domingo, 16 de dezembro de 2012

Os 185 anos da chegada dos Weber

   A família Weber do meu trisavô paterno chegou à Colônia Alemã de São Leopoldo há 185 anos, no dia 16 de dezembro de 1827. Era composta por Johann Lüdger Weber, padeiro, evangélico, sua esposa, Anna Maria Wittmann, católica, e quatro filhos pequenos.
   Stromberg
   Eram todos naturais da aldeia de Stromberg, no Hunsrück, 10 km a oeste do histórico porto de Bingen sobre o Reno, muito movimentado, desde o tempo dos romanos. Stromberg foi citada pela primeira vez em documento, no ano de 1344, mas teve início muito antes, ao pé do Stromburg, um castelo do século X, demolido pelo Arcebispo de Mainz, em 1116. Foi depois reconstruído, tornando-se a morada do audaz cavaleiro Hans Michael Elias von Obentraut (1574-1625). Hoje transformado em hotel, Stromburg é um dos principais endereços da gastronomia, na Alemanha.
No nordeste da Região do Hunsrück, Stromberg é próxima do porto de Bingen o que reforça a suposição da viagem pelo Reno até Amsterdã, com embarque no veleiro holandês Epaminondas.
   Em Stromberg, ainda hoje uma pequena cidade de 3.200 habitantes, são extraídos a céu aberto os minérios de ferro limonita e goetita. Stromberg e Stromburg têm seus nomes associados ao Guldenbach, um arroio torrentoso (Strom) que se precipita de uma altura de 160 metros num trecho de 8 quilômetros.
Parte de Stromberg, ao pé do Stromburg, um castelo medieval. À direita, a Talstrasse, Rua do Vale, no centro histórico.
   Emigração
   Pode-se imaginar a dramática situação em que Weber se encontrava para arrojar-se à longa, penosa e perigosa viagem, com a esposa em avançado estado de gravidez e três crianças, entre 3 e 5 anos de idade, com destino a um país desconhecido, no outro lado do grande oceano. Inicialmente, em pequeno veleiro pelo Reno, desde o porto fluvial de Bingen até Amsterdã. Depois, cruzando o Atlântico, supostamente no veleiro trimastro holandês Epaminondas (Hunsche & Astolfi 2004), que partiu de Amsterdã, em 7.7.1827, chegando ao Rio 83 dias depois, em 28.9.27. No primeiro mês dessa travessia, nasceu Jakob. Após três meses e meio, a maior parte desse tempo, certamente, alojados na Armação da Praia Grande (hoje Niterói), partiram para o Sul no bergantim costeiro Conceição Imperador, em 12.12.27.
   Imigração
  Quando chegaram à Colônia Alemã de São Leopoldo, em 16 de dezembro de 1827, Johann Lüdger Weber tinha 35 anos, sua esposa Anna Maria Wittmann, 26 anos. E os filhos Johann Ludwig, 5 anos; Andreas, 4; Clara, 3 e Jakob, cerca de cinco meses. Integravam a mais numerosa leva dos primeiros sete anos da imigração alemã, 559 pessoas transportadas em dois barcos costeiros.
  Weber instalou-se como padeiro na então nascente povoação de São Leopoldo, iniciada pelos colonos.  Em 1829, ali nasceu João Weber, o último filho do casal imigrante.
  Johann Lüdger Weber morreu afogado em São Leopoldo, com 39 anos, em 28.1.1832, deixando cinco filhos menores, entre 2 e 9 anos e a jovem viúva Anna Maria, com 30 anos, que dois anos depois casou com o padeiro Georg Haas.
  O nome do genearca foi escrito de forma variada, nos registros católicos em Santa Maria e São Leopoldo, referentes a batismos de seus netos e ao casamento de seu filho Andreas: João Lauderio Weber, João Eleutherio Weber, João Lotarius Weber, tentativas de traduzir o segundo prenome. Em sua única assinatura conhecida ele escreveu Littger em vez de Lüdger. Ambas as formas são encontradas na Alemanha, o que traz dúvida sobre o verdadeiro nome de Weber.
Assinatura na antiga escrita alemã, no registro de casamento em Stromberg, em 5.5.1821. Weber assinou Littger em vez de Lüdger, citado no documento.
Juliana Katharina Bohrer Weber, aos 78 anos, em
casa de seu genro Pedro Balduino Brenner.
    Os irmãos Andreas (André), Jakob e João Weber estabeleceram-se em Santa Maria, em diferentes datas.  André Weber trabalhava como viajante comercial, chamado na colônia de Musterreiter. Viveu em Santa Maria até sua morte, em 8.8.1866, com 42 anos de idade, deixando viúva sua mulher, Catarina Hoehr Weber.
   Jakob Weber, após o falecimento de sua primeira esposa, Joana Bopp, casou, em 19.5.1859, com Juliana Katharina Bohrer, nascida em Lomba Grande, em 30.6.1838, filha do casal de imigrantes Friedrich Bohrer e Anna Maria Engers.
   Logo após o casamento, o casal mudou-se para Santa Maria, onde Jakob estabeleceu-se com selaria. Alguns anos depois, em 1866, Jakob Weber foi um dos fundadores da Comunidade Evangélica Alemã. O casal teve oito filhos: Anna Sofia, Christiana, Alberto, Lindolfo, Elíbio, Carlos, Júlia, Luiz e Maria Paulina. Júlia, chamada Julinha, casou com Pedro Balduíno Brenner, meus avós paternos.
   O irmão mais moço, João Weber, casou em Santa Maria, em 9.9.1858, com Joanna Sophia Niederauer, irmã do heroico Cel. Niederauer.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A.T.C. - Presidentes esquecidos (3)


Mais um ex-presidente do Avenida Tênis Clube, não incluído na galeria de fotos:

   Antonio Rodrigues de Azevedo
Eng. Antonio Rodrigues de Azevedo
   Entre as decisões da reorganização do Exército, iniciada em 1908, estava a construção de novos quartéis. Na década de 1920, a Companhia Construtora de Santos, na época a maior empresa brasileira no ramo, talvez na América do Sul, realizava obras militares em 19 cidades do Estado, inclusive o quartel do 5º Regimento de Artilharia, em Santa Maria. A posição geográfica e a facilidade de transporte ferroviário levaram a empresa a instalar na cidade, no último trimestre de 1921, seu escritório central e residência do engenheiro chefe, no Estado, Antonio Rodrigues de Azevedo.


