sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Philipp Jacob Schirmer – 207 anos


Philipp Jacob Schirmer
Este dia 11 de agosto de 2017 marca os 207 anos do nascimento de Philipp Jacob Schirmer. Ele era o pai de Maria Dorothea que casou com Peter Brenner – meus bisavós paternos. Portanto Philipp Jacob Schirmer é meu trisavô paterno, como também o é do nosso ex-prefeito Cezar Augusto Schirmer.
Quando escrevi sobre ele, em Os primórdios da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria, há 18 anos, informei que ele nascera em 1810, na cidade de Kalternnordheim, no Reino da Saxônia.
O ano fora deduzido da idade declarada por Philipp quando, aos 19 anos, casou em Campo Bom, em 17.10.1829. O local fora obtido no registro de casamento, onde consta, na tradução:
Maria Catharina Böbion Schirmer
Livro I 1824-1844
Philipp Jacob Schirmer e Maria Catharina Bebian (na verdade, Böbion)
Noivo: o solteiro Philipp Jacob Schirmer, de Kaltennörding, 19 anos, evangélico. Filho legítimo de Georg Schirmer, de Kaltennördig, na Saxônia, e Catharina Elisabeth, nasc. Heinz.
Não sendo identificada Kaltennörding ou Kaltennördig, houve a suposição de que o local fosse Kaltennordheim, cidade no Reino da Saxônia, atualmente Turíngia.
Essa cidade foi, porém, o local de origem do pai de Philipp.

O nascimento de Philipp Jacob Schirmer
Datas e locais certos
Há dois anos, Heinz-Walter Burckhardt, natural de Waldlaubersheim e residente em Frei-Laubersheim, 18 km ao sul, realizou pesquisa de inestimável valor, obtendo o registro de nascimento de Philipp Jacob
Heinz-Walter Burckhardt
Schirmer e o registro de casamento de seus pais. Esses valiosos documentos revelaram nomes, datas e locais.

Os registros foram escritos em francês porque desde a invasão das tropas revolucionárias francesas, em 1794, os territórios germânicos a oeste do Reno foram dominados pela França, notadamente após o ano seguinte, quando, pelo 1º Tratado de Basileia (Basel), o Reino da Prússia reconheceu esse domínio.
Georg Schirmer, natural de Kaltennordheim, migrou para a região do Hunsrück, 200 km ao sudoeste, e estabeleceu-se na pequena Waldlaubersheim. Nessa localidade, o jovem tecelão de 23 anos casou, em 12 de novembro de 1809, com Catharina Elisabetha Heinz, 22 anos, ali nascida.

Trecho inicial do registro de casamento de Georg Schirmer
 com Catharina Elisabetha Heinz.

Tradução: No ano de 1809, dia 12 de novembro, às 10 horas da manhã, perante nós, Joseph Dheil, prefeito de Windesheim, oficial do estado civil da Prefeitura de Windesheim, Cantão Stromberg, Departamento do Reno e Mosel, compareceram George Schirmer, 23 anos, filho menor de Jean Gaspard Schirmer e Catherine Madeleine Flockin, tecelão, natural de Kaltennordheim, na Alemanha, domiciliado em Waldlaubersheim, o pai e a mãe concordam com este casamento que resulta do ato devidamente emitido pelo ministro de Kaltennordheim, em 18 de setembro último e revisado pelo encarregado de negócios franceses em Frankfurt, em 19 de outubro último, e Catherine Elisabete Heinz, solteira, 22 anos, filha maior do agricultor Gaspard Heinz e de Jeannette Heinz, sua esposa, de Waldlaubersheim, ali residente.

O sobrenome da mãe deveria ser Flocke. Flockin é a feminização do nome, como era costume, algumas vezes, na época, conforme encontrei em documentos de outras famílias. O sobrenome Flocke existe atualmente na região e em várias outras da Alemanha.
O registro cita Georg como filho menor e sua noiva como filha maior porque o Código Civil francês de 1804 (artigo 488) estabelecia a maioridade civil aos 25 anos para os homens e aos 21 anos para as mulheres. 
Philipp Jacob foi o primeiro filho do casal, nascido em 11 de agosto de 1810.
Georg Schirmer percorreu os 3 km até a Prefeitura de Windesheim, à qual Waldlaubersheim deveria estar subordinada, e registrou seu primogênito sete horas após o nascimento.


Tradução: No ano de mil oitocentos e dez, a onze de agosto, às duas horas da tarde, perante nós, Joseph Dheil, prefeito e oficial do estado civil da Prefeitura de Windesheim, Cantão de Stromberg, Departamento do Reno e Mosel, compareceu George Schirmer, tecelão domiciliado em Waldlaubersheim, o qual nos apresentou uma criança do sexo masculino, nascida hoje, às sete horas da manhã, dele declarante e de Catherine Elisabete Heinz, sua esposa, e ao qual ele declarou querer dar os prenomes de Philippe Jáques, as ditas declaração e apresentação feitas em presença de Conrad Offenberger, agricultor, com idade de quarenta e um anos, domiciliado em Windesheim, e Philippe Steger, agricultor, com idade de vinte e cinco anos, domiciliado em Waldlaubersheim, e o pai e as testemunhas assinaram conosco o presente registro, depois de feita a leitura.
Mapa da região, onde estão destacasdas liocalidades citadas.

Os franceses consolidaram sua ocupação, organizando a região em Départments e impondo seu sistema administrativo. Os registros de nascimento e de casamentos eram escritos na língua dos invasores, e até mesmo os nomes de batismos dos contraentes e das crianças registradas eram vertidos para o francês.
Assim, os nomes dos pais de Georg Schirmer foram escritos Jean Gaspard e Catherine Madeleine, quando deveriam ser Johann Caspar e Catharina Magdalena. O nome da noiva, escrito Catherine Elisabete, seria Catharina Elisabetha, e os de seus pais, escritos Gaspard e Jeannette, seriam, na verdade, Caspar e Johannetta.
Assinaturas de Caspar Schirmer e de Caspar Heintz

