quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Palacete Astrogildo de Azevedo – Um século (2)

(continuação da postagem anterior)

   Alguns detalhes da construção
   O Dr. Astrogildo registrou, em 33 páginas, as despesas com materiais e mão de obra, que somaram 77 contos de réis.
   Há, nesses registros, algumas informações interessantes. A demolição da casa antiga iniciou em 23.10.1912 e foi rápida, terminando em três semanas. Em 1º de novembro, foi obtida a licença da Intendência para a nova construção e, em 16 de novembro, foi assentada a primeira pedra das fundações.
   Quatro meses depois, já estavam erguidas as alvenarias dos dois pavimentos e estava concluída a estrutura do telhado, pois em março de 1913 foram despendidos 15 kg de carne e 50 garrafas de cerveja, certamente para a tradicional festa da cumeeira. A cobertura, em quatro águas, tinha, em cada uma delas, janelas de mansarda, que não mais existem. Foram usadas placas de cimento-amianto, à semelhança de ardósias, o mesmo material adotado, na época, para o quartel do 7º Regimento de Infantaria, o palacete Theodor Carsten, a casa pastoral da Igreja Evangélica Alemã e outras, todas em 1912 e 1913.
Foram compradas 2.160  placas e 160 cumeeiras da marca Eternit, certamente produzidas na fábrica então existente na Bélgica. A cobertura é coroada por um belvedere cercado com gradis, com acesso interno por escadas e alçapão.
Foto em O Estado do Rio Grande do Sul, 1916, com
a legenda: "Elegante palacete da Rua Acampamento". 

   O portão da entrada de carros e demais grades, foram produzidos na fábrica de carruagens de Luiz Vallandro. Os mármores de Carrara foram fornecidos pela famosa marmoraria J. Aloys Friedrich, de Porto Alegre. A pintura interna decorativa, não mais existente, de paredes e tetos, iniciada em agosto de 1913, foi executada por Werner Wunderling, por 2 contos e 800 mil réis. Antonio Marques de Carvalho, professor de desenho, modelagem e pintura, executou as esculturas da porta da porta principal, por 210 mil réis.    Alguns materiais foram comprados em Montevidéu, como a fachadura Yale da porta principal, 30 outras das postas internas, o para-raios e outras peças.

   Obra pronta
   O Diario do Interior, que circulou em Santa Maria de 1911 a 1939, costumava publicar matérias detalhadas sobre edificações novas de alguma importância na cidade, como ocorreu com a obra do Banco da Província, concluída em dezembro de 1912. Em notícia de primeira página, com foto do prédio bancário, o jornal informa que a “planta e construção foram do Rudolph Ahrons, representado aqui pelo arquiteto Henrique Schütz, que dirigiu todo o serviço.”

Porta principal, esculpida por
Antonio de Carvalho.
   Por isso, chama a atenção o fato de o mesmo jornal não dar igual destaque ao imponente palacete, construído no ano seguinte, quase em frente à citada agência bancária. Leve-se em conta, ainda, a importância profissional, política e social do Dr. Astrogildo e o fato de ele e o dono do Diario do Interior serem correligionários.
   Houve apenas uma pequena nota, no citado jornal, em 12.11.13, informando que  “o palacete do Dr. Astrogildo de Azevedo, em construção à Rua do Acampamento, já está recebendo os últimos retoques.”  
   Um mês depois, Dr. Astrogildo e sua esposa D. Aura, com seus três filhos –  Estella, com 17 anos; Aracy, com 14; e Fernando, com 11 anos – passaram a habitar o novo e confortável lar. Isso foi registrado por ele: “Nos mudamos para a casa no dia 12 de dezembro de 1913”, data que marca o centenário do Palacete Astrogildo de Azevedo.

   
    Comemoração

Recital comemorativo, em 28.11.2013. À direita, Antonio Flores e Diego Ferreira de Azevedo.
   Para comemorar a passagem de um século do palacete, um evento foi organizado por Rodrigo de Azevedo Steffens, bisneto do Dr. Astrogildo. No dia 28 de novembro, no salão principal do prédio, apresentaram-se, em recital de saxofone e cordas, Diego Ferreira de Azevedo, trineto do Dr. Astrogildo, e Antonio Flores, perante uma platéia de diversas gerações da família Azevedo, amigos e convidados. Antecedeu o recital uma breve narrativa sobre aspectos históricos e técnicos do palacete, por José Antonio Brenner.
 
   Em alusão aos cem anos do prédio, cem garrafas de vinho Cabernet Sauvignon 2006, foram encomendadas à Cantina Velho Amâncio com rotulagem especial, comemorativa ao acontecimento.
   Assim, uma das mais expressivas edificações do passado santa-mariense, construída quabndo a cidade tinha apenas 15 mil habitantes, segue preservada. E o centenário de sua existência foi devidamente registrado e comemorado.

Fontes:
WEIMER, Günter. Theo Wiederspahn – Arquiteto. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009.
MONTE DOMCQ, Ramón. O Estado do Rio Grande do Sul. Barcelona: Estabelecimento Graphico Thomas, 1916. Acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso.
Revista Commemorativa do Centenario de Santa Maria, Porto Alegre: Officinas Graphicas da Livr. do Globo, 1914.
Album de Santa Maria da Bocca do Monte, Porto Alegre: L. P. Barcellos & C., 1914.
Diario do Interior, Santa Maria, edições de 14.12.1913 e 12.11.1913. Hemeroteca do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria .
Casa de Memória Edmundo Cardoso, Santa Maria, fototeca.
Entrevista com Marina Klumb Dallasta.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Palacete Astrogildo de Azevedo – Um século (1)

Foto de Venancio Schleiniger, publicada na
Revista do Centenario, em 1914.
   No dia 12.12.2013, o Palacete Astrogildo de Azevedo, completou um século de existência. É um dos mais valiosos bens de nosso patrimônio edificado, que abriga, desde 1985, o Museu Educativo da UFSM, na Rua do Acampamento, nº 81.
   No século passado, chamavam de palacete as edificações assobradadas, construídas com algum requinte, até mesmo clubes e agências bancárias. Em Santa Maria, nenhuma outra edificação, originalmente residencial, merece tanto essa denominação quanto o sobrado que o Dr. Astrogildo Cesar de Azevedo mandou construir, para residência de sua família e seu consultório médico.