   No Avenida Tênis Clube  
   Proposto e admitido sócio do Avenida Tênis Clube, na sessão de 3.6.1922, logo conquistou o apreço e a estima do quadro social, por sua capacidade de liderança e experiência administrativa. Nove meses depois, foi eleito presidente do clube, na assembleia geral de 15.3.1923, realizada no Clube Caixeiral.
   Em sua primeira sessão de diretoria, em 22 de abril, foi decidida a mudança para a Praça do Mercado, com a construção de três quadras de tênis e pavilhão social.
   Também ficou decidido instalar uma sede provisória para convívio, reuniões e esportes de salão, em um prédio da Primeira Quadra da Rua do Comércio que, no fim do ano seguinte, seria rebatizada Rua Doutor Bozano. A inauguração ocorreu na tarde de 3 de maio que, à época, era o feriado comemorativo do Descobrimento do Brasil. Muitos sócios compareceram ao ato que se estendeu com jogos de pingue-pongue, xadrez e outros. Essa sede continuou muito movimentada, sendo ali disputado um campeonato de pingue-pongue.
   Em 18 de maio, o presidente Azevedo oficiou ao Intendente Municipal, pedindo que fosse concedida ao A.T.C. “por tempo indeterminado, a área atualmente desocupada e existente na Praça do Mercado, para nela construir os melhoramentos que deseja.” Anexou o projeto com as quadras esportivas e o pavilhão social, elaborado pelo escritório local da Cia. Construtora de Santos.

Desenho com base em descrições e fotos.
   Praça do Mercado era o nome popular de uma área sem qualquer tratamento paisagístico que fora doada ao Município, em 1900, para a construção de um mercado, o que nunca ocorreu. Em 1913, foi oficialmente denominada Praça 15 de Novembro, nome não adotado pela população. Era limitada pelas ruas do Comércio (Dr. Bozano), Duque de Caxias e Cel. Niederauer. A leste limitava com particulares, e somente anos depois foi aberta ali a rua que tomou o nome de Ernesto Marques da Rocha, por coincidência o intendente que concedeu o uso da área ao A.T.C.
   Em agosto, o projeto foi exposto na vitrina da Chapelaria Americana, na Primeira Quadra, atual Calçadão. Para a obtenção dos recursos necessários, foi lançado um plano de empréstimos pelos sócios, por meio de apólices, restituíveis por sorteio, que teve pleno sucesso.

   Inauguração
   Perante grande número de pessoas, a nova sede foi inaugurada, na noite de 15 de dezembro de 1923, sábado, um fato marcante na cidade, então com pouco mais de 15 mil habitantes. O ato inaugural foi seguido de um baile animado pela banda "Choro da Aviação". O Diario do Interior, no dia seguinte, noticiou que “constituiu notável acontecimento no mundo desportivo e social santa-mariense a inauguração solene, ontem realizada, da confortável praça de esportes do Avenida Tênis Clube e do elegante pavilhão destinado à sua sede social, levantado na Praça do Mercado”. Destacou os materiais da construção das quadras, com pedra britada, carvão, areia e terra argilosa.
Trecho de notícia no Diario do Interior. (Arq. Hist. Munic.)

Espirobol
   Na descrição das instalações esportivas, o jornal citou uma quadra de basquete que talvez tenha ficado em projeto, pois, nos anos seguintes, nenhuma atividade desse esporte foi referida em atas ou em notícias.     Croquet, de origem francesa, era um jogo com bolas de madeira, impelidas por um taco, devendo passar sob pequenos arcos, em trajeto predeterminado. Ligado à história do tênis, o croquet era praticado no A.T.C. desde seu início. Espirobol era jogado com uma bola pendurada por uma corda ao topo de um mastro.
   No domingo, foi jogado um torneio com o Bagé Tênis Clube, como parte do programa inaugural, disputando a “Taça Santa Maria” oferecida por Joaquim Junqueira Rocha. Venceu o A.T.C., por 3 a 1.
  Em reconhecimento ao importante trabalho de Antonio Azevedo na presidência do A.T.C., ele foi declarado sócio benemérito e seu nome foi dado à quadra nº 1 do clube.
Sede na Praça do Mercado. À direita, o portão de acesso pela Rua Doutor Bozano
e parte do pavilhão social. (Acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso)
Ao fundo da quadra nº 1,
a placa denominativa:
PELOUSE
DR. AZEVEDO
   Por ocasião da transferência do eng. Antonio Rodrigues de Azevedo para o Rio de Janeiro, uma festa de despedida foi realizada no clube, em 19.3.1924, quando foi instituída a “Taça Dr. Azevedo”.

   Durante muitos anos, o eng. Azevedo continuou vivo na memória do clube. O jornal A.T.C., de 23.12.33 homenageou o ex-presidente, proclamando: “Um dia tudo mudou. Progresso, três pelouses, pavilhão, salão de festas, conforto, jardins, tudo muito chique. [...] Quem fez esse prodígio? Todos sabem. Seu nome está lá no alto de uma pelouse.”
   Não está mais, a denominação da quadra foi mantida no posterior período na Praça da República, mas homenagem e a placa foram indevidamente descartadas nas instalações da Av. Dois de Novembro.

domingo, 11 de novembro de 2012

A.T.C. – Presidentes esquecidos (2)