O filho de Georg Schirmer foi registrado Philippe Jaques, quando, certamente na Martinskirche, ele foi batizado Philipp Jacob, nome que usou por toda a vida.
Podemos supor que os casamentos, batismos e confirmações da família Schirmer foram celebrados na Martinskirche, a Igreja de Martin, em Waldlaubersheim. Ela foi construída por volta de 1190, e data dessa época a torre em estilo românico que, em 1500, recebeu a cobertura em gótico tardio, com quatro minitorres nos cantos.
O órgão ali existente foi fabricado, em 1742, pelo famoso Johann Michael Stumm, cuja família produziu mais de 370, dos quais ainda existem 140, considerados como jóias musicais e históricas.
Imigração
A família imigrante Schirmer chegou à Colônia Alemã de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil, em 14.2.1827. Eram Georg Schirmer, sua esposa Katharina Elisabetha e os filhos Philipp Jacob, Kaspar, Jacob e Jacob Adam
Estabeleceram-se no lote colonial nº 207, em Campo Bom, onde, dois anos depois, Philipp Jacob casou com Maria Katharina Böbion, natural de Niederlixweiler/Sarre.
Em 1857, Philipp Jacob Schirmer, com a esposa, filhos, genros, nora e netos – um grupo familiar de 18 pessoas – mudaram para Santa Maria. Estabeleceram-se junto ao Rio Vacacaí-Mirim, em uma grande área adquirida por Philipp com cerca de 260 hectares, da qual o atual sub-bairro Vila Schirmer é uma parte.

Philipp Jacob Schirmer foi personagem de destaque em Santa Maria, especialmente no âmbito da etnia alemã. Em 8.4.1866, ele foi fundador e membro da primeira diretoria da Deutsche Evangelische Gemeinde, a Comunidade Evangélica alemã de Santa Maria. no mesmo ano, em 28 de outubro, ele foi membro da diretoria de fundadores do Deutscher Hilfsverein, a Sociedade Beneficente Alemã que, depois de várias transformações, é hoje a Sociedade Concórdia Caça e Pesca, a mais antiga associação da cidade e uma das mais antigas do Estado.

Philipp Jacob Schirmer faleceu com 70 anos de idade, em Santa Maria, onde viveu por 24 anos, gerando extensa e importante descendência, e onde suas atividades geraram frutos nos setores comunitário, associativo, assistencial e social, que se estendem até a atualidade.
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Fontes:
  • Arquivo pessoal
  • BRENNER, José Antonio. Os primórdios da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Maria, nº 6, 1999.
  • Pesquisas de Heinz-Walter Burckhardt, Waldlaubersheim, Alemanha.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Avenida Tênis Clube - Santa Maria -100 anos

Este dia 18 de julho de 2017 marca o centenário do Avenida Tênis Clube, fundado por um grupo de moças santa-marienses, várias delas recém-saídas do internato em colégios de Porto Alegre.
Em uma reunião das jovens amigas, em janeiro de 1917, no palacete residencial do médico Astrogildo de Azevedo, intendente municipal e pai de uma delas, Aracy Pinto de Azevedo, elas planejavam sobre o que fazer na pequena Santa Maria de cerca de 15.000 habitantes. Haviam terminado os estudos e não mais voltariam aos colégios da capital.
Foi então que uma das jovens, Stellita Mariense de Campos, teve uma ideia que foi aceita com entusiasmo: Construir uma quadra de tênis, pois esse esporte era praticado por mulheres e a quadra era um espaço de convívio social com os rapazes.
Durante o tempo de internato, no Colégio Bom Conselho, em Porto Alegre, havia passeios periódicos, pelo bairro Moinhos de Ventos, austeramente guiados pelas irmãs. Elas lembravam de terem visto, então, quadras de tênis, em algumas residências, onde jovens de ambos os sexos jogavam alegremente. Além disso, houvera em Santa Maria o Lawn-Tennis Club, com quadra na Av. Rio Branco, de curta duração, fundado por engenheiros e dirigentes da Viação Férrea.
As jovens obtiveram o empréstimo de dois terrenos contíguos, na Av. Rio Branco, para a construção da quadra. Um deles pertencia ao eng. Gustave Clarles Vauthier, diretor da Viação Férrea, e o outro ao eng. Eduardo Sabóia, empreiteiro da ferrovia. Talvez fosse o mesmo local da quadra do extinto Lawn-Tennis Club. Elas compraram a rede, raquetes e bolas que haviam pertencido a esse clube, então existentes no armazém da Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea, guardadas por seu gerente, Manoel Ribas.
No palacete Dr. Astrogildo foi realizada a reunião de fundação e todas as demais do A.T.C., até 1920.  Projeto do arquiteto Theodor Wiederspahn, o prédio hoje abriga o Museu da UFSM, na Rua do Acampamento. É um dos mais valiosos bens do patrimônio edificado de Santa Maria.  foto: Venancio Schleiniger, 1913.

A fundação e as fundadoras
No dia 18 de julho de 1917, uma quarta-feira, talvez à tarde, na mesma residência, foi eleita a primeira diretoria da então denominada Sociedade Sportiva Avenida Tennis Club: presidente: Stellita Mariense de Campos, vice-presidente: Aracy Pinto de Azevedo; 1ª secretária: Docelina de Arruda Gomes, 2ª secretária: Dorvalina Gomes da Costa, tesoureira: Odette Appel Lenz. Estavam também presentes Georgina Brenner, Maria Becker Pinto e Violeta de Arruda Gomes. Na sessão seguinte, seis dias depois, em 24 de julho, estava presente Zilda Morsbach Haeffner. A ata dessa sessão não a cita como uma nova sócia, então devemos incluí-la no grupo de nove fundadoras que tinham entre 15 e 18 anos, no mês da reunião primordial, quando a construção da quadra foi decidida.
Esse número pode ser revisto, em razão de um texto escrito por Aracy Azevedo. Referindo-se às despesas com a compra da rede, raquetes e bolas, que ocorreu antes da assembleia, ela diz ter contado “com a solidariedade das colegas de ontem no Colégio Bom Conselho: Violeta e Docelina Gomes, Dorvalina Costa, Georgina Brenner, Abrilina Pinto de Araújo, Iracema, Innocencia e Inah Simões Pires, Maria Oliveira, Aracy Paz, Emilia Pereira etc.” As três primeiras já citadas como fundadoras, mas se essas últimas sete jovens participaram do pagamento da rede etc. não seriam também fundadoras? E quem seriam as outras mais referidas por Aracy como “etc.”?