   O proprietário
   Astrogildo Cesar de Azevedo nasceu em Porto Alegre, em 30.1.1867. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1889, e no ano seguinte, estabeleceu-se como médico, em Santa Maria. Em 18.7.1894, casou com a santa-mariense Aura Becker Pinto, filha do médico Pantaleão José Pinto e neta do imigrante alemão Nicolau Becker. O Dr. Pantaleão foi o primeiro santa-mariense formado em curso superior.
   Em meados da primeira década do século passado, a família do Dr. Astrogildo instalou-se em uma casa da Rua do Acampamento, nº 8, que foi demolida, em 1912 para dar lugar ao palacete.
   Ele liderou as ações para a criação do Hospital de Caridade, inaugurado em 7.9.1903, e o dirigiu, por 43 anos, até seu falecimento, em 1946. No centenário do nascimento de seu criador, a instituição foi denominada Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo.
Dr. Astrogildo, aos 46 anos.
Foto de Venancio Schleiniger
na Revista do Centenario
   Atuou na política santa-mariense, onde foi chefe do Partido Republicano Riograndense.  Aos 24 anos, em 6.11.1891 foi eleito para o primeiro Conselho Municipal da era republicana, mas, 47 dias depois,  renunciou com os demais conselheiros, por não reconhecerem a legitimidade do governo estadual, o “Governicho”.
   Foi vice-intendente, de 1909 a 1912 e, em 1916, foi eleito Intendente Municipal. Tal era seu prestígio, que a oposição não apresentou candidato. Em sua gestão, tomou as medidas para implantar o saneamento da cidade, antiga aspiração e necessidade dos santa-marienses. Contratou o engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, mas não pôde iniciar as obras, pois, devido a acusações injustas, renunciou na metade de seu mandato, perdendo a cidade um administrador qualificado e diligente.
   Em 1913-14, o Dr. Astrogildo foi presidente da comissão de festejos do centenário da elevação de Santa Maria a Capela Curada, citado então como de fundação da cidade. Organizou a Revista Commemorativa do Centenario, com 2.000 exemplares, uma obra fundamental da história santa-mariense.
Assinatura no registro de nascimento da filha Aracy. Ele assinava Cesar, com "s".
Largo da Rua do Acampamento. Festa do Grêmio Gaúcho, em 1905. Na casa baixa, ao centro, vivia a família do Dr. Astrogildo. Foi demolida para dar lugar ao Palacete. O casarão à direita e seu pátio correspondem hoje ao Edif. Taperinha e Rua Alberto Pasqualini. Pertenciam ao Dr. Pantaleão José Pinto e antes ao seu sogro, o alemão Nicolau Becker. A casa com 3 aberturas em arco era a Farmácia Daudt e, a seguir, a alfaiataria de Friedrich Roth. [foto: acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso]

   Arquitetura do Palacete
   O ilustre arquiteto alemão Theodor Wiederspahn tem sido citado, em bibliografia recente, como autor do projeto, entretanto nenhuma prova documental dessa autoria é conhecida. A história oral familiar menciona que a obra fora executada pela empresa do Eng. Ahrons, de Porto Alegre, cujo departamento de projetos tinha Wiederspahn como responsável, de 1908 a 1915, período em que o palacete foi projetado e construído.
   Paulo Emílio de Azevedo Klumb, já falecido, neto do Dr. Astrogildo, em trabalho de distribuição limitada, intitulado  Astrogildo César de Azevedo – dados biográficos, datado de 1996, escreveu que “o imóvel foi projetado e construído pelo escritório de engenharia de Rodolfo Ahrons”.  Essa empresa mantinha escritório filial em Santa Maria, a cargo do arquiteto Henrique Schütz, e executara, um ano antes, o edifício da agência do Banco da Província, já demolido, quase em frente ao Palacete.
Theo Wiederspahn (E), aos 60 anos, em foto de Otto Schönwald, e Rudolph Ahrons em foto de Virgilio Calegari.

   Theodor Wiederspahn nasceu em 19.2.1878, em Wiesbaden e formou-se na Königliche Baugewerbeschule, Real Escola de Construção, em Idstein, 20 km ao norte de sua cidade natal. Quando se fixou em Porto Alegre, aos 30 anos, trazia uma considerável bagagem de experiência profissional. São de sua autoria valiosas obras do patrimônio edificado, na capital e em algumas cidades do interior. Em Santa Maria, as agências do Banco do Comércio (hoje Caixa Federal), do Banco da Província (demolida) e o Clube Caixeiral.
A empresa do Eng. Rudolph Ahrons mantinha filial em Santa Maria, na Rua do Acampamento. Anúncio no Album de Santa Maria da Bocca do Monte, em 1914.

   Nas despesas da obra, o Dr. Astrogildo não registrou qualquer lançamento referente a honorários pelo projeto e pela execução. Há apenas três itens referentes à “administração”, somando 3 contos e 500 mil réis, e após o final da obra, um pagamento de um conto de réis a “Schutz (por conta)”.
Guardo em meu acervo, uma valiosa peça do projeto com o desenho da fachada principal, em elevação e corte, que me foi doada por Marina Klumb Dallasta, neta do Dr. Astrogildo. O desenho não contém qualquer inscrição referente à autoria, certamente porque não era uma peça gráfica acabada. Esse desenho da fachada foi comparado com trabalhos do acervo Wiederspahn, na PUC/RS, pelo arquiteto Alessandro Diesel que encontrou identidade na representação gráfica, tanto no traçado como nas legendas.
Desenho da fachada principal. Platibanda, janelas do 2º pavimento e vários detalhes foram executados de forma diferente.

   O estilo se insere no Ecletismo, movimento predominante em Arquitetura, desde meados do século XIX até as primeiras décadas do século XX, que consistia na composição com elementos de estilos arquitetônicos do passado para a criação de uma nova linguagem. Em Porto Alegre e em cidades do interior, o Ecletismo encontrou um grande representante em Theodor Wiederspahn.
   Os indícios acima citados e a história familiar possibilitam aceitar a hipótese da autoria de Wiederspahn, porém não forma conclusiva, na ausência de documento probatório.
   (continua)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Em Santa Maria, "O Gordo e o Magro" eram imitadores.

Foto de Laurel e Hardy
incluída no anúncio dos imitadores.
Os anúncios sobre a presença da famosa dupla de comediantes em Santa Maria, em 1937, eram propaganda enganosa.
Quando li os anúncios, na imprensa local, fiquei intrigado com o fato de que a apresentação de “O Gordo e o Magro”, em Santa Maria, nunca fora comentada na família. Eu era muito pequeno, na época, mas acontecimentos dessa natureza eram várias vezes citados, nos anos seguintes, pelos adultos da casa.

Lembro das vezes em que meus pais e avós comentavam as apresentações de companhias de operetas nacionais e estrangeiras, no Cine Theatro Coliseu, cuja qualidade acústica era elogiada por integrantes dos elencos.

Minha dúvida se acentuou com as manifestações de surpresa, semelhantes à minha, por parte de pessoas amigas. Então voltei à pesquisa nos jornais da época.

Anúncio no Diario do Interior, em 17.11.1937, afirma que se tratava da famosa dupla.

A publicação no jornal A Razão, anunciando o espetáculo de “O Gordo e o Magro”, em 16.11.1937, foi, de fato, propaganda enganosa, pois se tratava de uma dupla de imitadores. O anúncio citava a “notável Dupla Cômica O Gordo e o Magro”, acentuando que não era um filme: “São eles próprios ... que conheceis através de hilariantes filmes.” Para completar o engano, foi incluída no anúncio uma foto dos verdadeiros artistas Stan Laurel e Oliver Hardy.

Trechos da notícia em A Razão, edição de 17.11.1937, revela a identidade da dupla. 
No dia seguinte, o Diario do Interior repete o logro quando anuncia, para as sessões da tarde e da noite, “O Gordo e o Magro, em carne e osso! A famosa dupla cômica!”