Na série de artigos sobre ex-presidentes do Avenida Tênis Clube ausentes na galeria de fotos, abordo hoje
   Oswaldo Cordeiro de Farias
   Nascido em Jaguarão, em 16.8.1901, Oswaldo Cordeiro de Farias cursou a Escola Militar do Realengo/RJ, sendo declarado oficial de artilharia, em 1919.
   Participou da conspiração que precedeu o levante armado de julho de 1922 contra o governo federal, dando início às revoltas tenentistas.
   Santa Maria
   Após três meses de prisão, foi transferido para Santa Maria. Como faziam vários oficiais do exército, transferidos para a cidade, o tenente Cordeiro de Farias associou-se ao Avenida Tênis Clube.
   Iniciou sua participação nas diretorias do clube, quando foi eleito orador, em 15.3.1923, na gestão do eng. Antonio Azevedo, gerente da seção estadual da Cia. Construtora de Santos.
   Na assembleia de 12.8.1923, Cordeiro de Farias foi aclamado vice-presidente, no lugar da jovem Dinah Oliveira, impedida de exercer esse cargo, de acordo com os novos estatutos, por ser menor de 21 anos.
   Na ausência do eng. Azevedo, ele foi presidente em exercício por meses, quando atuou intensamente na construção da nova sede, na Praça do Mercado (Saturnino de Brito).
   Na sessão extraordinária de inauguração, em 15.12.1923, coube ao jovem oficial o ato formal de entrega das nova instalações do Avenida Tênis Clube ao quadro social e à cidade.
   Presidente
   Na assembleia de 19.3.24, Cordeiro de Farias, então com 22 anos de idade, foi eleito presidente do Avenida Tênis Clube.
Assinatura em ata do A.T.C. revela que
o nome era escrito com "w".
   Foi no A.T.C. que ele conheceu Avany de Barcellos, com quem casou, anos depois.      Avany era filha do eng. militar Cel. Oscar Barcellos, chefe da comissão de construção de quartéis. A família mudara-se para Santa Maria, em 1921, e em novembro daquele ano, Avany foi citada entre as jovens tenistas que frequentavam as duas quadras do clube, na Praça da República. Oscar Barcellos logo se tornou inspetor geral da Cia. Construtora de Santos, a maior do país, com muitas obras militares no Estado e escritório central em Santa Maria. Essa empresa atuou consideravelmente na construção da nova sede do A.T.C. e, na gestão de Cordeiro de Farias, ela perdoou uma dívida de mais de quatro contos de réis, referente às obras.
   Em agosto de 1924 o presidente Cordeiro ausentara-se por tempo indeterminado e passara o comando do clube ao vice-presidente, o comerciante Joaquim Junqueira Rocha.
No dia 5.10.1924, estando na cidade por poucos dias, foi homenageado pelo clube, com a manifestação de que pudesse logo reassumir a presidência.
Ten. Cordeiro de Farias à
época da Coluna Prestes
   Revolucionário
   Não pôde voltar à presidência do clube, pois naquele mesmo mês Cordeiro de Farias participou do levante tenentista deflagrado em Uruguaiana, exilando-se na Argentina, em novembro.
Logo se juntou aos demais contingentes rebeldes do Estado, reunidos sob a liderança de Luiz Carlos Prestes. Em 1925, os rebeldes gaúchos se juntaram aos remanescentes do levante de julho, em São Paulo, formando a Coluna Prestes, na qual Cordeiro teve atuação relevante, comandando um dos seus quatro destacamentos.

Em 1928, no Rio de Janeiro.
Tempos turbulentos de pré-revolução.
   
   A Coluna Prestes era um forte movimento tenentista contrário ao sistema das oligarquias e ao presidente Arthur Bernardes, lutando para destituí-lo e reformar a ordem social e econômica do país. Após longa marcha por vários estados, terminou em fevereiro de 1927, com vários líderes se exilando na Bolívia, inclusive Cordeiro de Farias. 
   Absolvido, participou de Revolução de 1930 e assumiu importantes cargos na Era Vargas. 
   
   
   
   Interventor
Oswaldo Cordeiro de Farias,
Interventor Federal no R.G.S.
   No Estado Novo, foi nomeado Interventor Federal no R.G.S., em 1938, quando esteve em Santa Maria, na Exposição Estadual daquele ano. Em seu discurso, lembrou a hospitalidade sem limites que aqui recebera, quando jovem tenente, onde conhecera “a companheira que tem sido o ponto de apoio nos dias de derrota e nos dias de sucesso.” Aqui ele vivera “os mais belos dias, sonhando com a Redenção do Brasil.” Citando as amizades aqui estabelecidas, destacou o joalheiro João Péreyron, seu consócio no Avenida Tênis Clube, que lhe garantira a sobrevivência, enviando-lhe recursos financeiros, no desterro boliviano. 
 
Avany de Barcellos Cordeuro de Farias,
quando primeira-dama do Estado.
 Promovido a general de brigada, em 1942, deixou a interventoria gaúcha, no ano seguinte, para se integrar na Força Expedicionária Brasileira, na 2ª Guerra, quando comandou a Artilharia da FEB, na Itália.
   Em 1945, em oposição a Vargas, articulou sua deposição.
Em 1954, foi eleito Governador de Pernambuco.
   Foi Ministro no governo de Castelo Branco, demitindo-se em 1966, por discordar da candidatura de Costa e Silva. Depois, opôs-se ao Ato Institucional nº 5 (AI-5) e defendeu ativamente a distensão política, deixando em seguida a vida pública.
   Oswaldo Cordeiro de Farias teve curto mandato no Avenida Tênis Clube, mas atuou intensamente em sua gestão, como também na anterior, como vice-presidente no exercício da presidência.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A T C – Presidentes esquecidos (1)


Carlos Menna Barreto

Alguns antigos presidentes do Avenida Tênis Clube estão ausentes na galeria de fotografias de ex-presidentes.
Até pouco tempo, faltavam as fotos de duas jovens fundadoras, que presidiram o clube no período inicial em que era comandado por mulheres: Aracy Pinto de Azevedo, segunda presidente, em 1918, e Odette Appel Lenz, 3ª presidente, em 1920. Mas essas faltas já foram corrigidas.
Recentemente, verifiquei outras omissões. Supostamente, quando foi iniciada a galeria, há cerca de 30 anos, não foram obtidas as fotos desses presidentes, cujas eleições e gestões estão registradas nas atas.