As fundadoras e suas idades em janeiro de 1917
Aracy Pinto de Azevedo – 17 anos. Nasceu em Santa Maria, em 15 de julho de 1899, filha do Dr. Astrogildo Cesar de Azevedo e Aura Pinto de Azevedo.
Seu pai era médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Liderou a fundação do Hospital de Caridade, inaugurado em 1903, e o dirigiu por 24 anos. Na época da fundação do Avenida Tênis Clube, ele era o chefe político do Partido Republicano e fora eleito Intendente Municipal, em agosto de 1916.
Aracy Pinto de Azevedo
Aracy estudou como interna no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Porto Alegre, até dezembro de 1916.
Embora tenha assumido a liderança nos primeiros passos do clube, e a primeira assembléia tenha se realizado em sua casa, Aracy foi eleita vice-presidente, na primeira diretoria. Segundo a história oral, ela quis dar a primazia da presidência à autora da ideia.
Em 16.9.1918, Aracy foi eleita presidente do Avenida Tênis Clube e, em  1º de maio de 1920, foi-lhe concedido, conforme a ata, “um título honorífico pelos esforços empregados desde a fundação do club”, definido depois como Presidente Honorária.
Em 22 de janeiro de 1931, ela casou com Frederico Guilherme Klumb, então 1º tenente do Exército, passando a chamar-se Aracy de Azevedo Klumb. Aracy faleceu em Santa Maria, em 18.5.1987, com 87 anos, deixando extensa e importante descendência.

Stellita Mariense de Campos – 17 anos. Nasceu em 6 de setembro de 1899, em Santa Maria, onde sua mãe se encontrava.
Filha de Antero Mariense de Campos e de Lourença Pereira de Campos (Sinhá), fazendeiros em Estrella, município de Júlio de Castilhos, então chamado Villa Rica.
Foi também interna no Colégio Bom Conselho,cujo curso concluiu junto com Aracy.
Stellita em tela de Eduardo Trevisan
Em 1º.10.1919, Stellita casou com o advogado J. Ignacio Silveira de Campos, com 25 anos, nascido em Porto Alegre e Intendente Municipal de Júlio de Castilhos. O ato religioso foi celebrado na Catedral, pelo Padre Caetano Pagliuca, tendo Aracy Azevedo como madrinha. O ato civil foi realizado na residência da noiva, na Rua Coronel Niederauer, 139, em Santa Maria. Após o casamento, o casal seguiu para Júlio de Castilhos, afastando-se, assim, Stellita do A.T.C.
Foi a primeira presidente do Avenida Tênis Clube.

Docelina de Arruda Gomes – 16 anos. Nasceu em Santa Maria, em 8 de março de 1900, filha de Jeronymo da Costa Gomes e Brígida de Arruda Gomes. O pai era coronel comandante da Brigada de Cavalaria da Guarda Nacional, em Santa Maria, criada em agosto do 1915. Fora o anterior Intendente e era co-proprietário da filial local da Livraria do Globo.
Docelina de Arruda Gomes
Docelina estudou no Bom Conselho, como interna, junto com Aracy e Stellita.
Foi a secretária da primeira diretoria.
Casou com José Xavier da Rocha. Faleceu em Santa Maria, em 8.9.1992, com 92 anos. Naquele ano, em sua homenagem, como única fundadora viva, foi instituída a Copa Docelina, que de tornou importante evento internacional de tênis.

Violeta de Arruda Gomes – 18 anos. Nasceu em Santa Maria, em 16 de outubro de 1898. Era irmã de Docelina. Também foi aluna interna no Colégio Bom Conselho.
Casou com Waldemar Moreira, fiscal da Fazenda Nacional. Seu filho Luiz Pompílio Gomes da Rocha Moreira, general do exército.
  
Georgina Pereira Brenner – 16 anos. Nasceu em Santa Maria, em 20 de agosto de1900, filha do comerciante Julio Brenner e de Brisabel Pereira Brenner.
Em 5.6.1919, casou com o advogado Mario Gomes de Oliveira Guimarães, nascido em 9.8.1892, em Belmonte, no litoral da Bahia. Ele exercia o cargo de promotor público, em Santa Maria, e foi aclamado orador oficial do Avenida Tênis Clube, na assembleia de 26.9.1917. O casamento foi celebrado na residência dos pais da noiva, na Rua Ipiranga, hoje Av. Presidente Vargas, citada no jornal da época como o palacete de Julio Brenner.

Odette Appel Lenz – 18 anos. Nasceu em Santa Maria, em 20 de fevereiro de 1898, filha de João
Odette Appel Lenz
Lenz, comerciante, e Lydia Appel Lenz.
Neta de Johann Peter Lenz, alemão, e Carlota Lenz; e de Antonio Appel, alemão, e Carlota Appel.
João Lenz era vice-intendente na gestão do Dr. Astrogildo de Azevedo (1917-18).
Odette era a tesoureira da primeira diretoria e foi eleita presidente do A.T.C., em 14.3.1920, sucedendo Aracy Azevedo.

Dorvalina Gomes da Costa – 18 anos. Nasceu em Tupanciretã, em 5 de junho de 1898, filha de Júlio Marques da Costa e Rita Gomes da Costa.
Era a segunda secretária da primeira diretoria.
Em 7.3.1925, casou com o comerciante Ernesto Antão Teixeira, nascido em Porto Alegre, em 17.1.1894.  O casamento foi celebrado na residência da noiva, na Rua Floriano Peixoto, nº. 68.

Maria Becker Pinto ~14 ou 15 anos.
Nasceu em Santa Maria, em 19 de maio em 1901 ou 1902, filha do médico Nicolau Becker Pinto e Docelina Weinmann Pinto. Era neta do Dr. Pantaleão José Pinto, primeiro santa-mariense que se formou em Medicina, e de Anna Maria Becker Pinto. Casou, em cerca de 1928, com o economista carioca Henrique Aranha Lowndes e mudou-se para o Rio de Janeiro.

Zilda Morsbach Haeffner – 18 anos. Nasceu em Santa Maria, em 20 de novembro de 1898, filha de Aristides Gabriel Haeffner e Augusta Morsbach Haeffner.
Casou, em 15.12.1923, com Olívio Kroeff, comerciante de 47 anos, filho de Miguel Kroeff e Anna Kroeff. Zilda Haeffner Kroeff  faleceu em Santa Maria, em 18.6.1978, com 79 anos.