Em nenhum dos anúncios, houve qualquer referência de que se apresentariam dois imitadores da dupla famosa.

Entretanto, as notícias, em ambos os jornais, revelam claramente o fato. Na edição seguinte à noite do espetáculo, comentando a enorme afluência de público, A Razão cita os “dois perfeitos imitadores da famosa dupla do cinema Stan Laurel e Oliver Hardy.”

A seguir, narra a visita que os artistas fizeram ao jornal, então instalado em prédio vizinho ao Cine Theatro Independência, inclusive citando os nomes dos sósias imitadores.

No mesmo dia, o Diario do Interior, embora dizendo que “O Gordo e o Magro” se apresentariam novamente, esclarece tratar-se de “perfeitos imitadores dos verdadeiros.”

Trecho de notícia no Diario do Interior, em 17.11.1937: eram imitadores.

Fica assim esclarecido que Stan Laurel (o Magro) e Oliver Hardy (o Gordo) jamais estiveram em Santa Maria.
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Fontes: Jornais A Razão e Diario do Interior, nas edições citadas. Hemeroteca do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Leopoldo Fróes fora do prumo

Leopoldo Fróes
    No canto nordeste da Praça Saldanha Marinho, em Santa Maria, há um monumento em homenagem a Leopodo Froés, voltado para o Theatro Treze de Maio.
    O monumento, datado de 10 de dezembro de 1968, foi erguido por iniciativa da Escola de Teatro Leopoldo Fróes, quando comemorava o seu 25º aniversário de fundação, homenageando seu patrono.
    A Escola de Teatro foi idealizada por Edmundo Cardoso, que a fundou, em 1943, com outros atores amadores e pessoas aficionadas às artes cênicas.
    A instituição tomou o nome de Leopoldo Fróes, em homenagem e reconhecimento ao ator brasileiro considerado de maior expressão, nas primeiras décadas do século XX. Leopoldo Constantino Fróes da Cruz (Niterói/RJ, 1882– Davos/Suíça, 1932) foi ator, teatrólogo, compositor, letrista e cantor brasileiro.1
Edmundo Cardoso
Além de fundador, Edmundo Cardoso foi diretor e ator, desenvolvendo intensa atividade teatral, durante 40 anos. A Escola de Teatro Leopoldo Fróes estreou, em Santa Maria, em 24.4.1944, com a comédia Deus lhe pague, de Joracy Camargo. Em sua bem-sucedida trajetória, realizou muitas apresentações nos palcos locais e algumas vezes em Porto Alegre e cidades do interior, bem como em São Paulo e Santa Catarina.
    Quando comemorou seu jubileu de prata, em 1968, a Escola de Teatro Leopoldo Fróes já havia conquistado vários prêmios, divulgando a atividade cultural santa-mariense, em âmbito teatral.2
    Para marcar o importante acontecimento, os dirigentes da Escola de Teatro Leopoldo Fróes encomendaram ao escultor Hermenegildo Marotto, caxiense radicado em Santa Maria, um monumento em granito e bronze, com a herma do patrono. O monumento foi doado pelo empresário Salvador Isaia.


    Após 45 anos, a obra apresenta-se acentuadamente inclinada, estando em risco a sua estabilidade.
    Dano semelhante já ocorrera com o monumento ao Coronel Niederauer, o mais antigo e um dos mais valiosos da cidade, quando, em 1989, a raiz iconoclasta de um Pinus elliotti, indevidamente plantado a curta distância,  produzia progressiva inclinação da herma. Três anos depois, o monumento foi restaurado, graças às medidas efetivas tomadas pelo Eng. Júlio Rasquin, então Secretário de Planejamento, em atendimento às solicitações realizadas por mim e por Antonio Isaia.3
    A história se repete, agora desaprumando perigosamente o monumento a Leopoldo Fróes, que talvez sofra a ação demolidora da raiz iconoclasta de um jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia, D. Don) 4 que lhe fica atrás, a cerca de um metro de distância.

    De crescimento rápido, certamente foi indevidamente plantada muito próxima ao monumento após sua instalação, há 45 anos. Essa bela árvore ornamental, de exuberante floração azul, é a mesma que enche de cor a Praça da Alfândega e ruas de Porto Alegre, por toda a primavera. 
Floração do jacarandá-mimoso
foto Francisco Manuel Carrajola Oliveira
    Embora considerada de raízes não agressivas, pode levantar calçamentos e abalar muros, como deve estar fazendo com o monumento.
    Certamente o jacarandá-mimoso  de forma alguma deverá ser retirado. Há solução tecnicamente simples para a restauração do monumento, garantindo sua estabilidade e preservando a bela espécie.
    Que o ilustre ator brasileiro, a importante Escola de Teatro Leopoldo Fróes, que o homenageou, e o generoso mecenato de Salvador Isaia sejam respeitados e reconhecidos em seus valores com a necessária e urgente restauração do monumento, por parte da municipalidade, à qual cabe a preservação dos bens culturais públicos.
    E que o ornamental jacarandá-mimoso tenha vida longa, cumprindo sua função de embelezar e sombrear nossa praça central.


3  BRENNER, José Antonio. A restauração do monumento a Niederauer, A Razão, Santa Maria, 5.10.1991.
4  Identificação da espécie pelo Prof. José Newton Cardoso Marchiori.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

SOCEPE - Fundada em 28 de outubro de 1866

   Em recente sessão de assembleia geral, realizada em 29.7.2013, a Sociedade Concórdia Caça e Pesca-Socepe aprovou o dia de sua antiga fundação, em 28.10.1866, como data de seu aniversário.
   Fui convidado pelo presidente, João Carlos Provensi, e pelo 1º vice-presidente e patrono, Horst Oscar Lippold, para apresentar, na assembleia, a justificativa para essa proposta.
Horst Oscar Lippold, patrono da Socepe, na festa em sua homenagem, em 6.12.2012, com o presidente João Carlos Provensi. [foto de Germano Rorato]