Dr. Carlos Menna Barreto
Detalhe da foto de um grupo, nos
anos 1930. Acervo Casa de Mem.
Edmundo Cardoso
Entretanto, não foi esse o caso do Dr. Carlos Ribeiro Menna Barreto, que foi presidente em 1936, num período em que nenhuma ata foi registrada, durante um ano e meio .
Embora sem registro no livro de atas, houve uma assembleia para eleição do presidente e do diretor esportivo, em razão das renúncias de João da Costa Ribeiro e Rivadávia Ribeiro, conforme o jornal A Razão, na edição de domingo, dia 11.10.1936.
 A notícia anunciava a instalação de uma copa e um amplo programa, “que fará reviver as páginas inesquecíveis com que o A.T.C. tem brindado os seus associados,” incluindo a disponibilidade de três quadras de tênis. Referia-se, possivelmente, a alguma reconstrução, porque o clube já tinha três quadras, na Praça da República.

Trecho da notícia em A Razão, edição de 11.10.1936.
Acervo Arquivo Histórico Municipal de S.M.
Outro jornal da cidade, o Diario do Interior, também noticiava Menna Barreto como presidente do clube, na edição de 16.10.1936, referente a uma excursão tenística a São Gabriel: “o diretor esportivo, Sr. Ennio Brenner, está organizando a missão, – que será chefiada pelo Dr. Carlos Menna Barreto, presidente do Avenida...”
Outra notícia, no dia seguinte,  ampliava a informação: “A missão, que é composta de 25 pessoas da elite social santa-mariense vai chefiada pelo presidente do A.T.C., Dr. Carlos Menna Barreto, que com esta excursão inicia sua atividade na diretoria do clube da Praça da República. O Sr. Ennio Brenner, diretor esportivo, tomou todas as providências para o completo êxito da excursão.”
 Os excursionistas viajaram nos trechos Santa Maria-Cacequi-São Gabriel, em carro-motor da Viação Férrea, veículo adaptado para trafegar sobre trilhos. 
À frente do carro-motor: 1. Dr. Altino Paz, 2...? 3...? 4. Carlos Lang.
5. Ennio Brenner (de chapéu). À porta do carro, Dr. Severo do Amaral.

Carlos Menna Barreto nasceu em Uruguaiana, em 1897. Ingressou na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, de onde se transferiu, em 1919, junto com outros 16 colegas, para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na qual se formou médico. Tal transferência tornara-se possível, desde 1900, quando fora decretada a equiparação das faculdades.
Casou em Uruguaiana, com Sara Iolanda da Maia, e estabeleceu-se em Santa Maria. Anunciava-se como oculista e especialista em ouvidos, nariz e garganta, com consultório na Rua Floriano Peixoto, 899. Em outubro de 1936, instalou novo consultório junto com a residência, na Rua Venâncio Aires, 1782. Atendia também no Hospital de Caridade.

Instituto Dr. Menna Barreto, na Rua Valle Machado.
Guia Geral do Munic.de S. Maria, 1953.
Acervo Casa de Mem. Edmundo Cardoso
Mais tarde, criou o Instituto Dr. Carlos Menna Barreto, instalado em edifício de três pavimentos, na Rua Valle Machado, considerado um dos mais bem equipados do Estado, onde realizava cirurgias e internava pacientes. Continuava a praticar a medicina de caridade, anunciando: “as pessoas pobres são atendidas gratuitamente, das 8 às 9 horas.”

O Dr. Carlos Menna Barreto faleceu em 5.11.1962, no Hospital São Francisco da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Tinha 65 anos de idade e hospitalizara-se na capital, para tratamento de uma grave doença.

domingo, 5 de agosto de 2012

104 anos da 3ª Divisão de Exército

Gen. Julio Fernandes Barbosa
Comandante de 3ª Brigada Estratégica,
nomeado em 1911.
    Santa Maria tornou-se sede de uma Brigada Estratégica, em decorrência da reorganização do Exército promovida no governo do presidente Affonso Penna, em 1908, pelo Ministro da Guerra, Marechal Hermes da Fonseca. Entre outras medidas, a nova organização determinava a criação de Brigadas Estratégicas, construção de novos quartéis e rearmamento.
    Em 6 de agosto de 1908, o decreto nº 7.054, emanado do Presidente da Republica, criou cinco brigadas estratégicas e três brigadas de cavalaria sob o comando de generais de brigada, subordinados diretamente ao Ministro da Guerra.
    Essa data marca o surgimento da 3ª Brigada Estratégica, com sede em Santa Maria, origem da 3ª Divisão de Exército, que agora completa 104 anos.
O quartel-general da 3ª Brigada Estratégica, na Rua Floriano Peixoto, esq. Cel. Niederauer, inaugurado em 1º.5.1909.
    No ano seguinte, em 5 de março de 1909, foi instalado em Santa Maria, o quartel-general da 3ª Brigada Estratégica, provisoriamete, em um prédio da Rua Venâncio Aires, em frente ao atual edifício dos Correios, onde ficou por menos de dois meses.
    No dia 1º de maio de 1909, sábado, foi festivamente inaugurado o quartel-general da 3ª Brigada Estratégica, em um prédio na esquina sudoeste das ruas Floriano Peixoto e Coronel Niederauer. O jornal A Tribuna o descreveu como “magnífico sobrado”. Comprado nos anos 1950, pelos Irmãos Maristas, foi demolido para a construção do edifício que hoje abriga uma agência do Banco do Brasil.
À direita, o prédio comprado de Theodor Ehlers, em 1907, estava em reforma em 1913-14, para sediar o quartel-general, já mostrando elementos castrenses, na platibanda. Det. de foto de V. Schleiniger - Rev. Centenario S. Maria 1914.
    Em 1914, o quartel-general ainda ocupava o sobrado da Rua Floriano Peixoto, como mostra a fotografia de Venâncio Schleiniger, publicada na Revista Commemorativa do Centenario de Santa Maria, naquele ano.
    Em 05 de agosto de 1907, a Fazenda Nacional, adquirira de Theodoro Ehlers e sua esposa Idalina Kruel Ehlers, por onze contos e duzentos mil réis, uma casa térrea sob  números 185 e 187, na esquina da Rua do Comércio com a Rua da Caturrita, atualmente Rua Dr. Bozano com Av. Borges de Medeiros. A compra incluía um terreno ao leste e dois terrenos ao sul, com frente para a Rua Coronel Niederauer. 
Quarte-General da 3ª DE, com seu aspecto, desde o início dos anos 1920.
[foto J.A.Brenner ago/2012]
    Em 1915, o corpo militar passou a denominar-se 9ª Brigada de Infantaria, em decorrência de nova reorganização do Exército. Nessa época, seu quartel-general foi instalado no antigo casarão da família Ehlers, recentemente reformado para esse uso. No início dos anos 1920, quando se denominava 5ª Brigada de Infantaria, o prédio foi ampliado, recebendo mais um pavimento, com a linguagem arquitetônica atual.