A Falsa data

O primeiro registro documental do clube é a ata da assembleia de 18 de julho de 1917, quando foi eleita a primeira diretoria. Antes disso, houve ações já citadas, mas nenhuma assembleia de fundação. Nem mesmo na redação da ata de 18 de julho, as jovens e inexperientes fundadoras registraram que estavam fundando um clube, mas esse registro deve ser reconhecido como o de fundação do Avenida Tênis Clube.
Durante cerca de oito décadas, o clube festejou seu aniversário referido a 7 de setembro de 1916, mas isso se deve a uma confusão provocada pelas dirigentes dos primeiros tempos e a outros fatos.  Elas comemoravam a inauguração da quadra de tênis como sendo o aniversário do clube.
Nada ocorreu em 1916, quando várias fundadoras ainda estavam no internato, em colégios de Porto Alegre, e somente em dezembro daquele ano, terminados os estudos, voltariam a Santa Maria. Alguns indícios me causavam dúvidas sobre a falsa data até que na festa do falso 85º aniversário, em setembro de 2001, Marina Klumb Dalasta, fiha de Aracy de Azevedo Klumb me disse que sua “mãe não poderia ter fundado o tênis em 1916, pois era aluna interna no Colégio Bom Conselho, em Porto Alegre.”
Minhas dúvidas se tornaram então certeza, e iniciei uma cuidadosa pesquisa para reunir provas a respeito.

A data verdadeira 

2004 na sede do ATC - Apresentação de José Antonio Brenner ref. à data da fundação.

A diretoria do presidente Renato Junker Machado acolheu o resultado de minha pesquisa e sugestão de que fosse reconhecida como data de fundação a da primeira assembleia, em 18.7.1917.
Em 2004, na comemoração dos 87 anos do A.T.C., perante cerca de 500 associados, fiz a apresentação com irrefutável documentação provando que todas as ações para a criação do clube ocorreram em 2017.

Locais da sede e desenvolvimento
A primeira quadra de tênis do Avenida Tênis Clube foi construída na Avenida Rio Branco localização que foi escolhida para denominação do clube.
Depois, em 1920, teve duas quadras na Praça da República. Três anos depois, em 1923, inaugurou sua melhor sede até então, na Praça do Mercado, atual Saturnino de Brito, com três quadras e pavilhão social. Em 1930, transferiu-se novamente para a Praça da República, na área hoje ocupada pelo Corpo de Bombeiros. Durante 27 anos, o A.T.C. ficou naquele local, com muitas glórias, a mais importante conquistada por sua atleta Carmen Paz, com três títulos nacionais: campeã brasileira por equipe e bicampeã brasileira individual de tênis, em 1950 e 1953.
Em 25.4.1920, o clube inaugurou sua nova instalação na Praça da República, onde teve duas quadras e permaneceu por três anos e oito meses. Em 15.12.1923, inaugurou nova sede, na Praça do Mercado, atual Saturnino de Brito, com três quadras e seu primeiro pavilhão social. Sete anos depois, em 1930, voltou à Praça da República

Imagem CNES 2017/Airbus Digital/Globe Landsat -- Digitalização/correçoes: J.A.Brenner
Área total 32.088 m² - 1. Salão nobre - 2. Salão/administração - 3. Salão multiuso -
4. Academia - 5. Área verde - 6. Quadras cobertas - 7. Judô - 8. Parque aquático - 9. Saunas - 10. Piscinas térmicas - 11. Restaurante - 12. Dep. Tradições Gaúchas - 13. Futebol sete -
14. Estacionamentos

Durante os anos de 1957 e 58 transferiu-se para o local onde se encontra, em área doada pelo Município, onde o A.T.C. começou seu desenvolvimento em âmbito social e esportivo que se tornou notável após a aquisição da nova área, do outro lado da avenida, em 1986, na gestão do presidente Roberto Bisogno. A prestação de serviços aos associados foi consideravelmente ampliada, com a do Centro Poliesportivo, com piscina térmica semiolímpica e novas saunas, construído na gestão do presidente Leomyr de Castro Girondi (2009-2013). Isso possibilitou, depois de 45 anos, a reorganização da equipe de natação que, nos anos 1960-1970, tantos títulos conquistou.

A sociedade santa-mariense e os ateceanos, com muito orgulho, devem comemorar o centenário do A.T.C., de tanta importância no contexto histórico da cidade e do estado, ao longo de sua rica existência de valiosos fatos, feitos, personagens e conquistas. Um clube que começou há 100 anos com uma quadra de tênis, na Avenida Rio Branco, e hoje, entre vários outros setores sociais e esportivos, conta com 12 quadras, em outra avenida, que deveria receber a denominação de Avenida Tênis Clube.

domingo, 14 de maio de 2017

Quatro homenageados do A.T.C. em 1934



Diário do Interior,  sexta-feira, 16.2.1934, p.2.
Na sessão de diretoria do Avenida Tênis Clube, em 8 de dezembro de 1933, o tesoureiro, Ernesto Lang, propôs que fosse inaugurado, na sede do clube, um quadro com as fotografias dos associados João Appel Lenz, Carlos Lang, João da Costa Ribeiro e Alcides Roth, "em homenagem aos relevantes serviços daqueles consócios." 
João Appel Lenz, então presidente, estava em licença para tratamento de saúde, desde fins do mês anterior, e João da Costa Ribeiro, presidente em exercício, afastou-se da sessão. Assim, esses dois dirigentes ficaram ausentes da sessão que aprovou a homenagem.
O quadro, com cerca de 70 por 90 cm, foi produzido na Casa Herrmann, com fotos do famoso fotógrafo Venancio Schleiniger. Essa loja, no ramo de perfumes, instrumentos cirúrgicos e fotografias, ficava na Primeira Quadra da Rua do Comércio, onde hoje está a Ótica Gaiger, no Calçadão Salvador Isaia, nº 1293. O quadro ficou em exposição na vitrine da Casa Herrmann até 18 de fevereiro de 1934, domingo.