   Resumi a história da fundação do Deutscher Hilfsverein de Santa Maria, origem da sociedade, e destaquei a importância de honrarmos essa memória e nos orgulharmos de ser a Socepe o mais antigo clube de Santa Maria e um dos mais antigos do Estado.
   Lembrei que a Sociedade de Ginástica Porto Alegre-Sogipa, mesmo tendo realizado fusão, mudado de nome e de atividades, ostenta com orgulho em seu emblema e acrescenta em seu título a data de sua fundação como Deutscher Turnverein, em 1867, um ano depois que a Socepe.
   Num domingo de primavera, em 28 de outubro de 1866, foi fundado o Deutscher Hilfsverein de Santa Maria, significando associação alemã de assistência. Tinha por objetivo amparar os alemães que chegavam à vila, numa época em que Santa Maria era intensamente procurada por migrantes vindos da Europa e das antigas colônias alemãs. Tal migração ocorria em razão da hegemonia que os germânicos alcançaram no comércio e na produção, durante as décadas anteriores, na vila santa-mariense.
Otto Brinckmann, 1º presidente, em 1866.
Foto extraída da Revista
do Centenário de Santa Maria
, 1914.
   Naquele domingo, 18 alemães e descendentes reuniram-se na casa do agrimensor Carl Ferdinand Otto Brinckmann, para fundar o Deutscher Huilfsverein. Brinckmann chegara ao Brasil 15 anos antes, como capitão de artilharia do exército da Prússia. Portanto um Brummer, contratado pelo governo imperial brasileiro para a Guerra contra Rosas e Oribe, em 1851.
   Sua residência era um casarão com cerca de 18 metros de frente, na Rua do Comércio, hoje segunda quadra da Rua Dr. Bozano, onde está o Edifício Block nº 1058.
   Na reunião de fundação, foi eleita a diretoria: Otto Brinckmann, presidente; Franz Weinmann, vice-presidente; Wilhelm Fischer, secretário; Peter Cassel, tesoureiro; e os diretores Nicolaus Ehlers, Jacob Krebs, Philipp Jakob Schirmer e Jacob Maurer, todos naturais de estados alemães. Os demais fundadores foram Abraham Cassel, Augusto Morsbach, Carlos Lampert, Johann Heinrich Druck, Heinrich Friedrich Eggers, Miguel Adamy, Nicolau Becker, Peter Brenner, Pedro Weinmann e Theodoro Weber. Esses 18 nomes foram citados como fundadores quando a sociedade comemorou seus 70 anos, em 1936. [1] Eles também são citados por João Belém,[2] que acrescenta mais 53 nomes como fundadores, supostamente colhidos no primeiro livro de registros da sociedade, fonte primária lamentavelmente desaparecida. Talvez sejam aqueles que aderiram à iniciativa, após a reunião de fundação.

Primeira diretoria, em 1866.
Franz Weinmann, vice-presidente, e Wilhelm Fischer, secretário.

Peter Cassel, tesoureiro, e Philipp Jakob Schirmer, diretor.
 Meio século depois, visando a obter personalidade jurídica para adquirir direitos e contrair obrigações, os estatutos escritos em alemão foram traduzidos para o português. Assim, em 1916, o Deutscher Hilfsverein de Santa Maria foi denominado, na tradução, Sociedade Beneficente Alemã de Santa Maria da Boca do Monte. Entretanto, continuou a usar sua denominação alemã, inclusive em publicações na imprensa, como se vê no convite para uma quermesse, em 1937, em benefício do Colégio Brasileiro-Alemão, mantido pelo Hilfsverein.[3] Nessa época, a sociedade já tinha sua sede, na Rua Venâncio Aires, inaugurada em 1932.
Convite em A Razão, sábado, 22.5.1937.  Deutscher Hilfsverein promove festival em benefício do Colégio Brasileiro-Alemão.
   Vários meses antes da declaração de guerra à Alemanha, em agosto de 1942, o nome fora mudado para Sociedade Concórdia, como consta em notícia no jornal A Razão, em fevereiro daquele ano, sobre o fechamento, em Santa Maria, de seis sociedades de matriz cultural alemã, italiana, libanesa e judaica. Concórdia - acordo, paz, harmonia de vontades e de opiniões - foi a denominação adotada, na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais, por várias outras sociedades alemãs, no país.
   Em 7 de julho de 1966, 100 anos após a fundação, foi efetuada a fusão da Sociedade Concórdia com o Clube de Caça e Pesca, quando Horst Oscar Lippold era o presidente de ambas as associações. Foi, então, adotada a denominação Sociedade Concórdia Caça e Pesca, o grande clube que hoje conhecemos pela sigla SOCEPE, com sede central no mesmo antigo endereço da Rua Venâncio Aires e sede campestre em Itaara. Lippold foi o primeiro presidente desta moderna fase da Sociedade, cargo que também ocupou em diversas gestões, sendo atualmente patrono e 1º vice-presidente. 
    Algumas sociedades, em atividade no Estado, são mais antigas, como a Sociedade Germânia, de Porto Alegre (23.6.1855), a  Sociedade Orpheu de São Leopoldo (20.1.1858) e o Clube União de Santa Cruz (10.4.1866), apenas seis meses anterior à Socepe. Entretanto o Clube União absorveu, em 1868, a Schützengilde, fundada em 1863, em Santa Cruz. As sociedades mais antigas do Estado foram fundadas por imigrantes alemães e descendentes, em razão de seu forte espírito de associativismo.
    Assim, a Socepe é uma das mais antigas sociedades do R. G. do Sul e, sem dúvida, pode se orgulhar de ser a mais antiga de Santa Maria, devendo ostentar em seu emblema o ano de sua fundação histórica.

    Poderá, então, comemorar, no próximo dia 28 de outubro de 2013, os seus 147 anos de fundação.



[1] Diario do Interior, terça-feira, 1.12.1936 - 1ª p. - Arquivo Histórico Municipal de S. Maria.
[2] BELÉM, João. História do Município de Santa Maria, 3. ed. Santa Maria: Ed. da UFSM, 2000.
[3] A Razão, Santa Maria, sábado, 22.5.1937, 1ª p. - Arq. Histórico Municipal de S. Maria.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A.T.C. - Presidentes esquecidos (5)

Joaquim Junqueira Rocha.
Foto extraída de Monte Domecq, 1916.

Encerrando esta série de postagens, apresento o quinto ex-presidente ausente na galeria de fotos do A.T.C.
   Joaquim Junqueira Rocha
   Foi presidente do Avenida Tênis Clube, eleito na assembleia geral de 15 de março de 1925, sucedendo a Oswaldo Cordeiro de Farias.
   Porém, como vice-presidente, na gestão anterior, comandou o clube por vários meses, na ausência do titular. Exerceu a presidência pelo menos desde agosto de 1924, em razão da ausência, por tempo indeterminado, do então presidente, o tenente       Oswaldo Cordeiro de Farias. Esse militar exilara-se na Argentina após participar de um levante tenentista e, a seguir, juntou-se aos rebeldes liderados por Luiz Carlos Prestes, que formaram a Colunas Prestes.
   Joaquim Junqueira Rocha nasceu em Santa Maria, em 1887, filho de Manoel Marques da Rocha e Bertholina Junqueira Rocha. Era sobrinho de Ernesto Marques da Rocha, intendente municipal em 1923, e primo-irmão dos médicos Francisco e José Mariano da Rocha.
   Com 25 anos de idade, casou, em 25.12.1912, com Esther Coimbra Marques, de 19 anos. O casal teve cinco filhos, nascidos em Santa Maria: Helly (14.5.1914), Balbino (16.6.1915), Ivanisa (1.8.1916), Alcione (2.5.1918) e Icleia (23.3.1923). O segundo filho, Balbino Marques da Rocha, médico cirurgião e ginecologista, trabalhou por mais de 50 anos nos hospitais de Porto Alegre e notabilizou-se com escritor e poeta regionalista.
   Comerciante
   Junqueira Rocha, desde jovem foi ativo e bem-sucedido comerciante. Aos 25 anos era sócio da firma Gastal & Rocha, que comprou, em 1912, a loja A Preferivel, em frente à Praça Saldanha Marinho, esquina Rua Venâncio Aires.