    Outras denominações se sucederam: Infantaria Divisionária da 3ª Divisão de Infantaria (1938), 3ª Divisão de Infantaria (1945) e a atual 3ª Divisão de Exército (1971).
Em 1979, a 3ª DE recebeu a denominação histórica de “Divisão Encouraçada”, por ser considerada a herdeira dos feitos da 3ª Divisão de Infantaria do Exército Imperial, a “Encouraçada”, que combateu gloriosamente na Guerra da Tríplice Aliança.
A 3ª DE conta com um efetivo superior a 15 mil militares, com material blindado
e mecanizado em 44 corpos, concentrando assim o maior poder de combate da Força Terrestre Brasileira.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Primeiros campeonatos do Avenida Tênis Clube


   A recente descoberta de medalha do Avenida Tênis Clube, datada de 1921, motivou a abordagem dos primeiros campeonatos internos do clube. Marco Aurélio Biermann Pinto encontrou, em uma loja virtual de filatelia e numismática, a imagem de uma medalha de prata com as seguintes inscrições:
(frente) – A.T.C. - Santa Maria
(verso) – Avenida Tennis Club - II lugar - 1921

   Após a mudança da Av. Rio Branco para a Praça da República, sob a presidência de Odette Appel Lenz, o clube organizou seu primeiro campeonato interno, em sua única quadra, inaugurada  naquele logradouro, em 25.4.20.
   O segundo campeonato interno iniciou em 15.5.1921, domingo, quando o clube já tinha duas quadras de tênis, e o presidente era João Appel Lenz, irmão de Odette, eleito em no mês anterior.

O jovem médico Lamartine Souza foi o 1º
campeão do ATC, aos 23 anos.
   Participaram 20 tenistas, sendo 11 homens e 9 mulheres. Lamartine Souza, que fora o primeiro campeão, no ano anterior, não participou. Ele jogava desde quando era estudante de Medicina, em 1918, na quadra da Av. Rio Branco.
   O campeonato de 1921 terminou em setembro e foi vencido pelo presidente João Appel Lenz, classificando-se em 2º lugar Adolpho Lima. O campeão, conhecido desde a infância por “Guta”, era um jovem dentista de 25 anos de idade.
   A campeã de 1920, que conquistou novamente o campeonato, em 1921, foi Aracy de Figueiredo Paz. Três décadas depois, sua sobrinha, a ateciana Carmen Brenner Paz, foi bicampeã brasileira de tênis.
João Appel Lenz, o "Guta",
foi o campeão de 1921.

Em 1921, o 2º lugar ficou com Aracy Pinto de Azevedo, fundadora e presidente de honra do Avenida Tênis Clube.
   O campeão e a campeã receberam medalhas de ouro, e os classificados em segundo lugar receberam medalhas de prata.  Desde o mês anterior, as medalhas estiveram expostas na vitrine da joalharia que as produzira, a Casa Péreyron, importante empresa estabelecida na Primeira Quadra da Rua do Comércio, hoje Calçadão da Dr. Bozano. 
   Aracy Paz fora eleita vice-presidente, em 1920, mas renunciara o cargo. Em março de 1921, foi candidata a presidente, na chapa da situação, para suceder Odette Lenz. Essa tentativa de manter o comando feminino, no Avenida Tênis Clube, foi frustrada, pois a candidatura foi retirada e João Appel Lenz foi eleito, tornando-se o primeiro homem na presidência do clube.
Aracy Azevedo
2º lugar em 1921
Aracy Paz foi campeã do ATC
em 1920 e 1921.
   As medalhas foram entregues no dia 2 de outubro, domingo, durante os jogos festivos do 4º aniversário do clube, adiados desde o mês anterior, uma comemoração baseada na data em que sua primeira quadra de tênis fora inaugurada.
   A medalha agora encontrada possivelmente pertencera a Adolpho Lima, que era diretor esportivo do A.T.C. e transferiu-se para Uruguaiana, alguns dias após a comemoração.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Avenida Tênis Clube de Santa Maria – 95 anos