Inauguração
Na noite de 3 de março de 1934, sábado, num ambiente de muita alegria, realizou-se a festa do A.T.C., para eleição e posse de nova diretoria, homenagem ao prefeito Edler e inauguração do quadro dos quatro ateceanos homenageados.
Às 23 horas, uma comissão composta do presidente João Appel Lenz e das jovens Norma Seibel, rainha do A.T.C., e Lucia Izaguirre introduziu, sob aplausos, o prefeito municipal,  João Antonio Edler, no salão social da sede.
A seguir, a diretoria propôs e a assembleia aprovou a concessão do título de Sócio Benemérito ao prefeito Edler, por ter deferido o pedido referente à cessão de mais uma área ao A.T.C. e por ter documentado a regularização da permanência do clube na Praça da República.
Foi então proposta a eleição da nova diretoria por aclamação, com o que concordou a assembleia. Foram aclamados: Presidente – Dr. João Geiger Bonuma; vice – Dr. Lamartine Souza; 1º secretário – Alcyr Pimentel; 2ª secretária – Lucia Izaguirre; 1º tesoureiro – Athos Lenz; 2ª tesoureira – Amelia Pereira; diretor esportivo – Carlos Lang; Conselho fiscal – Ennio Brenner, Ernesto Lang e João da Costa Ribeiro.
Deixando a presidência, o Dr. João Appel Lenz convidou os novos membros da diretoria a tomarem posse em seus cargos, o que foi feito sob uma salva de palmas.
O Dr. João Bonuma agradeceu a indicação de seu nome para presidente do A.T.C. e prometeu tudo fazer em prol do tênis.
À meia-noite, foi inaugurado o quadro com as fotografias dos quatro destacados ateceanos João Appel Lenz, Carlos Lang, João da Costa Ribeiro e Alcides Roth.
Carlos Lang agradeceu, em nome dos homenageados, a significativa prova de apreço dos seus consócios.
Seguiu-se um animado baile que terminou na madrugada de domngo.
 
No sentido horário, João da Costa Ribeiro, Alcides Roth, Carlos Lang e João Appel Lenz.
O quadro dos quatro homenageados não mais existe. A imagem acima é uma fotomontagem, baseada na memória e em foto do álbum da família (abaixo). Foram usadas fotografias dos acervos fotográficos das famílias dos homenageados e de uma publicação na revista A.T.C.
Assim como aconteceu com as placas denominativas das três quadras de tênis, na Praça da República, o quadro foi descartado e a homenagem desfeita, após a mudança da sede para o atual local, em 1958. Na foto abaixo, de 1941, vê-se, ao fundo, o citado quadro, na parede do antigo pavilhão social, na Praça da República. Vê-se também o quadro com a foto da coroação da segunda rainha do A.T.C, Amélia Pereira, em 28.7.1934. Esses dois quadros, mais o da primeira rainha, Norma Seibel e o da campeã brasileira, Carmen Paz, inaugurado em 7.9.1950, também foram descartados.
No pavilhão social do Avenida Tênis Clube, na Praça da República, em 1941. Ao fundo, o quadro dos quatro homenegeados. À frente, três jovens atletas do A.T.C.: Carmen Brenner Paz, Zilah de Almeida Cercal-- ambas com 18 anos -- e Arthur Brenner Paz, com 20 anos.

Os homenageados
João Appel Lenz (Guta)
João Appel Lenz, em 18.10.1931.
Nasceu em Santa Maria, em 28 de julho de 1896, e foi batizado em 6 de março de 1897. Era filho do comerciante João Lenz e Lydia Appel Lenz. Seu pai era chamado de Jango, então o filho, também João, começou a ser chamado Janguta, depois reduzido para Guta. Jangote e Janguta eram antigos diminutivos de Jango.
Esse apelido de tal forma incorporou-se a João Appel Lenz, que ele foi assim chamado, carinhosamente, por toda a vida.
Em fins de 1917, formou-se em odontologia, em Porto Alegre. No ano seguinte, associou-se ao A.T.C. onde começou a se destacar como tenista.
Formou, com João Luiz Roth, irmão de Alcides Roth, a dupla para o jogo da abertura da temporada em 1.6.1919, na quadra da Av. Rio Branco. Em 1.5.1920 foi eleito diretor de mês.
Primeiro homem presidente do ATC, eleito em 13.3.1921, Guta Lenz sucedeu sua irmã Odette. Nessa data foi eleita a 1ª diretoria mista do clube, antes dirigido só por mulheres, nos cargos pricipais.
Até a data da homenagem, ele fora eleito presidente cinco vezes (1921, 1926, 1929, 1933 e 1934). Posteriormente, foi presidente em 1949.
O jornal A.T.C., na edição de 25.2.1934 homenageou o ex-presidente, na seção Galeria do A.T.C.:
No campo da administração, em cargos vários, em quase todas as diretorias, assim como empunhando a raquete, o Guta tem sabido honrar a confiança que lhe tem sido dispensada por todos os ateceanos, tornando-se, sem favor, um dos maiores fatores do progresso do nosso clube.

Em 1969, quando presidente do A.T.C., tive a honra de propor e conceder-lhe, com aprovação do Conselho Deliberativo, o título de Sócio Benemérito do clube.

Carlos Oscar Lang
Nascido em São Leopoldo, em 6.7.1901, aos 18 anos mudou-se para Santa Maria.
Carlos Lang tinha 20 anos quando se associou ao Avenida Tênis Clube. Foi proposto por Iracema Brack e admitido na sessão de diretoria, em 26.7.1921, realizada na residência de Elma Brenner, vice-presidente exercendo a presidência.
Iniciou a vida profissional como viajante comercial e, em 1927, estabeleceu-se como comerciante. Tinha
Carlos Lang, juiz  nos jogos de inau-
guração da sede do Brasil Tênis Clube, 
em São Gabriel, em  23.4.1933.
26 anos quando participou da fundação da Casa Lang Ferragens Ltda., da qual se tornou titular. A importante empresa ficava na Primeira Quadra da Rua Doutor Bozano, no prédio onde hoje está a Loja Colombo.
Até a data da homenagem, Lang havia exercido vários cargos na diretoria: 1º secretário (1929), diretor esportivo (1925 e 1928), vice-presidente (1930) e presidente (1931).

O jornal A.T.C., o homenageia, na edição de 26.5.1934:
É da guarda-velha. Na hora “H” ele sempre foi encontrado a postos. Como jogador, ataca com impetuosidade e defende com energia. Ficamos admirados da facilidade com que ele locomove aquela massa formidável de cento e tantos quilogramas. E se têm inveja dele.
Quando sobe à cadeira de juiz, hay que verlo! A turma sente logo que “há juízes em Berlim.” (Referência à disputa entre um humilde moleiro de Sans-Souci e o rei da Prússia, Friedrich II - séc. XVIII).