Em 30 de junho de 1914, Junqueira Rocha realizou nova sociedade, a J. Rocha & Cia., com o fazendeiro Luiz Gonçalves das Chagas. Mudou a loja para a 1ª Quadra da Rua do Comércio nº 12, onde está hoje o Edif. Bechara, nº 1318 da Rua Dr. Bozano, cujo térreo é parte da Casa Eny Feminina. 
   Em 1918, transferiu-se para o sobrado em frente, nº 19, onde hoje está o Edif. Imembuí, nº 1305. A Preferivel era uma das principais casas comerciais da cidade. Operava no ramo de tecidos, artigos de bazar, modas, confecções, miudezas e perfumes.

   Além de bem-sucedido comerciante, Junqueira Rocha desenvolvia intensa atividade social. Em janeiro de 1918, era presidente da Sociedade Carnavalesca dos Pyrilampos e, em 1921, foi eleito presidente do Clube Caixeiral Santamariense. Após seu mandato no Avenida Tênis Clube, Junqueira Rocha voltou à presidência de Clube Caixeiral, em 1926 e 1927.
   Padrinho do A.T.C.
Junqueira Rocha em
O Rio Grande do Sul, 1922.
   Junqueira Rocha esteve ligado à história do Avenida Tênis Clube, desde os primórdios.
   Não há registro de quando ele se associou ao clube, mas a assembleia geral de 20.8.1917, presidida pela vice-presidente Aracy Pinto de Azevedo, realizada na residência de seu pai, o Dr. Astrogildo de Azevedo, deliberou convidar   Junqueira Rocha e Aura Pinto de Azevedo, mãe de Aracy, para padrinho e madrinha do Avenida Tênis Clube.
   Inauguração da quadra
   No mês seguinte, em 16.9.1917, domingo, foi inaugurada a primeira quadra de tênis do clube, na Av. Rio Branco.  Às 14 horas, sócias e sócios do A.T.C. reuniram-se na residência de Junqueira Rocha, na Rua dos Andradas, de onde partiram, em grupo, para a quadra. Conforme o Diario do Interior, “às 16 horas de domingo, perante avultada concorrência de exmas. sras. srtas. e inúmeros cavalheiros, foi inaugurada a pelouse do Tennis Avenida Club, servindo de paraninfos a exma. sra. d. Aura Azevedo e o sr. Junqueira Rocha, e que primeiro lançaram a bola no espaço, iniciando o jogo no qual tomaram parte as sócias e sócios inscritos.”
   Gestão
   A assembleia geral de 15 de março de 1925, que elegeu Junqueira Rocha como presidente, foi realizada na sede do Avenida Tênis Clube, na Praça do Mercado, a atual Saturnino de Brito. A vice-presidente era Camille (Mimi) Philbert, filha do belga Jules Philbert, chefe da contabilidade da Viação Férrea.
Assinatura em ata do Avenida Tênis Clube 
   Na gestão de Junqueira Rocha, em exercício e como presidente, foram registradas as atas de uma assembleia e de três sessões de diretoria, essas realizadas no Clube Comercial, fundado dois anos antes e instalado no pavimento superior da loja A Preferivel. A assembleia homenageou os ex-presidentes  eng. Antonio Azevedo, sócio benemérito, e o ten. Cordeiro de Farias, ambos momentaneamente na cidade. As demais atas revelam a realização de um torneio interno para “desenvolver o esporte o mais possível e despertar maior interesse entre os jogadores” e também a visita do Concordia Tênis Clube, de Cachoeira, que jogaria um torneio previsto para outubro de 1925.
   Além de serem escassos os registros em atas, faltam, na hemeroteca do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria, as edições dos anos 1924 a 1926 do Diario do Interior, também inexistentes em outros acervos. O Correio da Serra, jornal santa-mariense da época, nenhuma notícia publicou sobre o clube. Assim, não foi possível obter mais dados.
Primeira Quadra da Rua Dr. Bozano, em cerca de 1925. No primeiro plano, à direita, o sobrado que abrigava, no térreo, A Preferível, e no pavimento superior o Clube Comercial, fundado em 1923. Ao fundo, o Banco Pelotense, recentemente inaugurado, onde hoje está o Banrisul.
[acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso - restaur. J.A.Brenner-jul./2013]

Fontes:
Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria:
Diario do Interior, edições de 18.9.1917 e 28.11.1918.
Casa de Memória Edmundo Cardoso:
MONTE DOMECQ, Ramón. O Estado do Rio Grande do Sul. Barcelona: Estabelecimento Graphico Thomas, 1916, p.484.
COSTA, Alfredo Rodrigues da (org.). O Rio Grande do Sul, vol. II. Porto Alegre: Officinas Graphicas da Livraria do Globo, 1922, p.210.
Fototeca.
Livro nº 1 de atas do Avenida Tênis Clube.
Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais – Santa Maria. Liv. Casam. 7, fl. 119. Liv. Nascim. Nos 12, 13, 14 e 19.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A.T.C – Presidentes esquecidos (4)