    
O Neste dia 18 de julho de 2012, o Avenida Tênis Clube, importante associação de variadas atividades esportivas e sociais de Santa Maria, completa 95 anos de fundação
    O clube foi fundado por um pequeno grupo de moças santa-marienses, boa parte delas de recente conclusão de seu ciclo colegial, em regime de internato em escolas da capital.
No sobrado do Dr. Astrogildo de Azevedo
foi fundado o ATC. Hoje o prédio abriga o
Museu da UFSM.
A ideia surgiu em uma de suas reuniões, em janeiro de 1917, no palacete do Intendente Municipal Dr. Astrogildo de Azevedo, pai da fundadora Aracy Pinto de Azevedo. O tênis era um esporte que as mulheres praticavam, e a quadra um ambiente de agradável convívio social, entre moças e rapazes. Elas haviam visto isso várias vezes em quadras particulares, no bairro Moinho de Ventos, em P. Alegre, durante passeios do colégio. Além disso, houvera duas iniciativas anteriores de clube de tênis, em Santa Maria, de efêmera duração. A rede, raquetes e bolas que restaram de um deles foram compradas pelas jovens, enquanto elas conseguiam a cessão do terreno para a construção da quadra, na Avenida Rio Branco que, naquele trecho, ainda não tinha sua pista leste concluída. Essa localização inspirou a denominação do clube.
Stellita Campos. Óleo sobre
 tela de Eduardo Trevisan, 1975.
A primeira assembleia, com um pequeno número de fundadoras, ocorreu no citado palacete, em 18 de julho de 1917, e elegeu a primeira diretoria: presidente, Stellita Mariense de Campos, autora da ideia; vice-presidente, Aracy Pinto de Azevedo; 1ª secretária, Docelina de Arruda Gomes; 2ª secretária, Dorvalina Gomes da Costa; tesoureira, Odette Appel Lenz. Estavam presentes Georgina Brenner, Violeta de Arruda Gomes e Maria Becker Pinto. Todas essas e mais Zilda Morsbach Haeffner são as nove jovens que podemos citar como fundadoras do Avenida Tênis Clube, cujas idades variavam de 15 a 18 anos.
Aracy Azevedo liderou,
com Stellita, a criação do
 clube e foi a 2ª presidente.
A quadra, nos terrenos dos engenheiros Gustavo Vauthier e Eduardo Sabóia, era de construção muito simples e rudimentar, sem drenagem nem camada de carvão. Somente a preparação do solo e demarcação com ripas de madeira embutidas no terreno. Os serviços técnicos foram prestados pelo engenheiro da Intendência Municipal, Augusto Wild, o que lhe valeu o título de primeiro sócio benemérito do Avenida Tênis Clube. O acesso à quadra era feito pelo portão do edifício vizinho, o belo palacete no estilo Art Nouveau do arquiteto alemão Theodor Carsten.
As dirigentes do clube convidaram o eng. Teophilo Barreto Vianna, experiente tenista, para ensinar o jogo de tênis a elas e aos rapazes que já haviam se associado.
No domingo de 16 de setembro de 1917, foi inaugurada a quadra do Avenida Tênis Clube, festivamente embandeirada e ao som da banda de música Lyra Popular. Às 14 horas, a madrinha do clube, Aura Pinto de Azevedo, mãe de Aracy, na companhia do padrinho, o comerciante Joaquim Junqueira Rocha, lançou a bola para o primeiro jogo inaugural, entre a presidente Stellita Mariense de Campos e Alberico Valente Ribeiro.
    Ao entardecer, a diretoria e demais tenistas, formando pares e precedidos pela Lyra Popular, subiram em desfile a Av. Rio Branco e se dirigiram ao Clube Caixeiral, então localizado na esquina da Rua Floriano Peixoto com a atual Rua Astrogildo de Azevedo. Ali foi servido um jantar, seguido de reunião dançante que se prolongou até as 21 horas. 

Edifício Art Nouveau de Theodor Carsten. O muro, visto parcialmente à direita,
        fechava o terreno onde foi construída a 1ª quadra do ATC, na Av. Rio Branco.

Violeta Gomes e sua irmã mais jovem,
Docelina, homenageada com seu nome
no torneio "Copa Docelina de Tênis".
A fundadora Odette Appel Lenz
foi a 3ª presidente, em 1920.
Uma tenista do
ATC, em 1922.
Com saias meia-canela e chapéus com abas, as moças jogaram contra os rapazes, em sets curtos, num moderado exercício, no final do inverno. Por isso, após os jogos, todos puderam ir a uma festa de salão.
    A fundação do Avenida Tênis Clube e a inauguração de sua primeira quadra esportiva foram fatos marcantes na pequena Santa Maria de 1917, então com 15 mil habitantes. A quadra tornou-se ambiente de intensa atividade esportiva e social, na Av. Rio Branco, onde ficou até 1920.

Depois de trocar quatro vezes de endereço, o Avenida Tênis Clube, com progressivo desenvolvimento, nesses 95 anos, é hoje uma das mais importantes sociedades do Estado.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ildefonso Brenner – 150 anos


    Meu avô materno nasceu em 13 de junho de 1862, há exatamente 150 anos, primogênito do imigrante alemão Franz Karl Brenner (Carlos, no Brasil) e da santa-mariense Christiana Hofmeister, filha do alemão Mathias Hofmeister.
Tendo nascido no Dia de Santo Antonio, seus pais quiseram chamá-lo de Ildefonso Antonio, como se lê na anotação que o pai Carlos escreveu na folha de rosto de sua Bíblia luterana:
Ildefons Antonio Brenner geboren den 13 Junio 1862: anotação na Bíblia que Franz
Karl Brenner recebera no ato de sua Confirmação, em Ellweiler/Alemanha.

A data é confirmada no assento de batismo feito pelo Padre Antonio Gomes Coelho do Valle, que não registrou o duplo prenome, em 24 de setembro do mesmo ano. Filho de pai luterano e de mãe católica, Ildefonso foi batizado católico, até mesmo porque a Comunidade Evangélica Alemã ainda não fora fundada. Por essa mesma razão, sua mãe, filha de imigrantes luteranos, se vinculara ao catolicismo.
A boa situação financeira de Carlos Brenner, obtida por seu trabalho, permitiu-lhe investir na educação dos filhos. Assim como as famílias luso-brasileiras abastadas, nas províncias, mandavam os filhos estudar no Rio de Janeiro, na “Corte”, Carlos Brenner enviou seu primogênito, o jovem Ildefonso, para completar sua educação na Alemanha. Lá ele permaneceu, durante cerca de quatro anos estudando na famosa Europäischen Moden-Akademie, Academia Européia de Moda, em Dresden. Os alunos aprendiam contabilidade, aritmética, letras, estilística, idiomas etc. e principalmente método de corte e feitio. Passavam por um treinamento técnico e científico para poder assumir mais tarde a liderança de um negócio maior. 