João da Costa Ribeiro
Nascido em Cruz Alta, era gerente do Banco da Província, em Santa Maria e, posteriormente, foi diretor desse Banco, por muitos anos, em Porto Alegre.
Associou-se ao A.T.C. entre julho de 1922 e março de 1923 (um período de quase oito meses sem
João da Costa Ribeiro, em 1934.
atas), quando o clube estava na Praça do Mercado, atual Saturnino de Brito. Em 15.3.1923, foi eleito tesoureiro, cargo para o qual foi reeleito nas duas diretorias seguintes.  Em 1927 foi eleito presidente e foi diretor esportivo em quatro gestões (19
26, 1929, 1930, 1931 e 1932). No ano da homenagem, João da Costa Ribeiro era vice-presidente.
O jornal A.T.C., na edição de 28.4.1934, prestou-lhe homenagem:
Declara que "o Avenida Tênis Clube deve-lhe muito", acrescentando que desde seu ingresso, manifestou "acendrado interesse pelos assuntos vitais da sociedade, colaborando intensa e proficuamente pela sua manutenção e desenvolvimento, quer com elemento esportivo, quer como dirigente ou social." O texto conclui ressaltando o continuado entusiasmo de Costa Ribeiro, que o mantinha "em seu lugar de destaque na vida do clube, lídimo exemplo de tenacidade e devotamento que deve ser imitado."

Alcides Roth
Nasceu em Santa Maria, em 27 de janeiro de 1899, no então distrito do Pinhal, hoje município de Itaara, filho de Friedrich Roth, natural de Brücken/Alemanha e de Catharina Luise Albrecht, natural de Campo Bom.
Aos 19 anos, em 27.11.1918, inaugurou a Casa Roth, na Primeira Quadra da Rua do Comércio, onde hoje está o Edif. Bechara Abaide, nº 1318 da Rua Doutor Bozano, cujo térreo é parte da Casa Eny Feminina. Mais tarde, mudou a loja para o prédio em frente, hoje Galerias Roth.

Proposto por Lamartine Souza, Alcides Roth foi admitido sócio do A.T.C., na sessão de diretoria de
Alcides Roth, em 18.10.1931.
7.10.1929.
Foi eleito presidente do clube, em 18.3.1932.
No Diario do Interior, edição de 3.4.1932 , o cronista do tênis que assinava Drive, comemorou a eleição de Alcides Roth, por sua reconhecida qualidade administrativa.
Foi empossado em sessão de 17 de abril de 1932, domingo, no pavilhão social. O ato da posse foi seguido de reunião dançante, com música produzida por uma vitrola Orthophonic Victor, o primeiro fonógrafo movido a eletricidade. O aparelho foi cedido pelo presidente, que já o vendia em sua Casa Roth, pelo menos desde 1927.
Em sua gestão, as quadras de tênis foram reformadas, e o salão foi ampliado em cerca de 15 m². Para obter os necessários recursos financeiros, foi realizado um festival beneficente, no Cine Independência, em 11.5.1932.
Nos dias 19 e 20  de junho de 1932, Alcides Roth descobriu a presença, em Santa Maria, de Bruno Schuetz, do Tênis Clube Walhalla, campeão porto-alegrense de tênis, e campeão individual de tênis do Estado, de 1930 a 1943.
Segundo o cronista Drive, o presidente do A.T.C. promoveu,
uma lindíssima partida de tênis, num único set, entre o citado raquetista e o nosso vice-campeão Ennio Brenner. A pegada foi belíssima, finalizando com o resultado de 7x5, favorável ao campeão da Metrópole. Ennio atuou como nunca, jogou assombrosamente. Perdeu, sim, mas não desmereceu as gloriosas tradições do seu clube. A sua derrota ao enfrentar um adversário das possibilidades técnicas de Bruno Schuetz, acusando a contagem dos pontos a diferença mínima, é uma prova de que o nosso vice-campeão não é “sopa”. Os nossos parabéns ao jovem Ennio e ao Avenida.

Na gestão de Alcides Roth, durante a tarde esportiva de domingo, em 10.7.1932, foi homenageado o ex-presidente e sócio benemérito Eng. João Baptista Leggerini, dando o nome de “Pelouse Dr. Leggerini” a uma das quadras de tênis.  Finalizando o programa, houve um chá-dançante na sede, cujos melhoramentos foram festivamente inaugurados na ocasião.
______________________________________
Fontes:
Acervos fotográficos de José Antonio Brenner, José Augusto Roth, Maria de Lourdes Lang e Miriam Berao.
Arquivo pessoal
Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria – Hemeroteca
Diário do Interior, 3.4.1932 – domingo - p. 2
Diário do Interior, 22.6.1932 – quarta-feira – p. 4
Diário do Interior, 16.2.1934 – sexta-feira – p. 2
Diário do Interior, 6.3.1934 – terça-feira - p. 4
A.T.C.- Orgão do Avenida Tennis Club, edições de 25.2.2934, 28 de abril de 1934 e 26.5.1934.
Livro nº 1 de Atas do Avenida Tênis Clube..
Carlos Oscar Lang, um homem que nasceu e morreu como autêntico comandante.. In: Álbum do 1º Centenário de Santa Maria. Santa Maria, Livraria do Globo, 1958.


sábado, 15 de abril de 2017

Certidão de Confirmação de Peter Falkenberg

   No dia 14 de abril deste ano de 2017, completou 150 anos o mais antigo documento conhecido da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria, que fora fundada um ano antes, em 8 de abril de 1866, com a denominação de Deutsche Evangelische Gemeinde in Santa Maria da Boca do Monte – Comunidade Evangélica Alemã.
   Por ser conhecida na cidade como a “igreja dos alemães”, foi cruelmente atacada durante os movimentos antigermânicos, na época de 2ª Guerra Mundial. Em 19.8.1942, o templo e a casa paroquial foram depredados, e tudo o que continham – móveis, livros, registros, documentos – foram queimados na via pública. Foi transformado em cinzas o acervo documental referente a 76 anos de história.

Confirmations-Schein = Certidão de Confirmação
Por isso, torna-se importante a Certidão de Confirmação de Peter Falkenberg.