Em sequência às postagens, interrompidas em novembro de 2012, sobre ex-presidentes do Avenida Tênis Clube ausentes na galeria de fotos, apresento
João Baptista Leggerini
Ele foi eleito presidente do A.T.C., na assembleia geral de 15.3.1930, e exerceu seu mandato num período de grandes dificuldades para o clube.
João Baptista Leggerini nasceu em Montenegro, em 15.5.1895. Cursou a Escola de Engenharia de Porto Alegre, atual UFRGS, formando-se Engenheiro Mecânico e Eletricista, em 1917. Em janeiro de 1918, integrou um grupo de oito recém-formados em viagem de estudos aos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Logo depois, ingressou na Viação Férrea, sendo designado para trabalhar em Santa Maria, onde, mais tarde, exerceu a chefia da seção de eletricidade.
Em 7.10.1929, associou-se ao Avenida Tênis Clube, proposto pelo então presidente João Appel Lenz.
Conselheiro
Eng. João Baptista Leggerini
Em 1930, o Governo Provisório de Getúlio Vargas dissolveu os Conselhos Municipais, destituiu os intendentes e criou o cargo de prefeito para a gestão executiva dos municípios.
O intendente de Santa Maria, Manuel Ribas, foi mantido no cargo como prefeito. Com a dissolução do Conselho Municipal, buscando respaldo à sua administração, o prefeito criou, em dezembro de 1930, o Conselho Consultivo para o qual convidou oito cidadãos, entre eles João Baptista Leggerini. Isso mostra a posição de prestígio que o jovem engenheiro detinha na sociedade santa-mariense. Também eram membros os advogados Walter Jobim e João Bonuma, e os médicos Severo do Amaral e Lamartine Souza, todos sócios do A.T.C.
Saneamento da cidade
O projeto de saneamento básico de Santa Maria, contratado em 1918 ao Eng. Saturnino de Brito, previa um reservatório na Praça do Mercado. Com a renúncia do intendente contratante, Astrogildo de Azevedo, a interinidade, a morte e a cassação de alguns de seus sucessores, o projeto foi esquecido. Somente o intendente Celso Penna de Moraes, em seu curto mandato (1926-28), se empenhou intensamente para a execução das obras, obtendo financiamento do Estado, o que possibilitou a seu sucessor, Manuel Ribas, realizá-las. Foram iniciadas em novembro de 1929, com abertura das valetas para rede de água, na Rua Silva Jardim, perto da Igreja do Rosário. 
O Avenida Tênis Clube estava instalado, desde 1922, em área na esquina das ruas Dr. Bozano e Duque de Caxias, popularmente chamada Praça do Mercado, mais tarde, em 1931, denominada Praça Saturnino de Brito.
O Diario do Interior, em 15.3.1930, noticia que o intendente Manuel Ribas solicitara ao clube a desocupação da área porque deveria ali "organizar um grande jardim da infância", pois pretendia que o Estado construisse, em terreno contíguo, "um grande edifício destinado à Escola Complementar e ao Colégio Elementar". Eram medidas prévias para a construção do colégio estadual que seria inaugurado em 1938, porém a um quarteirão de distância, com o nome de "Olavo Bilac".
A data da notícia é a mesma da assembleia que elegeu Leggerini e de uma petição ao Intendente, assinada por 45 sócios, encabeçada pelo vice-intendente, o médico Severo do Amaral, pelo presidente eleito, João Baptista Leggerini, e pelo presidente do Conselho Municipal, João Appel Primo. O documento citava dados do A.T.C. desde sua fundação e de seu desenvolvimento, exaltando sua “confortável e invejável sede atual”, destacando que “excluídas as cidades de Porto Alegre e Pelotas, muito mais antigas, de população mais densa e mais rica, nenhuma outra do Estado possui um clube de tênis com instalação semelhante...” 
Há dubiedade quanto ao motivo alegado, porque o projeto de saneamento previa, na então chamada Praça do Tênis, a construção do reservatório da cidade, concluído em dezembro de 1930. Talvez existissem os dois motivos, quando foi pedida a desocupação pelo intendente Manuel Ribas, que não atendeu à circunstaciada petição dos atecianos.
Foto de Miguel Lampert, em 24.4.1935, mostra a sede do Avenida Tênis Clube, na Praça da República. [acervo Carlos Eduardo Pereira da Silva]

Nova sede
A construção da nova sede, com três quadras e pavilhão social, teve a indispensável colaboração de Wayss & Freitag, empresa alemã que vencera a concorrência para as obras do saneamento da cidade, através de sua sucursal em Montevidéu.
João Baptista Leggerini, em sua gestão, enfrentou a espinhosa tarefa de desocupar a Praça do Mercado e construir o nova sede na Praça da República, o que impediu a prática do esporte por mais de um ano. Mas conseguiu realizá-la, antes de dar posse ao seu sucessor, Carlos Lang, que a inaugurou, em 21.6.1931. 

Trecho de notícia do Diario do Interior,
em 21.6.1931, cita o reservatório que
até hoje existe na Praça Saturnino de Brito.
Pelouse Dr. Leggerini
O trabalho de João Baptista Leggerini foi largamente reconhecido. Esse reconhecimento foi evidenciado na assembleia geral de 18.3.1932, quando foi aprovado, por aclamação, prestar-lhe uma significativa e justa homenagem, dando seu nome a uma quadra de tênis, conforme a ata, “pelo muito que fez em benefício do Avenida, por ocasião da mudança da sede.”
Programada para 17 de abril, a homenagem foi adiada, devido à ausência do homenageado, que se encontrava em Porto Alegre. Finalmente, em 10 de julho de 1932, domingo, a “Pelouse Dr. Leggerini” foi oficialmente inaugurada. Embora fosse de saibro, a quadra de tênis era chamada pelouse, expressão francesa que significa gramado.
Na mesma data, após os jogos, foram festivamente inaugurados, com um chá-dançante, a ampliação do salão e outros melhoramentos.
A placa esmaltada estava afixada na cerca
 sul da quadra. Imagem  desenhada de memória.
Assim como outras, essa homenagem foi lamen-tavelmente desfeita, quando o clube transferiu-se, em 1958, para o local onde se encontra. 
As placas denominativas das três quadras de tênis foram simplesmente supri-midas, e as homenagens a ilustres atecianos foram desrespeitadas.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cronologia histórica de Santa Maria


A ilustração da capa é a foto mais antiga
da cidade, que se estende pela última capa.
   Neste dia 10 de maio de 2013, na 40ª Feira do Livro de Santa Maria, haverá o lançamento, pela Editora da UFSM, da 3ª edição da Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho, de Romeu Beltrão.
   A 1ª edição, com 199 páginas, foi publicada pelo autor, em 1958, quando a cidade comemorava o centenário de sua emancipação política. A obra tinha suas raízes em uma série de textos publicados por Beltrão no jornal A Razão, na década de 1950.
   O autor continuou, de forma incessante, seu trabalho de minuciosa pesquisa, ampliando consideravelmente a obra, que não chegou a ver publicada, pois faleceu em 15 de novembro de 1977, aos 64 anos. Deixou aos seus filhos a recomendação de que a publicassem, o que resultou na 2ª edição, com 500 páginas, em 1979.
   O livro de Romeu Beltrão é uma das mais valiosas e fundamentais obras da historiografia santa-mariense, há muitos anos esgotada. Uma nova reedição era ansiosamente esperada, e a decisão da Editora UFSM de publicar uma 3ª edição, anunciada na abertura da Feira do Livro de Santa Maria, em 28 de abril de 2012, foi entusiasticamente aplaudida pelos presentes.
Entrada da 40ª Feira do Livro de Santa Maria,
na Praça Saldanha Marinho.
   Sob a coordenação do Prof. Pedro Brum Santos, diretor do Centro de Artes e Letras/UFSM, uma equipe formada pelos professores Vitor Biasoli, Beatriz Weber e José Antonio Brenner trabalhou na revisão do conteúdo, enriquecendo a obra com várias notas, indispensáveis quando se reedita um livro histórico escrito há mais de três décadas.
   São comentários importantes para o leitor atual, em razão do desenvolvimento das pesquisas e da citação de locais que sofreram transformações, ao longo do tempo. Além disso, foram inseridas muitas fotos da cidade, de diferentes épocas, o que resultou em um alentado volume de 776 páginas.


A foto mais antiga da cidade, de autor desconhecido, é da Rua do Acampamento, na direção sul-norte.  Foi restaurada por José Antonio Brenner, a partir de foto publicada na Revista do Centenário, em 1914.
   Para ilustração da capa, a equipe escolheu a foto considerada a mais antiga da cidade, que foi restaurada a partir de um pequeno clichê publicado em 1914, na Revista do Centenário de Santa Maria, onde é datada de 1890, deve ser, porém, anterior a esse ano. 
A 3ª edição da Cronologia histórica de Santa Maria... está disponível na Feira, desde sua abertura, em 27 de abril último, mas terá seu lançamento oficial em 10 de maio

Romeu Beltrão, o autor.
   Romeu Beltrão nasceu em Santa Maria, no dia 29 de junho de 1913. Após formar-se médico, em 1934,  pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, hoje da UFRGS, começou a trabalhar em São Pedro, fixando-se em sua terra natal, no ano de 1937. Foi um homem múltiplo: além de sua atividade profissional, foi professor no ensino médio e em diversos cursos superiores, escritor, historiador, cronista, botânico e paleontólogo.  Em sua variada e extensa produção científica e literária, seu legado maior é a Cronologia histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho, agora nesta muito bem-vinda 3ª edição.