O nome da firma na fachada do sobrado da família, na esquina das atuais
ruas Doutor Bozano e Serafim Vallandro, em foto de 1908.
A estada na antiga pátria de seu pai possibilitou a Ildefonso aprimorar sua cultura e o conhecimento do idioma alemão: ele falava fluentemente o Hochdeutsch e citava Goethe de memória. Era considerado o homem culto da família. Deve ter sido, também, um período muito prazeroso, cujas lembranças o acompanharam por toda a vida. Lembro-me de tê-lo visto, várias vezes, na avançada idade de seus oitenta e poucos anos – eu então um menino de oito a dez anos –, certamente rememorando sua juventude em Dresden, ao benfazejo sol de inverno, que adentrava profundamente a sala, onde hoje é a loja nº 1061 da Rua Doutor Bozano, em sua cadeira de balanço, enquanto entoava baixinho Ein Prosit der Gemütlichkeit, e outras canções alemãs.
Ildefonso Brenner aos 48 anos
Porém Ildefonso nunca exerceu a profissão de seu pai. De volta da Alemanha, possivelmente no final de 1886, ele assumiu a casa comercial e tornou-se forte comerciante, inicialmente como Brenner & Irmão e depois Ildefonso Brenner & Cia., em 1902.
Em 5.2.1888, com 25 anos, foi eleito presidente do Clube Caixeiral Santamariense de cuja fundação não participara, dois anos antes, porque ainda não retornara ao Brasil.
Em 29.9.1887, Ildefonso foi um dos 31 fundadores do Clube Atiradores Santamariense.
Monograma de Ildefonso em medalhão-
estojo produzido por seu sogro,
o ourives Jacob Ludwig Laydner.
Na atividade política, Ildefonso Brenner, com 29 anos, foi eleito, em 6.11.1891, para o primeiro Conselho Municipal do período republicano, que teve duração efêmera, em decorrência do golpe praticado por Deodoro da Fonseca, quando dissolveu o Congresso Nacional. Por não reconhecerem o "governicho", a junta nomeada para governar o Estado, o intendente e todos os membros do Conselho Municipal renunciaram.
Em 1901, participou da primeira diretoria da Associação Protetora do Hospital de Caridade.
Na atividade classista, foi presidente, em 1914, da Praça do Comércio de Santa Maria e, em 1924, quando a entidade denominava-se Associação Comercial de Santa Maria.
Ildefonso tinha quase 40 anos, quando casou, em 7.5.1902, com Lydia Laydner, 12 anos mais jovem, filha do ourives alemão Jacob Ludwig Laydner.
Depois de longa e proveitosa existência, Ildefonso Brenner faleceu, em 10.4.1951, faltando dois meses para completar 89 anos.

sábado, 2 de junho de 2012


Vila Militar Coronel Niederauer
João Niederauer Sobrinho nasceu na Colônia Alemã de Três Forquilhas, hoje Itati, em 4.4.1827, filho de imigrantes alemães. Realizou sua formação escolar no colégio do Prof. Jacob Frey, em São Leopoldo.
Quando adolescente, em 1844, radicou-se em Santa Maria, onde sua família já se estabelecera. Aos 23 anos, ingressou na Guarda Nacional, no posto de alferes, e atuou em várias missões militares: Guerra contra Rosas e Oribe (1851), Divisão Imperial Auxiliadora, no Uruguai (1854), Exército de Observação (1857-58), Campanha do Uruguai (1864) e Guerra do Paraguai (1865). Era Coronel Comandante da 3ª Brigada da 2ª Divisão de Cavalaria e Comandante Superior da Guarda Nacional em Santa Maria. 
Em Santa Maria, atuou com liderança, na vida social e política, tendo exercido interinamente a presidência da Câmara Municipal, por largos períodos, entre 1861 e 1864. Nesse último ano, foi o vereador mais votado, o que lhe garantiria a presidência da Câmara e o poder executivo do município, mandato que não assumiu por ter partido para a guerra da qual não voltou.
O Cel. João Niederauer Sobrinho foi mortalmente ferido, após a Batalha do Avaí, quando percorria o campo da luta, em socorro aos feridos. Faleceu no hospital de campanha em Villeta, Paraguai, em 13 de dezembro de 1868.

A Vila Militar Coronel Niederauer é cercada pelas avenidas Liberdade,
Presidente Vargas e Borges de Medeiros, e pela Rua Ignacio Costa.

Placa denominativa afixada
em marco obeliscal, no
centro da Vila Militar.
No centenário de sua morte, em 1968, o Exército prestou-lhe significativa homenagem. Por iniciativa do General Edson Figueiredo, Comandante da 3ª Divisão de Infantaria, a vila militar de Santa Maria, com área de cerca de 8,5 hectares, existente desde o final da década de 1950, foi denominada Vila Militar Coronel Niederauer.
Essa denominação permaneceu durante quatro décadas de uso interno do Exército, gravada em placa, no canteiro central da Av. Brasil, no interior da vila, mas ignorada pelo público, pois nem mesmo constava na inscrição do pórtico de entrada.
Movida por sua sensibilidade e interesse pelos fatos e personagens de nossa história, a Vereadora Sandra Rebelato ingressou com o Projeto de Lei 7679/2011 para alterar o art. 16 da Lei Complementar 42/2006, acrescentando a denominação “Coronel Niederauer” à Vila Militar. Após a aprovação pela Câmara de Vereadores, a lei foi sancionada pelo Prefeito Cezar Augusto Schirmer, em 5 de janeiro de 2012.
     Para tornar pública a denominação, agora oficializada pela governo municipal, o pórtico de entrada daquele sub-bairro ostenta a inscrição: VILA MILITAR CORONEL NIEDERAUER”.
Pórtico de entrada, na Av. Borges de Medeiros.
Fica assim mais uma vez honrada a memória do maior herói militar da história santa-mariense, quando transcorrem os 185 anos de seu nascimento.