Confirmations-Schein
Psalm 112, 1,2

Wohl dem, der den Herrn fürchtet, der große Lust hat zu
seinen Geboten. Der Same wird  gewaltig  sein  auf  Erden,
das  Geschlecht  der  Frommen  wird  gesegnet  sein.
====================== 
Peter  Falkenberg,- ehelicher Sohn von  Johann  Carl  August
Falkenberg  und   Maria  Elisabetha  Ringel ,  –   erblinkte  das
Licht der Welt den 4ten März 1855 auf den  Vier Colonien  des
Munizipiums  São  Leopoldo.  -  Derselbe  ist  in  der  Christlichen
Religion  unterrichtet  und  am  heutigen  Tage  von  versammelten
Gemeinde confirmirt worden auf den heiligen Evangelischen Glauben.
Vla Santa Maria d. B. d. M. den 14ten April 1867.

H. A  Klein.
Evangel. Pastor.

 Tradução
Salmo 112 – 1,2
Feliz aquele que teme ao Senhor, que muito se compraz com
Seus mandamentos. A (sua) semente será poderosa sobre a terra,
a (sua) descendência de devotos será abençoada.
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Peter  Falkenberg, filho legítimo de  Johann  Carl  August
Falkenberg e de  Maria  Elisabetha  Ringel, veio  à luz do
mundo, em 4 de março de 1855, em  Quatro Colônias, no
Município  de  São  Leopoldo.   –   O  mesmo  é  educado
na religião cristã e no dia de hoje, perante a Comunidade
reunida, foi confirmado  na  sagrada  fé  evangélica.
Vila de Santa Maria da Boca do Monte, 14 de abril de 1867.

H. A. Klein
Pastor evangélico
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   O documento original pertence a Vera Falkenberg Boelhower Toniolo, neta de de Peter Falkenberg.

   Peter Falkenberg
Peter Falkenberg aos 36 anos.
   Nasceu em 4.3.1855, em Vier Colonien (Quatro Colônias), uma pequena área colonial alemã então pertencente ao Município de São Leopoldo. Atualmente, o local fica no Município de Campo Bom, 10 quilômetros ao norte do centro da cidade.
   Era filho de Johann Carl August Falkenberg e Maria Elisabetha Riegel (não Ringel, como está no documento). O pai nasceu em Neuruppin, cerca de 70 qiolômetros ao noroeste de Berlim, e veio ao Brasil como soldado para integrar os batalhões de estrangeiros, os chamados “Mercenários do Imperador”, tendo servido no Batalhão de Granadeiros.  Deu baixa, em 1929, e veio para Porto Alegre no veleiro da navegação costeira “Marquês de Viana”. Fixou-se como colono em Quatro Colônias e, em 1847, casou com  Maria Elisabetha Riegel. Ela nasceu em 1819, em Schmidthachenbach /Hunsrück, filha do imigrante Johann Riegel, chegado à Colônia Alemã de São Leopoldo, em 29.12.1825, no segundo ano da imigração.
 
Neuruppin junto ao Lago Ruppiner. Em destaque, as torres do mosteiro dominicano, construído em 1246.
   Peter Falkenberg foi batizado em Vier Colonien. Quando tinha 12 anos de idade, ele foi confirmado em Santa Maria, para onde a família se mudara.
A Confirmação de Peter foi celebrada em 14.4.1867, por Hugo Alexander Klein, primeiro Pastor da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria, fundada no ano anterior, e que ainda não construíra sua igreja. É o mais antigo documento original da Comunidade que eu conheço, conservado por Vera Falkenberg Boelhouwer, neta de Peter Falkenberg.

   Casamento
   Em 5.11.1881, Peter casou com Amália Henriqueta Brenner, tia-avó do autor desta postagem.

Amalia Henriqueta Brenner Falkenberg,
em 1908, pouco antes de falecer.
   O casamento foi celebrado em 5.11.1881, na casa do pai da noiva, Peter Brenner, em suas terras, junto ao Vacacaí-Mirim, atual Bairro Quilômetro Dois. O celebrante foi o Pastor visitante Johann Georg Wittlinger, num período em que a Comunidade de Santa Maria ficou sem pastor por sete anos. O Pastor Wittlinger era da Comunidade de Nova Germânia, hoje Candelária.
Serviram de testemunhas Carlos Cassel e sua esposa Guilhermina Brenner Cassel, e também Henrique Pedro Scherer e sua esposa Anna Francisca.


Peter Fakenberg aos 51 anos.
  
   Peter Falkenberg era curtidor em Santa Maria. O curtume e a residência da família ficavam em frente à Praça Julio de Castilhos, hoje junto à esquina da Avenida N. Sra. das Dores com a Rua Motorista Mariano.
Amália faleceu em 8 de outubro de 1908, em Santa Maria, com 48 anos. Peter, então chamado Pedro, faleceu em 9 de novembro de 1921, com 66 anos.

   O casal gerou grande e importante descendência através dos filhos Pedro Martin, Jorge Albino, Carlos Alfredo, Guilherme, Felipe, Júlia, Carlota, Rodolfo e Josephina.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Coronel Niederauer - 190 anos

Neste 4 de abril de 2017, celebramos os 190 anos do nascimento de João Niederauer Sobrinho – o Coronel Niederauer.
Seus pais Philipp Leonhard Niederauer e Anna Catharina Diehl Niederauer eram imigrantes naturais do Rheinhessen, região do então Grão-Ducado de Hessen-Darmstadt, no atual estado da Renânia-Palatinado. Junto com outros membros da família, haviam chegado à Colônia Alemã de São Leopoldo, em 15.1.1826. Em setembro, integraram a caravana de pioneiros da Colônia Alemã de Três Forquilhas, hoje Itati, 6 quilômetros ao noroeste de Terra de Areia.
Poucos meses depois, ali nasceu o primeiro filho do casal, que foi batizado Johannes, nome de seu padrinho e tio, por isso, na idade adulta passou a ser chamado João Niederauer Sobrinho.
 