   Nesta Feira do Livro de Santa Maria, a obra de Beltrão é um dos livros mais vendidos, devendo ultrapassar os 160 exemplares, até o encerramento, no domingo, dia 12 de maio. 

sábado, 27 de abril de 2013

Bom Jardim-Ivoti no palco da história


Capa
    No próximo dia 2 de maio, na 31ª Feira do Livro de Ivoti, haverá o lançamento de Bom Jardim-Ivoti no palco da história, Editora Feevale, um substancioso livro de 520 páginas.
    A obra, que conta com a participação de vários autores e autoras, registra, sob diversos enfoques, a história da colônia alemã de Bom Jardim, iniciada em 1826, quando era chamada Berghahnerschneiß, a Picada dos Berghahn, primitivos colonos no local.
     No Estado Novo, a antiga denominação, de raízes anteriores à colonização alemã, foi mudada, em 1938, para Ivoti, que significa flor, em Tupi-Guarani. Por sua antiga denominação e por seu atual nome indígena, Ivoti é chamada a "cidade das flores". 

Ivoti fica a 12 km ao norte de Novo
Hamburgo pela BR-116.
    O livro é o resultado de uma iniciativa do Grupo de Estudos da História de Ivoti, fundado em 2005, que tem o Prof. Roque Amadeu Kreutz  como coordenador, orientador e revisor das pesquisas, bem como organizador dos livros a serem publicados. 
    Assim, ele é o organizador de Bom Jardim-Ivoti no palco da história e autor da maior parte dos textos. O Prof. Kreutz, Mestre em Educação, foi professoer de Língua Portuguesa e de Metodologia de Pesquisa em pós-graduação, na UFSM, onde exerceu a função de Coordenador do Curso de Letras. Publicou várias pesquisas em livros e revistas especializadas. Aposentou-se e fixou residência em Ivoti, desde 2000. 
    O antigo território da Freguesia de São Pedro do Bom Jardim corresponde hoje, principalmente, ao Município de Ivoti e tem partes nos municípios de Presidente Lucena, Lindolfo Collor (Picada Capivara), Picada Café e Estância Velha. Por essa razão, o livro inclui histórias além dos limites do município de Ivoti.

    Atores e cenário de uma época
    Sob esse título está minha participação no livro. Trata-se da tradução, com comentários, de uma extensa carta escrita em 1833 pelo colono alemão Johann Friedrich Böbion, emigrado de Niederlinxweiler, perto de Sankt Wendel, no atual Sarre. Com sua filha Henriette Katharina e seu genro Jacob Adamy, estabeleceu-se, em outubro de 1829, nos cerca de 77 hectares do lote colonial nº 46, que haviam comprado na Picada 48.
    Böbion escreveu a carta para outro genro, Jacob Lind e sua filha Louise Katharina, que viviam na aldeia de origem. Entretanto, eles haviam emigrado para o Canadá, dois anos antes, sem o conhecimento de Böbion, em razão da difícil comunicação entre os continentes, especialmente entre um colono instalado no sul do Brasil, na mata virgem – in den Urwald, como ele chamou –, e seus parentes em uma aldeia européia. 
    Não sendo encontrados os destinatários, a carta foi preservada no arquivo de alguma instituição e pôde ser publicada por KELLER, Hansheinz. Neue Heimat Brasilien, Bad Kreuznach, Pandion, 1963. Johann Friedrich Böbion descreveu a viagem no grande veleiro Olbers, a chegada à colônia, os males e privações, mas também a fartura dos produtos da "terra abençoada por Deus com rica fertilidade, onde tudo sempre enverdece e floresce," como escreveu. Citou os colonos da vizinhança, indicando os locais onde viviam.

A 31ª Feira do Livro de Ivoti, estará aberta de 2 a 8 de maio, no maior
núcleo de casas em enxaimel do país,
 no Buraco do Diabo, das Teufelsloch.
    Patronos
    A comissão organizadora da Feira Municipal do Livro de Ivoti 2013 escolheu os coautores do livro Bom Jardim-Ivoti no palco da história como patronos do evento. Assim, me tornei co-patrono da Feira, generosa distinção que muito me honra. 
    No dia 30 de abril, às 19h30, no auditório do Clube de Diretores Lojistas de Ivoti, haverá o lançamento oficial do livro, que será entregue às autoridades e aos autores. No mesmo local, a Câmara de Vereadores realizará sessão especial de homenagem aos autores, concedendo-lhes diploma de agradecimento e reconhecimento. Será condido o título de cidadão emérito de Ivoti a Roque Amadeu Kreutz, Ademir Rost e Herta Sporket Patro.
A Ponte do Imperador sobre o Rio Feitoria foi construída com blocos de arenito, entre 1857 e 1864. O nome é uma homenagem a D. Pedro II, que proveu as dotações necessárias para a construção.
    De Bom Jardim para Santa Maria
    Na corrente migratória das antigas colônias alemãs para Santa Maria, algumas famílias eram originárias  da Freguesia de São Pedro do Bom Jardim.
    Em 1857, dois anos após a morte de Johann Friedrich Böbion (o autor da carta), seu genro Jacob Adamy vendeu suas terras na Picada 48.  Chefiando um grupo familiar de 15 pessoas – esposa, filhos, genro, nora e netos –, ele mudou-se para suas novas terras na região do Pinhal, próxima a Santa Maria. No grupo estavam o genro Peter Daniel Gehm, natural de Katzenbach/Baviera Renana, e o futuro genro, Martin Zimmermann, nascido em Bom Jardim, em 9.11.1831.  Eram parte das 11 famílias pioneiras que fundaram a pequena colônia alemã do Pinhal, que gerou o atual município de Itaara.
    Em 1862, o alfaiate Abraham Cassel, natural de Ulmet/Renânia-Palatinado, deixou Bom Jardim e se estabeleceu em Santa Maria, com a esposa, sete filhos e os sogros.
    Em 1867, foi criado o distrito (freguesia), São Pedro de
Bom Jardim abrangendo, entre outras, a Picada 48 e a Picada Café.
    Luiz Cechella nasceu em 1889, na Picada Café, incluída no citado distrito. Era filho do italiano Luigi Cechella e de Maria Luiza Link, natural de Picada Café. Com seus pais e irmã, ele mudou-se para Santa Maria, casando, no Pinhal, com Amantina Izabella Adamy, em 1909. Junto veio o tio João Link Sobrinho.
       Todos esses geraram extensa e importante descendência em Santa Maria, com valiosa contribuição para o desenvolvimento da cidade e região.

sábado, 20 de abril de 2013

Quartel centenário – Santa Maria


O mais antigo quartel do Exército, em Santa Maria, o quartel-general da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, a “Brigada Niederauer”, completa cem anos de inauguração neste dia 21 de abril de 2013.
Foi construído em decorrência da reorganização do Exército, para o aquartelamento do 7º Regimento de Infantaria, criado por essa mesma ação.

