigrantes chegados diretamente à vila. Na fundação da Comunidade Evangélica, uniram-se os alemães luteranos da vila santa-mariense e um pequeno número da colônia alemã do Pinhal (Itaara), assentada nove anos antes. Segundo o Pastor KOPP (1914), havia 105 sócios na data da fundação da Comunidade. Referia-se aos sócios contribuintes, na maioria chefes de família, o que permite supor um total próximo de 400 pessoas, número relevante quando viviam menos de 6.000 habitantes em todo o Município.
O dia da fundação, 8.4.1866, era domingo, e o culto foi celebrado, na casa de reuniões da Comunidade, pelo Pastor Dr. Georg Hermann Borchard, pároco de São Leopoldo. Enviado ao Brasil pelo Conselho Superior Eclesiástico de Berlim, em 1864, o Pastor Borchard era a maior autoridade da Igreja Evangélica no sul do país.

Documento fundamental
Em pesquisa no Arquivo Histórico do RGS, em Porto Alegre, em 1996, encontramos o registro da ata de eleição do Pastor Hugo Alexander Klein. Esse registro é a prova documental irrefutável da data de fundação, também afirmada por KOPP (1914).
Wilhelm Fischer, o famoso boticário
alemão, foi o 1º Presidente
Trata-se de documento único, de importância fundamental para a história da Comunidade, tendo em vista a destruição, durante a Segunda Guerra Mundial, de toda a documentação da fundação e das sete décadas seguintes. Conhecida na cidade como a “igreja dos alemães”, o templo e a casa pastoral foram atacados, em 19 de agosto de 1942, em decorrência dos movimentos antigermânicos. Toda a documentação registral referente a batismos, confirmações, casamentos e óbitos, a biblioteca e outros documentos foram queimados na via pública. Foi assim cometido um crime contra a memória local, transformando em cinzas 76 anos de história.
A ata de eleição do Pastor Klein revela a primeira diretoria da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria, quando cita que aquele “diploma vai  assinado  pelo  Presidente  e  os  mais  Mesarios.  Santa  Maria,  8  de  Abril  de  1866. – Guilherme Fischer, Presidente – Theodoro Poettcke, Secretario – Heinrich Eggers – Philipp  Schirmer – Abraham Cassel –  João Heinrich Drustz.” (na verdade Druck)
1º sinete da Comunidade e assinatura
do Pastor Klein, no certificado de Con-
firmação de Peter Falkenberg, em 14.4.1867
Mesário era o membro da mesa ou seja, da diretoria de uma associação. Se para a eleição do Pastor já existia a mesa, citando presidente, secretário e demais dirigentes, é porque essa diretoria já fora eleita, certamente na primeira parte da mesma assembléia.
A ata foi transcrita na Secretaria do Governo da Província, em Porto Alegre, com o fim específico de obter o registro do Pastor. Atendia, assim, a Lei no 1.144 de 1861, regulamentada pelo Decreto do Imperador D. Pedro II, no 3069, de 17.4.1863, que dispunha sobre o registro civil dos não-católicos. Estabelecia as condições para que “pastores das religiões toleradas” pudessem praticar seus ofícios religiosos, “susceptíveis de produzir efeitos civis.”
A citada ata é também valiosa porque revela os principais líderes, na época da fundação, conduzidos à direção da Comunidade. 
Desde a esquerda: Philipp Jacob Schirmer e Abraham Cassel, diretores. Johann Heinrich Druck, tesoureiro.
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Fontes:
Arquivo pessoal.
BELÉM, João. História do Município de Santa Maria. Porto Alegre: Selbach, 1933.
BRENNER, José Antonio. “Os Primórdios da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria”. Revista do Inst. Histórico e Geográfico de S.Maria. Nº 6, 1999.
KOPP, Paul Friedrich. “Chronica da Parochia Evangelica Allemã de Santa Maria”. Revista Commemorativa do Centenario de Santa Maria, em 1914
MÜLLER, Armindo L. “O começo da Igreja Evangelica no Vale do Rio Pardo”. Simpósio de História da Igreja. São Leopoldo: Rotermund S.A./Editora Sinodal, 1986.