Registro de batismo no livro da Comunidade Evangélica de Três Forquilhas.
A terra era fértil e as colheitas foram abundantes, porém, sem escoamento para sua produção agrícola, a família de Philipp Niederauer deixou então Três Forquilhas. Entre 1830-31, estabeleceu-se em Dois Irmãos, onde nasceu Maria Luíza, minha bisavó materna.
Em 1840, o casal com suas três filhas mudaram-se para Santa Maria; Johannes  ficou em São Leopoldo estudando e, depois, em Porto Alegre, trabalhando. Somente em 1844, com 17 anos, ele juntou-se à família, em Santa Maria. A pequena povoação tinha pouco mais que 2 mil habitantes e, desde 1830, atraía famílias de alemães das antigas colônias, numa corrente migratória que não cessou durante a Guerra dos Farrapos (1835-45).
Militar e político
No período antecedente da Guerra contra Oribe e Rosas, Niederauer apresentou-se como voluntário e foi nomeado alferes do 1º Esquadrão do Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional do distrito de Santa Maria. Tinha 23 anos.
Por sua participação naquela guerra, foi condecorado com a Medalha Campanha do Uruguai, em prata, com a efígie do Imperador d. Pedro II, que portava ao retornar, promovido a capitão (foto).
O jovem capitão Niederauer, 25 anos, então casou com sua prima Maria Catharina, em 21.9.1852, na pequena igreja católica situada no mesmo local onde, 70 anos depois, seria erguido um monumento em sua homenagem.
Em 1856, o colégio eleitoral da freguesia o escolheu como um dos eleitores provinciais incumbidos de eleger os deputados provinciais e gerais. O jovem capitão Niederauer, 29 anos, era um cidadão de prestígio em Santa Maria.
Voltou às lides militares, integrando o Exército de Observação (1857-58), estacionado em Alegrete, para vigiar a fronteira com os países platinos. Por essa razão não fez parte da 1ª Câmara Municipal, na instalação do novo município de Santa Maria, em 17.5.1958, emancipado de Cachoeira. 
Em 1860, quando tinha 33 anos, o governo imperial o promoveu a Tenente-Coronel. Foi eleito vereador da 2ª Câmara Municipal a qual presidiu por largos períodos.
Foi o mais votado para a 3ª Câmara Municipal, em 1864, o que lhe assegurava o cargo de presidente do legislativo e o poder executivo do município.
Mas não assumiu, pois, em nova incursão no Uruguai, comandou o 7º Corpo Provisório de Cavalaria, formado por santa-marienses, que tomou parte no cerco de Montevidéu.
Maria Catharina Niederauer aos 30 anos.
Detalhe de foto com seus 6 filhos, em fins de 1865.
Não voltou a Santa Maria, porque eclodira a Guerra da Tríplice Aliança, e o 7º Corpo marchou para o Paraguai sob o comando de Niederauer que, naquela campanha, enriqueceu com páginas de heroismo e bravura a História Militar Brasileira.
Em 18.5.1866, João Niederauer Sobrinho foi promovido a Coronel e nomeado Comandante Superior da Guarda Nacional de Santa Maria.
Reconhecido e admirado por seus superiores, estimado e respeitado por seus comandados, Niederauer recebeu as mais importantes ordens de mérito do Império: a Ordem da Rosa e a Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul.
Medalhas de prata das Campanhas do Uruguai (1852 e 1864). 
Ordem  da Rosa e Imperal Ordem do Cruzeiro do Sul. 

Depois de quatorze combates e duas batalhas, o Coronel Niederauer faleceu, com 41 anos, em 13.12.1868, após as vitórias no Combate de Villeta e na Batalha do Avaí. Foi sepultado no cemitério de Villeta, 50 quilômetros ao sul de Assunção, onde jamais seus restos foram identificados.
Homenagens
Rua
Oito anos depois, em 1876, a Rua Dois de Julho, no centro de Santa Maria foi denominada Rua Coronel Niederauer.
Monumento
Monumento, há mais de quatro anos
sem a coroa de acantos e louros.
Nas comemorações do centenário da Independência, foi inaugurado, em 10.9.1922, o monumento a Niederauer, em bronze e granito, na extremidade sul da Av. Rio Branco, de frente para a Praça Saldanha Marinho. Obra do escultor português Rodolfo Pinto Couto, a herma e os ornatos foram fundidos em Florença.  Os ornatos de bronze foram furtados, ao longo do tempo. Com a colaboração do Gen. Décio Schons, comandante da “Brigada Niederauer” (2009-11), foram produzidas réplicas, em latão fundido, no Arsenal do Exército, em General Câmara.

Em 2012, durante as obras de revitalização da Av. Rio Branco, valiosa realização do Prefeito Cezar Schirmer, o monumento foi elevado para lhe dar o merecido destaque.
Lamentavelmente, foi então furtada a coroa de folhas de acantos (honestidade e pureza) e louros (distinção, glória, vitória), que circunscrevia a inscrição “PÁTRIA, HONRA E VALOR”. O furto ocorreu em dezembro de 2012 e, passados mais de quatro anos, não foi reposta uma réplica do éreo ornato.
O mais antigo e mais valioso monumento público da cidade, em homenagem ao nosso maior herói
militar – o Coronel João Niederauer Sobrinho – permanece vandalizado. Oxalá possamos vê-lo completo, nos 95 anos do monumento, que ocorrerá em 10 de setembro próximo.
Vila Militar
No centenário da morte do herói, em 1968, o Exército prestou-lhe homenagem dando a denominação de Vila Militar Coronel Niederauer ao extenso conjunto residencial militar com cerca de sete hectares, em Santa Maria.
Pórtico da Vila Militar Coronel Niederauer, em Santa Maria.

Denominação e estandarte históricos pela
 Portaria Ministerial nº 164, de 18.3.1992.


Brigada Niederauer
Em 1992, a 6ª Brigada de Infantaria Blindada recebeu a denominação histórica de “Brigada Niederauer” e o respectivo estandarte histórico, resultado do eficiente trabalho do saudoso Cel. Mário José de Menezes, delegado local da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. 


Assim, o Exército prestou a devida homenagem à memória do heroico João Niederauer Sobrinho, personalidade maior da história militar regional.
A 6ª Brigada de Infantaria Blindada valorizou sua identidade, reverenciando dignamente nosso herói de guerra e ilustre cidadão. A denominação histórica é ostentada na fachada do seu quartel, patrimônio arquitetônico e referência marcante na paisagem urbana e na história da cidade, por isso merecedor de conservação e proteção por tombamento.
Quartel-General da 6ª Brigada de Infantaria Blindada - Brigada Niederauer".
O nome do patrono na fachada.


Programa comemorativo
O comandante da “Brigada Niederauer”, General Gionany Carrião de Freitas, programou vários eventos comemorativos, entre as quais, em 5 de abril, uma  solenidade cívica no monumento ao Cel. Niederauer, no centro de Santa Maria; no dia 6 de abril, no Quartel General da Brigada Niederauer, solenidade militar no pátio de formaturas e outras atividades.


A matéria desta postagem foi publicada na edição de hoje, 4.4.2017, no Diário de Santa Maria.