O quartel construído para o 7º Regimento de Infantaria, hoje da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, ostenta na fachada o nome de seu patrono.
Terreno – Uma grande área, no fim da Rua do Comércio, atual Dr. Bozano, foi doada pelo Município, na gestão do intendente Ramiro de Oliveira (1908-1912). A acentuada elevação naquele ponto, conhecida como “alto da coxilha”, não favorecia o prolongamento da Rua do Comércio, já bastante edificada no último quarteirão.
Confrontava com a Rua da Caturrita, assim chamada porque demandava a um subúrbio com esse nome, hoje bairro da cidade. Em abril de 1913, a Rua da Caturrita passou a chamar-se Av. Borges de Medeiros.

Cel. Augusto Maria Sisson
O projeto – Foi elaborado pela Comissão Construtora de Quartéis, sob direção do engenheiro militar coronel Augusto Maria Sisson. O projeto foi aprovado pelo governo, que o definiu como modelo para outros quartéis a serem construídos na Região Militar.
O edifício principal caracteriza-se por um Ecletismo tipológico, composto por elementos que orientam o estilo quanto à finalidade e que o identificam como construção militar.  A solução simétrica enfatiza o centro de equilíbrio, onde há dois pavimentos, tendo no superior as salas do comando.
As platibandas têm ameias imitando os parapeitos de fortalezas e nos cunhais há miniaturas de torreões ameados, elementos que atribuem à edificação um explícito caráter castrense.
O projeto da fachada foi publicado no Diario do Interior, em 22.4.1913.
A construção – Foi dirigida pelo engenheiro militar Oscar Barcellos, com reconhecida experiência em outras obras militares, no Rio e em São Paulo.
Na cidade, com pouco mais de 10 mil habitantes, não havia saneamento básico, e o transporte de carga era feito por carros de bois ou carroças, o que resultaria em grande morosidade. Então Barcellos construiu um grande açude, arrendou uma olaria, ampliando-a em área física, fornos e máquinas, e construiu ramais ferroviários ligando a obra à Viação Férrea e à olaria.
Iniciou a terraplenagem, em dezembro de 1910, e as fundações em meados de 1911, quando chegou ao canteiro de obras o primeiro trem de nove vagões carregados de blocos de pedra, extraídos e aparelhados na Parada Pedreira, no km 8 na Linha da Serra.
Nas coberturas foram usadas placas de cimento-amianto imitando ardósia. As telhas desse novo material, inventado em 1895,  foram importadas da Europa, provavelmente da fábrica Eternit, na Bélgica
Foto de Venâncio Schleiniger, em 1913, mostra a cobertura de cimento-amianto.
A estrutura de aço das coberturas foi fabricada na Alemanha pela afamada indústria Krupp. No edifício principal foram usados ladrilhos hidráulicos importados da Bélgica. No átrio, foi instalado um lustre da famosa fábrica de luminárias Holophane, fundada em Londres, em 1898. Também foram importados da Europa aparelhos sanitários, divisões metálicas para as baias, grades, caixa d’água e cimento. A escada para o pavimento do comando, fabricada em louro pela empresa local Denovaro & Plasencia, tem corrimão com tendência Art Nouveau

Ladrilhos belgas - Lustre Holophane - Escada Art Nouveau
Inauguração
Oscar Barcellos entregou a chave do quartel ao General Julio Barboza, em 4 de abril de 1913 e, no dia seguinte, o 7º Regimento que esteve alojado em barracas e aquartelado na Brigada Militar, transferiu-se para seu novo quartel.
A inauguração ocorreu em 21 de abril de 1913, iniciada á tarde com os festejos realizados pelos inferiores e praças do 7º Regimento.
Às 21 horas teve lugar a cerimônia inaugural, com a presença dos  generais comandantes da Região Militar e da 3ª Brigada Estratégica, do comandante do 7º Regimento de Infantaria, dos engenheiros militares, o coronel Augusto Maria Sisson e o major Oscar Barcellos – que foram homenageados –, a oficialidade e muitas pessoas da sociedade santa-mariense. Foram servidos champanha e finos doces, enquanto  teve lugar um animado baile, nos salões da administração, ao som da banda de música do 7º Regimento.
No ato da inauguração, a cidade expressou seu reconhecimento em bronze.
O 7º R. I. esteve muito ligado à história de Santa Maria, durante os 95 anos em que permaneceu na cidade, inclusive com outras denominações. Sua banda de música, formada em 1909 com 34 músicos, hoje a mais que centenária banda da 3ª Divisão de Exército, participava de eventos sociais, esportivos, recepções na gare da ferrovia e até de cortejos fúnebres de algumas personalidades. Até hoje, muitos santa-marienses, quando se referem ao antigo e valioso quartel, ainda o chamam de “O Sétimo”. Desde a construção e até a segunda metade do século passado, uma faixa em alto-relevo, na fachada, continha a inscrição "Quartel do 7º Regimento de Infantaria", depois reduzido para "7º R I".
 
No ponto mais central da fachada, a inscrição mantém a denominação histórica.
6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer
Em 1987, o quartel tornou-se o Comando da 6ª Brigada de Infantaria Blindada que, em 1992, recebeu a denominação histórica de “Brigada Niederauer” e o respectivo estandarte histórico. Assim, o Exército prestou a devida homenagem à memória do heróico João Niederauer Sobrinho, personalidade maior da história militar regional
A 6ª Brigada de Infantaria Blindada valorizou sua identidade, reverenciando dignamente nosso herói de guerra e ilustre cidadão. O nome do patrono é ostentado na fachada do seu quartel, patrimônio arquitetônico e referência marcante na paisagem urbana e na história da cidade, por isso merecedor de conservação e proteção por tombamento.
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No jornal A Razão, Santa Maria, na edição deste fim de semana, 20/21.4.2013, publico artigo com mais detalhes referente a esse tema.

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Fontes
Arquivo Histórico Municipal de S. Maria:
A Tribuna, Santa Maria, edições 28.4.1909, 1.5.1909 e 11.8.1909
Diario do Interior, Santa Maria, edições 11.8.1911, 25.3.1913 22.4.1913
BINATO de Almeida, Luiz Gonzaga e BRENNER, José Antonio. Arquitetura em Santa Maria: um roteiro, Santa Maria-Cidade Cultura, Conselho Municipal de Cultura, Pallotti, 2003.
BRENNER, José Antonio. Brigada Niederauer, Diário de Santa Maria, 22/23.1.2011.
Ordem do dia do Com. do 7º Regim. De Infantaria, 30.4.1909.
Ordem do dia do Com. da 3ª Brigada Estratégica, 26.7.1911.