sábado, 26 de maio de 2012

Santa Maria 215 anos


Neste ano de 2012, em que se comemora 154 anos da emancipação política de Santa Maria, que até 1858 era o 4º Distrito de Cachoeira, devemos lembrar que houve muita história anterior, desde o nascimento da povoação, há 215 anos.
Santa Maria nasceu em consequência de ações estratégicas. Foi por causa de uma retirada estratégica da Partida Portuguesa da 2ª Subdivisão da Comissão Demarcadora de Limites entre terras de Portugal e Espanha, em 1797, que se estabeleceu o início do assentamento da povoação.
Em razão do Tratado de Santo Ildefonso 20 anos antes (1777), as comissões de ambos os reinos tratavam de estabelecer as divisas – um trabalho de repetidos conflitos. Em 1797, Portugal e Espanha estavam em estado de guerra não declarada, e foi ordenado ao comandante da Comissão que deixasse a região das Missões e buscasse proteção junto a uma guarda portuguesa.
Em 18 de julho de 1797, o capitão Joaquim Félix da Fonseca, astrônomo e comandante da Partida, comunicou ao comissário espanhol sua retirada do Povo de São João Baptista, hoje no Município de Entre-Ijuís.  Se ele cumpriu as recomendações de seus superiores, a comunicação foi feita após ter descido a Serra de São Martinho e se encontrar sob proteção da Guarda Portuguesa, estabelecida junto ao Arroio dos Ferreiros. Não se sabe, porém, em que dia e mês foi assentado o acampamento que gerou Santa Maria.
Detalhe do mapa de 1800 mostrando a Guarda Portuguesa, a oeste, e o "Acampamento da Expedição" que gerou Santa Maria. Acrescentei cores às edificações e aos cursos d'água para torná-los mais visíveis. 

No topo da coxilha que hoje é o centro de Santa Maria, foram montadas as instalações para abrigar o numeroso grupo de pessoas. Eram oficiais e seus escravos, engenheiro, cirurgião, capelão, técnicos, artífices, soldados, peões e índios. Vários integrantes estavam acompanhados de mulheres e filhos, somando, possivelmente, mais de cem pessoas.
Os barracões para a equipe técnica da Comissão, para alojamento dos soldados e as primitivas habitações foram erguidos junto à área que futuramente se tornaria a praça central da povoação. E a partir dela, alguns ranchos foram se estabelecendo ao longo do divisor de águas, cujo traçado gerou a Rua do Acampamento.
O acampamento instalou-se em área da sesmaria do Padre Ambrósio José de Freitas, no Rincão de Santa Maria, denominação dada pelos jesuítas espanhóis a um local então de povoamento disperso remanescente da antiga redução de S. Cosme e S. Damião, abandonada em 1638. Havia também o Arroio Santa Maria, atual Cadena, o Cerro e o Cerrito de Santa Maria, topônimos pré-existentes que deram nome à cidade. Esses e outros elementos foram representados no mapa elaborado por Francisco Chagas Santos, engenheiro da Comissão, datado de 1800.
A Comissão retirou-se em 1801, mas deu início ao assentamento humano que se desenvolveu como Santa Maria, gerado pela instalação do acampamento. A criação do Município, em 1858, é comparável à maioridade humana, mas seu nascimento ocorrera 61 anos antes, em data, lamentavelmente ainda desconhecida quanto ao mês e ao dia, que possibilitaria comemorar, neste ano de 2012, os 215 anos de fundação de Santa Maria.



sábado, 31 de março de 2012

Monumento Niederauer – Reinauguração frustrada

Época da inauguração: setembro de 1922.

O monumento ao Cel. João Niederauer Sobrinho foi erguido em Santa Maria, em homenagem ao maior herói militar da cidade e região, por iniciativa de Catão Coelho (o 2º na foto à dir.) e empenho da comunidade através de inúmeras contribuições. Obra do escultor português Rodolfo Pinto do Couto, o monumento foi criado, modelado e fundido em Florença.
Em 10 de setembro de 1922, no programa comemorativo do Centenário da Independência, o Monumento Niederauer foi inaugurado, no ponto mais central e de maior evidência da cidade.

Nas últimas décadas, o espaço, deixado ao abandono, foi se degradando, com intensa poluição visual no entorno, o que se acentuou com a proximidade de um camelódromo.
Em 2009, ao abandono, já vandalizado.

No decurso da valiosa e indispensável ação do Prefeito Cezar Schirmer, de retirar das ruas o comércio informal e executar as obras de revitalização da Av. Rio Branco, sugeri que o monumento fosse elevado, para dar-lhe a devida importância e destaque na paisagem urbana, bem como mais proteção contra o vandalismo.
Os ornatos de bronze que guarneciam as molduras do pedestal haviam sido furtados. Graças à valiosa colaboração do Gen. Décio Luís Schons, Comandante da “Brigada Niederauer”, novos ornatos foram fundidos no Arsenal do Exército, em General Câmara.

A reinauguração estava prevista para 4 de abril de 2012, data dos 185 anos do nascimento de Niederauer. Essa era a intenção do Prefeito Cezar Schirmer, num ato incorporado ao programa da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, em homenagem ao seu patrono.
Entretanto, o monumento, que fora desmontado para o erguimento de sua base, foi retirado do local, durante a decoração pública de Natal.
Coroa de acanto e louro. 
Ornatos das molduras furtados.
Lamentavelmente, não foi guardado em segurança. As várias partes do pedestal de granito foram largadas, como trastes quaisquer, numa área aberta de um clube de futebol. A bela coroa de folhas de louro e acanto, em bronze, que envolvia a inscrição “Pátria, honra e valor”, na frente do pedestal, foi furtada. A peça simbólica ficou 90 anos em espaço público, sem ser vandalizada. E a perdemos justamente quando deveria estar mais protegida.

Da coroa de louros restou apenas
a marca deixada no granito.
 Para sua reposição, será preciso modelar uma nova coroa, para depois fundi-la em metal, com base em fotografias e nas medidas tomadas nas marcas deixadas no granito pela peça original.
Não poderemos honrar o bravo e heróico Coronel Niederauer, em ato público, junto ao seu monumento, nos 185 anos de seu nascimento.
Talvez possamos fazê-lo daqui a cinco meses, no dia 10 de setembro, quando se poderá comemorar os 90 anos de inauguração do monumento.